Quinta-feira, Março 4, 2021
- Publicidade -

Futebol (Inatel): Final de partida épico leva Seiça à Final da Inatel

8 de maio de 2016, 16 horas, Seiça

- Publicidade -

Campeonato Distrital de Futebol da Inatel de Santarém – Série 1 – Meias-Finais

Grupo Desportivo e Cultural de Seiça 3 – Grupo Desportivo Carapuçanense 1

- Publicidade -

Numa tarde de chuva e algum vento (por vezes forte), num pelado de reduzidas dimensões, molhado mas sem “empapar”, revelando boa capacidade de drenagem de água, encontravam-se duas equipas que chegaram a esta fase provenientes de jogos vitoriosos, mas de formas diferentes. O Seiça tinha vencido por 2-1 o Almoster, enquanto o Carapuçanense só nos penaltis se desenvencilhou do Vale da Pinta.

Na fase de aquecimento também dá para prevermos o tipo de equipas que vamos encontrar em jogo, e neste particular poderemos dizer que o aquecimento não enganou. Três equipas a saber esta e a prepararem-se a preceito para difícil tarefa.

O inicio do jogo não foi fácil para qualquer das equipas e foi complicado em especial para o trio de arbitragem, que nos primeiros oito minutos teve dois lances com grau elevado de dificuldade para decidir. Aos cinco minutos, fruto de um lance em que André Vieira parecia ter a bola controlada, mas que a acaba por largar, originando uma confusão pela posse da bola com Josué, aparecendo o avançado coruchense no chão. Pedidos de grande penalidade que não foram acedidos por Paulo Neves. Passados três minutos foram os homens da casa a reclamarem golo. A bola anda pelo ar a circundar a baliza verde, é tocada (quase em cima da linha) por Gonçalo, sendo afastada por Palnate. Pediu-se golo dentro e fora das quatro linhas mas Paulo Neves não concedeu, também por não ter tido confirmação de António Nunes que, diga-se, estava no enfiamento do lance. Do local onde estamos (no enfiamento da linha de meio campo) é muito difícil tirarmos qualquer conclusão, dando por inteiro o benefício da dúvida ao árbitro.

_MG_3826
André Vieira facilita e depois envolve-se na luta pela bola com Josué, tendo o avançado caído neste lance e pedido grande penalidade

Entrámos então numa fase de jogo mais calma, embora a toada continuasse a ser de equilíbrio. Os contacto físicos entre jogadores mantiveram-se (as dimensões do campo propiciam isso mesmo), mas sem passar os limites da lei. As ocasiões de golo começam a surgir e aos minuto 12, na área forasteira, Ângelo ganha na luta de corpo ao central opositor, consegue algum espaço mas perde tempo a preparar o remate. No minuto seguinte surge o golo da turma de Carapuções. Jogada de ataque bem construída pelo meio campo e ataque verde, juntando alguma passividade da defensiva laranja e junto ao semi-circulo da área, Fábio Mira remata cruzado sem hipótese para André Vieira.

Estava feito o primeiro do jogo, sem que houvesse supremacia de uma equipa sobre a outra. Este golo teve o condão de enervar a equipa da casa e acalmar a equipa visitante. Assistiram-se a algumas discussões entre jogadores, a alguma sofreguidão em querer fazer tudo muito depressa e também em querer avançar muito no terreno sem critério. Valeu o discernimento de Nuno Reis e Ângelo no campo e do treinador, fora dele, para acalmar as hostes e fazer ver colegas e pupilos que ainda faltavam mais de 65 minutos e não apenas 10. Por sua vez, a equipa do Carapuçanense ao estar em vantagem, baixou mais as linhas, compactou os blocos no seu meio campo e começou a explorar o contra-ataque, procurando Fábio Mira, Josué e Rui Martins.

Paulatinamente a equipa do Seiça vai assentando o seu jogo, a ter mais bola, a jogar mais no meio campo adversário e a produzir jogadas bem delineadas, com boas tabelas e triangulações, sempre que possível com a bola de pé para pé pelo chão. Começavam a sobressair Ângelo e Évora na construção do jogo de Seiça.

Ao minuto 17 novo pedido de grande penalidade dos homens do Carapuções. Cruzamento da linha de fundo para a entrada da pequena área onde estão Rui Martins e Évora, com o avançado a cair e a reclamar ter sido tocado nas costas pelo adversário. Toque nas costas ou aproveitamento do atacante para cair? Ficou a dúvida e Paulo Neves mandou jogar.

_MG_3881
Lance entre Évora e Rui Martins que os coruchenses pediram grande penalidade

O domínio era territorial, mas não era asfixiante. O esférico chegava as imediações da área contrária mas a defensiva de Carapuções e Palnate iam tendo a situação, aparentemente, controlada, conseguindo inclusivamente a equipa de Sérgio Vicente responder em alguns contra-ataques. Certo é que o tempo passava e oportunidades claras de golo não apareciam, o que ia enervando a equipa da casa. Pensámos que por serem conhecedores dos segredos do que é jogar num campo estreito, iriam tirar grande partido dos cantos e lançamentos laterais, mas curiosamente, nem isso ia saindo bem. O melhor que conseguiram foi construído aos 25 e 30 minutos. A primeira é uma jogada delineada pela esquerda pelo rapidíssimo Beco, que coloca na entrada da área em Gonçalo, tendo este atirado a bola para as nuvens e a segunda é o mesmo Gonçalo que não contando com a oferta da defensiva visitante, em plena grande área, reage tarde e envia por cima da trave.

