Futebol (Inatel): Amoreira vence Santa Justa e está na Final da Inatel

Festa de um lado, contestação do outro

7 de maio de 2016, 16 horas, Couço

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Campeonato Distrital de Futebol da Inatel de Santarém – Meias-Finais

União Desportiva do Sorraia – Santa Justa 1 – Centro Cultura e Desporto de Amoreira 1

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(5-6 no desempate pela marcação de grandes penalidades)

Numa tarde de chuva e vento, União Desportiva do Sorraia e Centro Cultura e Desporto de Amoreira discutiam o acesso ao jogo decisivo que decidirá o vencedor do Troféu Prof. Albino Maria, Troféu da Série 1, cujo vencedor será o novo Campeão Distrital de Futebol de Santarém da Inatel.

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Fora do campo duas claques ruidosas e calorosas para as suas cores, pelo nosso “olhómetro” pareceram-nos empatadas em número de efetivos, embora nos tenha ficado a sensação que o mau tempo tenha afastado um número significativo de adeptos, quer de um lado quer de outro. Consideramos também que um jogo das Meias-Finais, entre duas equipas que sabem o que fazer com a bola, merecia mais “calor” humano em seu redor.

O jogo começa com as equipas a apresentarem o seus seus onzes mais fortes, cada uma com uma alteração. Nuno, capitão dos coruchenses, fruto da expulsão na última partida foi substituído, tanto na função como na zona do terreno, por Carvalho, enquanto na Amoreira foi Bá que ocupou o lugar de Marinheiro na lateral esquerda. Os esquemas tácticos também foram algo semelhantes, na sua génese estava o 4-4-3, embora no meio houvesse umas pequenas diferenças. Do lado da casa mais técnica, do lado forasteiro mais músculo e mais trabalho na procura da bola.

Os primeiros 15 minutos pertenceram quase por por inteiro à equipa da casa. A Amoreira entrou a adaptar-se ao relvado sintético e a tentar perceber com o adversário jogava e isso criou alguma instabilidade. Para agravar a situação logo aos sete minutos de jogo, Heldermar num remate forte a meio altura de fora de área, coloca a UDS em vantagem. Já na semana passada tínhamos escrito que com espaço, os homens de Santa Justa não perdem tempo e rematam forte à baliza, a equipa de Amoreira deu espaço e pagou caro. Também nos pareceu que Tiago podia fazer um pouco melhor, julgamos estar à espera que a bola tomasse outra direção e quando tentou corrigir a posição do seu corpo já era tarde, tendo a bola passado por baixo dos seus braços.

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Ninguém da Amoreira pressionou Heldermar e este remata forte…
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…levando a bola ao fundo da baliza de Amoreira.

Os comandados de Tó Santos sentiram o golo, e tiveram uma fase em andaram à procura de compreender as marcações que eram preciso ser feitas e assistiu-se a algumas discussões dentro do campo e até com o banco, pois o encaixe no adversário não acontecia.

Carvalho e Heldermar iam continuando a distribuir jogo para Danilson e Saulo, tendo este último aos 18 minutos perdido a oportunidade de dilatar a vantagem, num cabeceamento dentro da área.

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A bola não saiu com a direção pretendida por Saulo

A passagem pela metade da primeira parte, 20 minutos, ditou o equilibrar das operações dentro das 4 linhas. Tó Santos muda taticamente a sua equipa. Mauro que jogava no meio-centro, desce para a lateral direita, indo Marco Cadete ocupar o lado esquerdo do meio-campo da Amoreira, passando a haver nessa zona alguém com leitura tática apurada e que fizesse de tampão às jogadas que o adversário ia criando a partir daquela zona. Ainda se assistiu a outro remate de longe (da mesma zona de onde tinha feito golo) de Heldermar, mas o Livre de Cláudio aos 22 minutos que Cartolo sacudiu com dificuldade foi o acordar da equipa de Amoreira.

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Mais espaço dado a Heldermar e novo remate do 15 da UDS com perigo
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Cláudio pôs à prova Cartolo…

Até ao apito para descanso, uma oportunidade de realce para cada lado. Aos 28 minutos, Danilson arranca da meia esquerda do seu ataque, fletindo para a zona central vai passando adversários em velocidade, e à entrada da área desfere remate para golo que Tiago parou com grande categoria. Dois minutos volvidos, a Amoreira cria perigo novamente de bola parada. Livre batido por Pinga e Cartolo (guarda-redes inseguro que a Amoreira não aproveitou para rematando mais) a defender à terceira.

