Ourém | Seiça sagra-se campeão nacional de futebol da Inatel

Grupo Desportivo e Cultural de Seiça - Campeão Nacional de Futebol de 11 da Fundação Inatel 2015-2016

26 de junho de 2016, 16 horas, Lisboa

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Fase Nacional do Campeonato de Futebol de 11 da Fundação Inatel – Final

Centro Cultura e Desporto Pigeirense 0 – Grupo Desportivo e Cultural de Seiça 2

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Festa final do futebol da Fundação Inatel num excelente palco, a fazer lembrar grandes jogos de outros patamares, com três boas equipas e com a entidade organizadora a enveredar (e muito bem) pela simplicidade, organização e eficácia. A única nota menos positiva foi mesmo o número de adeptos nas bancadas. Por ser a Final Nacional de uma competição onde participam mais de uma centena de equipas, esperava-se mais gente nas bancadas, não só afeta às equipas participantes na final mas de outras equipas que participaram no campeonato. O nosso “olhómetro” registou pouco mais de três centenas de pessoas, o que nos pareceu pouco. Talvez a data da realização desta final tenha que ser revista, porque nesta altura do ano, com as temperaturas que se fazem sentir, a inclinação é ir para locais mais refrescantes que para um estádio de futebol. No entanto, fica a nota positiva para o público presente que foi incansável no apoio às equipas.

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Parque de Jogos 1º de Maio

O primeiro momento de emoção viveu-se antes do apito inicial. Mais um momento a fazer sentir os presentes que poderiam estar noutro palco e noutro patamar. O Hino Nacional. Tocado a preceito pelo grupo musical convidado para animar a festa, cantado a uma só voz pelos presentes e sentido por cada um à sua maneira.

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Momento em que se ouviu e cantou o Hino Nacional

Quanto ao jogo jogado, estavam frente a frente dois vice-campeões dos respetivos distritos. Seiça de Santarém e o Pigeirense de Aveiro. A equipa do concelho de Ourém disputava pela primeira vez da sua história uma final nacional, ao passo que, o seu adversário ia para a sétima presença em finais nacionais (quatro títulos).

O certo é que o Seiça não se amedrontou e entrou melhor na partida. Teve dez minutos de ascendente sobre o adversário, o que lhe podia ter valido um golo, não fosse a perdida, quase escandalosa, de JP só com Mota pela frente. O jovem atacante de Seiça cabeceia numa primeira tentativa à figura e não contou que a bola voltasse a ficar à sua mercê e não conseguindo ter a espontaneidade necessária para rematar a contar, perdendo uma daquelas oportunidades que numa final pode fazer a diferença.

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JP cabeceia com o guarda-redes pela frente…
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Mota defende…
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…JP não contava que a bola viesse na sua direção e não consegue atirar para o fundo da baliza…
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…Mota acaba por segurar a bola em cima da linha de golo.

Pareceu que este alerta do Seiça teve o condão de despertar o Pigeirense que começou a dar mostras de querer equilibrar as operações. Aos doze minutos dois lances de “frisson” junto da baliza de Tomé. Após cruzamento da direita do ataque rubro-negro e quando Carlos Daniel já se preparava para cabecear para a baliza, aparece Fuma a efetuar o corte. Do canto batido por Paulinho a bola cruza toda a pequena área do Seiça sem que ninguém lhe toque.

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A bola parecia levar a direção da cabeça de Carlos Daniel, mas Fuma fez o corte para canto…
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…do canto, a bola andou a passear na pequena área verde e branca, mas ninguém lhe quis tocar

Começavam a perceber-se os esquemas táticos e as intenções das duas equipas. A nível tático houve um encaixe perfeito. Quando sem posse de bola, ambos os conjuntos se dispunham em 4-2-3-1, ao passo que em ataque era o 4-3-3 o método utilizado e curiosamente até o triângulo era igual. Um homem mais recuado e dois no apoio aos três homens mais avançados. Era notória também a principal intenção dos comandados de Armando Pessoa. Atacar pela certa, para não desmontar a boa organização defensiva montada, pois até Ângelo e Évora se preocupavam mais em fechar defensivamente que arriscar no ataque. De todos os jogos que vimos do Seiça esta época (e não foram dois ou três), este foi aquele onde a equipa se mostrou mais presa ao rigor tático, em especial os dois homens mencionados, que colocam a máquina a funcionar, no alimentar do jogo ofensivo de JP, Beco, Filipe e Gonçalo. O Pigeirense, ia assentando o seu jogo no trabalho de recuperação de Miguel e Paulinho e iam alimentando Luís, Jardel e Carlos Daniel (excelente jogador), que se iam desdobrando em trocas constantes para baralhar marcações.