_MG_3906
Gonçalo, na zona central, recebe de Beco e atira para as nuvens

_MG_3939
A defesa do Carapuçanense ofereceu a Gonçalo, mas o atacante de Seiça não contava e atirou por cima

Ao intervalo registo para um 0-1 que premiava a eficácia da equipa do Carapuçanense.

A segunda parte trouxe-nos um Seiça mais subido no terreno, mais pressionante e ofensivo, empurrados por Nuno Reis, Évora, Ângelo e Joel, enquanto que os homens do concelho de Coruche continuavam a dar boa réplica, apostando na contensão e contra-ataque.

Ilustrativo do que dizemos, é o facto de até ao minuto 62 a toada ter sido o Seiça a jogar e rondar a área contrária, e o Carapuçanense a criar situações de golo, em aproveitamento do espaço que o Seiça ia dando pelo balanceamento ofensivo. Por três vezes, que os homens de Carapuções podiam ter sentenciado o jogo, não o fazendo por desacerto na finalização e porque André Vieira se exibiu em grande nível.

Ao minuto 50, Renato (quanto a nós exibição menos conseguida do jovem lateral) falha uma interceção fácil, deixa-se antecipar por Rui Martins, e o avançado do Carapuçanense à entrada da área remata muito ao lado da baliza da casa. Dois minutos volvidos, novamente em conta-ataque e com nova desatenção da defesa de Seiça, agora Joel, o mesmo Rui Martins frente a André Vieira permite a defesa deste.

_MG_4019
Rui Martins vai atirar cruzado mas muito ao lado do alvo

_MG_4032
André Vieira impede o remate de Rui Martins de chegar à baliza

O Seiça ia tentando tudo, bola corrida pelo centro ou pelos flancos, bola bombeada, “chuveirinho” ou bolas paradas, mas nada. Ou eram os avançados que não davam bom seguimento às jogadas construídas ou eram os defesas e Palnate que iam pondo cobro à situação. O que ia criando alguma apreensão e desespero nas hostes da casa, e agora começavam a ter alguma razão, pois metade da segunda parte já tinha passado.

Ao minuto 62, novo desdobramento ofensivo da equipa de Carapuções (notou-se trabalho de casa e bem feito neste aspeto), Fábio Mira recebe na meia direita, contemporiza e lança Rui Martins e este vê André Vieira a realizar nova boa intervenção. Se foi falha do avançado ou boa intervenção do guarda-redes, depende de quem analisa, o que é certo é que este foi o último lance de perigo e ataque digno desse nome da equipa do concelho de Coruche.

_MG_4075
Rui Martins novamente só com André Vieira pela frente não faz golo

Daqui para a frente só deu Seiça. Os homens da casa pareceram respirar fundo, encher o peito de ar e dizer “não vai a bem vai a mal”, lançando-se numa “cavalgada” desenfreada sobre a área contrária. Contributo decisivo para isto veio também do banco, pois nesta altura, Armando Pessoa começava a “pôr toda a carne no assador”. Do outro lado também se jogava do banco, embora Sérgio Vicente não tenha tido sorte nas substituições. Lançou Diogo para dar mais capacidade de choque no meio-campo, mas este teve pouco tempo em campo, saindo lesionado e até Fábio Mira teve que sair tocado.

Minuto 65, Ângelo em posição frontal, embora acossado por um adversário, não consegue rematar com a direção desejada. Até que no minuto seguinte (66′) surge o momento do jogo e o que fez virar a partida por completo. Aproveitando uma bola de ressaca, Joel de fora da área, com um remate forte em arco perfeito, faz a bola entrar ao ângulo superior esquerdo da baliza de Palnate. Para além de ser o golo do empate, foi um golo de levantar qualquer estádio e que galvanizou de vez a equipa da casa.

_MG_4092
A bola sai perfeita da pé de Joel…

_MG_4094
…e só pára no fundo da baliza de Palnate

Ao minuto 68 coube a China (entrado há pouco), na cara de Palnate, desperdiçar a reviravolta no marcador, com boa mancha do guardião. Minuto 73, foi o recém entrado Sário, a fazer brilhar Palnate.

_MG_4111
China em boa posição vê Palnate negar-lhe o golo

_MG_4121
Sário não festejou porque não conseguiu bater Palnate. Nova boa intervenção do guardião de Carapuções

Até que a um minuto do final (79 de jogo) surge o final épico. Canto da esquerda e Nuno Reis ao segundo poste a confirmar a cambalhota no marcador.