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Danilson bate três adversários em velocidade…
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…só não fez o 2-0 porque Tiago brilhou a grande altura
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Pinga de livre direto fez evidenciar alguma insegurança de Cartolo

Ao intervalo registava-se uma vitória da UDS por 1-0, que se aceitava pelo que as duas equipas nesses 40 minutos.

No regresso das cabines nova mexida tática na equipa de Amoreira. Cadete troca de lado. Deixa a esquerda e passa para a direita.

Logo ao primeiro minuto, surge o empate. Cláudio pressiona o último reduto da casa, Emanuel demora a tirar o esférico da zona de perigo, permitindo a Cláudio o roubo de bola e o golo. Com uma parte inteira para jogar adivinhavam-se 39 minutos (mais compensação) de nervos e emoção. Foi o que aconteceu. Nervos porque cada vez que a bola chegava a uma das áreas as claques vibravam e “roíam unhas”, emoção porque o jogo ficou mais aberto e podemos apreciar momentos de bom futebol, ao nível dos intérpretes em do campo.

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Cláudio ganha a Emanuel…
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…e dispara para o empate

Ao golo sofrido corresponderam os homens da casa com duas boas ocasiões na área de Amoreira, numa altura em que os forasteiros pareciam ter as operações controladas. O jogo direto da casa (por vezes a despejar mesmo bolas na frente), na procura da velocidade de Saulo e Danilson ia dando algum resultado, aproveitando o maior balaceamento ofensivo dos forasteiros. De um canto da direita a que Tiago não corresponde com saída bem medida, surge lance de frisson, mas Anilton não cabeceia com a direção certa e pouco tempo depois, Mauro demora a tirar a bola da área, permitindo a Fredson rematar com perigo para fora. Marcava o relógio 55 minutos de jogo.

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Anilton de frente para a baliza cabeceia por cima
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Fredson não aproveitou desatenção de Mauro, rematando por cima

Durante dez minutos a Amoreira esteve instalada no meio campo adversário, mas as fileiras cerradas dos homens de Santa Justa ia deixando o perigo longe da baliza. Carvalho e Heldermar não iam tendo bola e isso refletia-se no jogo da casa. Nesta altura já Marlon impunha a sua velocidade no ataque de Amoreira e Dinga ocupava o lugar de um esgotado Batex, mas era Marco Cadete que começava a deixar definitivamente a sua marca na partida.

Entre os 65 e os 69 minutos podia a partida ter sido resolvida. Primeiro foram os homens da casa criar perigo. A bola finalmente chegou aos pés de quem a tratava bem. Heldermar desmarca com classe Danilson na direita, este galga metros e cruza a preceito para David, em zona privilegiada atirar para fora. Um minuto decorrido e Carvalho coloca em Saulo, este passa em dribles consecutivos três adversários, ganha a linha de fundo e como mandam os livros, cruza atrasado, oferecendo o golo a Danilson, que atira por cima. Na resposta Marlon isola Cláudio, e este à saída de Cartolo remata para a baliza mas em cima da linha Anilton afasta a bola.

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David desperdiçou excelente trabalho de Heldermar e Danilson…
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Saulo serviu com “açucar” Danilson e este atirou para as nuvens…
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Ja se comemorava o segundo de Amoreira, mas Anilton tirou em cima da linha

Com esta “montanha russa” de emoções, as equipas perceberam que se estavam a expor muito e que o tempo não abundava para eventuais recuperações no marcador. O ritmo baixou, o risco diminuiu e o apito final chegou com um empate, levando as equipas para o desempate nas grandes penalidades.

Aí voltou a ser mais forte a Amoreira (se não nos enganamos nas contas, é o terceiro jogo ganho desta forma pela equipa de Amoreira esta época), que das sete penalidades batidas falhou apenas uma, tendo a equipa da casa desperdiçado duas. Voltou a estar em destaque Tiago, que defendeu a última grande penalidade de Fredson, deixando para Samuel a tarefa de passar a Amoreira à final.