Até ao minuto 25 nada de grande perigo a registar, até que nesse minuto, Luís no coração da área e em boa posição (aproveitando uma das raras vezes que os centrais de Seiça deram algum espaço) remata por cima da baliza. Também esta, uma oportunidade que numa final…

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Luís, à entrada da pequena área do Seiça vai atirar por cima da baliza de Tomé

Cinco minuto volvidos e a última nota de registo do primeiro tempo. Livre favorável à equipa de Aveiro sobre a direita do seu ataque, e Paulinho bate forte e colocado para intervenção de grande nível de Tomé.

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O livre ia direto para a baliza de Seiça, mas Tomé voou para evitar o golo

Ao intervalo registo para um empate que se aceitava, pois as oportunidades não tinham sido muitas e ambas as equipas tiveram fases de superioridade relativamente ao adversário.

No etapa complementar, e decisiva da época, as equipas entram com bom ritmo, dando a entender que íamos ter uma segunda parte melhor que a primeira. Começa melhor o Seiça. No primeiro minuto, JP serpenteia por entre adversários na procura de espaço para rematar e quando o faz, Mota mostra que está presente. Aos cinco, numa subida à área contrária, Pedro Oliveira cabeceia para nova boa intervenção de Tomé e aos sete minutos, em jogada de insistência pela direita, JP ganha a linha de fundo e cruza para Filipe Gil atirar de cabeça por cima da baliza.

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JP remata de longe mas Mota diz presente
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Pedro Oliveira (no chão) já cabeceou para a baliza e Tomé afastou para canto
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JP cruzou e Filipe Gil não aproveitou. Ficou o aviso para o que se iria passar mais tarde

Daí até ao minuto 61, novo período de equilíbrio, com o futebol a ser muito disputado sobre o meio campo, em que as defensivas iam levando a melhor sobre os ataques, sem que os sistemas táticos fossem desmontados. A meio do segunda parte, pareceu-nos entrar outra variável no jogo. A condição física. Neste particular foi melhor o Seiça, que se mostrou mais fresco e mais capaz. No minuto referido, o recém entrado Rafa remata bem de pronto e fora da área, num tiro que levava selo e código postal, mas Tomé mais uma vez a mostrar serviço a a defender com grande nível.

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Rafa rematou de pronto quase do bico da grande área e Tomé respondeu com defesa vistosa e difícil

Daqui para a frente o registo ofensivo do Pigeirense terminou. Fruto da tal maior frescura física, o Seiça dava mostras de ser a equipa com sinal mais sobre o relvado e num lance de génio, JP redime-se da falhanço da primeira parte. Livre à entrada da área do Pigeirense, ainda a mais de dez metros da linha limite, e o número 7 de Seiça, num remate forte e colocado coloca a bola no “véu da noiva”, com Mota a nada conseguir fazer.

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JP puxou do seu pé esquerdo…
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…e marcou um golo onde ficou patente a sua qualidade técnica

O Pigeirense acusou o golo. Com as suas pedras mais influentes em perda, notou-se que mentalmente a equipa queria ainda ripostar, mas as pernas não conseguiam acompanhar o pensamento. Esperava-se uma resposta mais efetiva do Vice-Campeão de Aveiro, o que não se verificou, mesmo com as mexidas do seu treinador e com uma aposta mais atacante, nos últimos minutos, ao jogar com três homens na defensiva. Fabinho, Fuma, Nuno Reis e Renato (entrado para o lugar do lesionado Joel), auxiliados por Ângelo e Évora iam controlando as operações e mantendo o adversário longe da sua área.

E foi mesmo o Seiça que a dez minutos do fim podia ter resolvido a questão. Octávio ganha bem a linha de fundo do lado direito do seu ataque, após ganhar na raça a um adversário, cruza para  coração da área e Filipe Gaspar podia ter feito melhor do que cabecear para as mãos de Mota. Não foi à primeira foi à segunda. Aos 77 minutos, o Seiça ganha novamente a linha de fundo, sempre pelo lado esquerdo da defensiva do Pigeirense, com JP a ter tempo para levantar a cabeça, ver a liberdade concedida pela defesa ao seu colega e a colocar com conta, peso e medida na cabeça de Filipe Gil, para o camisa 9 de Seiça “matar o jogo”.

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JP criou a jogada pela direita, passou pelo defesa, levantou a cabeça e coloca milimetricamente…
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…na cabeça de Filipe Gil, estava feito o 2-0

Até final alguma retração, compreensível, da equipa do concelho de Ourém mas sem permitir grandes lances de perigo ao adversário e algumas substituições operadas por Armando Pessoa. Algumas para refrescar, outras para fazer o cronómetro andar. Nos cinco minutos adicionais que o árbitro concedeu ao jogo, nada houve a registar, chegando o apito final com a festa a ser feita em tons de verde e laranja.