_MG_4167
A um minuto dos 80, Nuno Reis ao segundo poste, no meio da confusão, cabeceia para a “cambalhota” no marcador e para a loucura em Seiça

Já no terceiro minuto dos descontos, como corolário de uma excelente exibição, Ângelo recebe no coração da área, enquadra-se com a baliza e desfere potente remate sem hipótese para Palnate. Feito o 3-1 era a confirmação do apuramento de Seiça para a ambicionada final.

_MG_4181
Ângelo à “Ponta de Lança” selou a vitória da equipa do concelho de Ourém

Em suma, jogo bem disputado, emotivo e equilibrado na primeira parte, sendo que na segunda, pelo que se passou dentro das quatro linhas, o Seiça justificou a vitória e a passagem à Final, no entanto não se livrou de uns quantos sustos na segunda parte quando foi apanhado em contra-pé. O Carapuçanense mesmo tendo jogado menos que o adversário, só se pode queixar de si mesmo, pois dispôs de oportunidades mais que suficientes, ainda quando estava a vencer, para matar o jogo.

Destaque para as exibições de André Vieira e Nuno Reis, Joel (pela entrega ao jogo e pelo golo marcado), Ângelo e Évora por serem os dinamizadores e criadores do jogo do Seiça. No Carapuçanense destacamos Dário (voz de comando dentro do campo), Fábio Mira (rápido e criativo), Pedro Simplicio e Luís Falé muito trabalhadores.

Nota especial para Palnate, guardião da equipa do concelho de Coruche, exemplo e prova de vida. Por ter tido a infelicidade de nascer com dismetria dos membros inferiores, não se afastou do desporto que gosta, provando que tudo é possível com crença e querer. Calmo e seguro, dentro e fora dos postes, com um sentido de colocação invejável. Só não defendeu o que não lhe foi possível defender. Palavra especial e de louvor ao Carapuçanense, pois numa altura em que se fala muito de inclusão e igualdade, mostra, dando o exemplo, que os atos correspondem às palavras. Pelo que soubemos, esta situação não é recente, Palnate já é guarda-redes do Carapuções há algum tempo, mas nunca é tarde e demais enaltecer uma situação destas.

11
Palnate, um exemplo a seguir.

Relativamente ao trio de arbitragem, achámos que fez um trabalho positivo. Fisicamente bem, procurando estar sempre em cima dos lances. Disciplinarmente conduziu o jogo à sua maneira. Penalizou as entradas mais duras devidamente e não foi alvo de grandes protestos (o normal num jogo de futebol), pelo que não precisou de admoestar mais os jogadores. Também diga-se, que ambas as equipas se preocuparam mais em resolver os seus problemas (Seiça em marcar – Carapuçanense em segurar a vantagem) que em dialogar com o árbitro. Quanto ao aspecto técnico, tirando os lances acima descritos nos quais damos o beneficio da dúvida, consideramos que não foi por sua influência que o Seiça segue para a Final e o Carapuçanense fica pelo caminho. Realce para os dois assistentes que num campo estreito e curto (propicio a lances complicados de análise) estiveram muito bem na sua função e na ajuda ao seu chefe de equipa.

Ficha do jogo

Campo de Jogos Dr. Guilherme Barros e Cunha

Árbitros: Paulo Neves, António Nunes e Sérgio Morujo

_MG_3801
Sérgio Morujo, Paulo Neves e António Nunes

GDC Seiça

André Vieira, Renato (Frazão), Fuma, Nuno Reis (Filipe Ferreira), Joel, Beco (China), Évora, Ângelo, JP (Sário), Gonçalo (Otávio) e Filipe

Suplentes: Teddy, Filipe Ferreira, Fabinho, Sário, China, Frazão e Otávio

Treinador: Armando Pessoa

_MG_3811
GDC Seiça

GD Carapuçanense

Palnate, Jorge Vale, Dário, Bruno Ferreira, Mário (Pedro Gomes), Pedro Simplicio, Luís Falé, Fábio Mira (André Lourenço), Josué (Diogo – Luís Santos), Vitor Sanches e Rui Martins

Suplentes: Daniel, Dario Teles, Diogo, Luís Santos, Pedro Gomes e André Lourenço

Treinador: Sérgio Vicente

_MG_3817
GD Carapuçanense

Marcadores: Joel (68′), Nuno Reis (79′) e Ângelo (80’+3) ; Fábio Mira (13′)

Cartões amarelos: Évora (32′) e Nuno Reis (79′) ; Fábio Mira (16′) e Diogo (60′)

Tem 41 anos e uma profissão que tudo tem que ver com jornalismo e informação... Engenheiro Eletrotécnico. O gosto pela informação desportiva ganhou-o ainda criança com o pai e a mãe na rádio. A informação escrita é uma nova aventura. Acredita que o desporto é fator de promoção e desenvolvimento regional e de aproximação "das gentes", pelo que noticiá-lo é um imperativo. Praticou várias modalidades, foi treinador e árbitro de basquetebol. É casado e tem uma filha que o obriga a correr. Colabora na Antena Desportiva da rádio Antena Livre, sendo a rádio uma das suas maiores paixões.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
O seu nome

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).