Destaques para Carvalho e Heldermar do lado da equipa da casa, enquanto “tiveram bola” e pernas fizeram jogar a sua equipa e para os perigosos Saulo e Danilson, dois jogadores com andamento para outros palcos. Do lado de Amoreira, destacamos Tiago (tirando o que escrevemos do golo, esteve bem), Fábio Duque, Marquito e o que foi para nós o melhor em campo, Marco Cadete. O 16 de Amoreira foi um vagabundo em campo. Jogou na direita de defesa, jogou na direita e na esquerda do meio campo e terminou a jogar na zona central do terreno, pautando, contemporizando e distribuindo o jogo da sua equipa.

Por fim, dizer que o trio de arbitragem não teve uma tarde fácil, tal como era esperado. Achámos que João António entrou algo nervoso no jogo. No aspecto técnico usou um critério muito apertado, o que o levou a apitar muito, de forma muito estridente e exuberante demais. Não quis sancionar com amarelo as primeiras entradas mais ríspidas, logo nos primeiros minutos, o que o fez ser “abordado” pelos jogadores. Nesse particular não gostámos da sua postura, pois um árbitro não tem que gritar (alto e bom som) com os jogadores. No aspecto disciplinar esteve ao nível do que tem sido muitos jogos da Inatel e não vamos repetir o que escrevemos a semana passada. O amarelo foi mostrado por 4 vezes, sendo que duas delas foram por palavras, num jogo com algumas entradas merecedoras dessa admoestação.

No desempate pelo marcação de grandes penalidades também houve muita contestação. Quando Pinga é chamado a bater, fá-lo de forma a que a bola foi embater na barra da baliza de Cartolo, mas o auxiliar Paulo Moreira, dá indicação para a repetição da grande penalidade, alegadamente por Cartolo se ter adiantado em relação à linha de golo. Na repetição Pinga marca e isso foi o suficiente para incendiar uns ânimos, já pouco calmos. Na penalidade seguinte, batida por Santa Justa, o auxiliar volta a dar a mesma indicação mas como a bola entrou não houve lugar a repetição.

Sequência da grande penalidade mandada repetir pela equipa de arbitragem:

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Sequência da grande penalidade que seria repetida caso a bola não entrasse na baliza:

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Ficha do jogo

Campo da Barroca

Árbitros: João António, Paulo Moreira e Manuel Simão

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Paulo Moreira, João António e Manuel Simão, com os capitães de equipa (Hugo Grácio e Carvalho)

UDS – Santa Justa

Cartolo, Anilton, Emanuel, Edir, Fredson, Claudielson (Davilson), Carvalho, Heldermar, Adriano (David), Danilson e Saulo

Suplentes: Nelson, David, João Silva, André Pinto, Rui Gonçalves, Sérgio Carvalho e Davilson

Treinador: Jorge Caçador

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UD Sorraia – Santa Justa

CCD Amoreira

Tiago, Marco Cadete, Pinga, Fábio Duque, Bá, Batex, Mauro, Marquito, Cláudio, Fred e Hugo Grácio

Suplentes: Luís Eufrásio, Marlon, Dinga, Rui, Nuno Forte, Gil e Samuel

Treinador: Tó Santos

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CCD Amoreira

Marcadores: Heldermar (7′) ;  Cláudio (41′)

Cartão amarelo: Heldermar (31′) e Danilson (69′) ; Pinga (10′) e Hugo Grácio (40’+2)

Marcação das grandes penalidades:

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Danilson bate sem hipótese para Tiago
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Cartolo fez brilhante defesa no penalti cobrado por Marlon
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Carvalho mostrou classe a bater a grande penalidade
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Fábio Duque deixou Cartolo “pregado”
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David bateu forte mas ao lado
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Pinga, à segunda, bateu Cartolo
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Saulo bateu forte e sem hipótese de defesa
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Gil bateu por alto, sem defesa para Cartolo
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Edir mandou a bola para um lado e Tiago para o outro
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Bá bateu rasteiro e certeiro
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Davilson bateu com categoria
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Dinga deixou Cartolo sem reação
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Tiago defende penalidade de Fredson
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Com muita gente nas imediações da zona decisiva, Samuel bateu a grande penalidade decisiva

Uma curiosidade. Não sabemos se era para desconcentrar os adversários mas Cartolo, quando era a sua vez de ir para entre os postes, rapidamente se colocava em posição, mesmo quando os batedores ainda estavam no circulo central.

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Cartolo colocava-se em posição de defesa muito antes do marcador chegar ao local

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