O Pigeirense falhou o seu 5º título e a possibilidade de igualar, em número de títulos, equipas históricas (algumas já nem existem) da Inatel e o Seiça, depois de duas finais perdidas (Taça Agência de Santarém e Campeonato Distrital), na sua primeira final nacional arrebata o “caneco” mais desejado da época 2015-2016, conquistando o primeiro título oficial da sua história.

Notas finais:

Eduardo Florindo (árbitro da partida) mostrou estar ao nível do jogo. Não passou ao lado dos erros (menores), mas consideramos ter estado bem a nível técnico e a nível disciplinar. À primeira vista, atendendo à sua idade, podia pensar-se que num jogo com equipas que jogam com alguma velocidade iria ter dificuldades em acompanhar os lances. Puro engano. Muito bem fisicamente e sempre em cima dos lances. Quando assim é, até os jogadores se “cortam” nos protestos. Quando aos auxiliares, não complicaram. No capítulo do fora de jogo acabaram por acertar quase em todos, no entanto revelaram alguns problemas de colocação.

No Pigeirense destaque para Carlos Daniel, jogador acima da média e que com 32 anos tem valor para outros patamares, nos quais já militou (Arouca, Arrifanense e Milhoeirense), Luís Miguel, também ele que já militou em palcos nacionais e Paulinho que também passou por 2ªB e 3ª nacionail, com 42 anos ainda vai mexendo os cordelinhos no meio campo.

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Carlos Daniel, o avançado do Pigeirense mostrou pormenores de grande categoria
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Paulinho foi nota de destaque no meio-campo do Pigeirense

Quanto ao Seiça, fez-se valor pelo todo mas há destaques a fazer. Começamos por Tomé. O guardião de Seiça não teve uma tarde com muito trabalho, mas quando foi chamado a intervir transmitiu segurança aos seus companheiros. Segurou o 0-0 e manteve a sua equipa no jogo, porque as oportunidades que o Pigeirense dispôs foram todas com a direção da baliza, sendo Tomé a evitar que os aveirenses festejassem. Gostámos da concentração e acerto do quarteto defensivo, mas temos que realçar nesse setor Fuma e Nuno Reis, este último a mostrar muita qualidade e merecer outra atenção. Ângelo e Évora pelo que já foi referido acima. Referência particular para Ângelo que começou o jogo a ter e a querer “acorrer a muitos fogos”, no meio e nas faixas laterais, tendo a meio do primeiro tempo dado a sensação começava a pagar essa fatura a nível físico. Percebeu que era mais influente não indo a todas, encurtou os movimentos e reduziu o seu raio de ação, voltando a ganhar pulmão. Por fim JP. O número 7 de Seiça era à partida tido como um elemento que podia fazer a diferença nesta final. E fez. Começou mal, a falhar um golo quase feito, mas soube dar a volta por cima. Marcou, deu a marcar e empurrou a equipa para a frente, sendo em nossa opinião o homem do jogo.

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JP marcou e deu a marcar. O homem do jogo
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Nuno Reis (de frente) e Fuma (de costas) foram o esteio da defesa de Seiça
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Évora e Ângelo foram pendulares no meio-campo verde e branco

Ficha do Jogo

Parque de Jogos 1º de Maio

Árbitros: Eduardo Florindo, Eduardo Grilo e Leonel Simões (Inatel de Setúbal)

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Fuma (capitão de Seiça), Leonel Simões, Eduardo Florindo, Eduardo Grilo e Carlos Daniel (capitão do Pigeirense)

CCD Pigeirense

Mota, Avelar, Ima, Pedro Oliveira, Manteigas (Jorge), Miguel, Luís, Carlos Daniel, Telmo (Henriques), Jardel (Rafa) e Paulinho

Suplentes: Pedro, Cardoso, Filipe, Jorge, Rafa, Nandinho e Henrique

Treinador: Vitor Hugo

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CCD Pigeirense

GDC Seiça

Tomé, Fabinho, Fuma, Nuno Reis (China), Joel (Renato), Évora, Ângelo, JP (Talhão), Beco (Sário), Gonçalo (Octávio) e Filipe Gil

Suplentes: Teddy, Talhão, Renato, China, Octávio e Sário

Treinador: Armando Pessoa

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GDC Seiça

Marcadores: JP (64′) e Filipe Gil (77′)

Cartões Amarelos: Miguel (63′) ; Fuma (51′) e Nuno Reis (74′)

amanhã publicaremos as entrevistas a André Santos (Diretor Desportivo GDC Seiça), Armando Pessoa (Treinador GDC Seiça) e Fuma (Capitão GDC Seiça)

 

 

 

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Troféus em disputa. À esquerda o mais desejado, o de Campeão Nacional, e à direita o que ninguém queria, o de Vice-Campeão.

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