Futebol | Festa da Taça deu derby na Sertã só resolvido nas grandes penalidades (C/fotos e áudio)

GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE 0 – SERTANENSE FUTEBOL CLUBE 0
(4-5 após grandes penalidades)
Taça de Portugal – 3ª eliminatória
Estádio Municipal Nuno Álvares Pereira – Cernache de Bonjardim
20-10-2019

Destinou o sortilégio da Taça que à 3ª eliminatória da Taça de Portugal os dois clubes do concelho da Sertã que disputam a série C do Campeonato de Portugal, Vitória de Sernache e Sertanense, se encontrassem em Cernache do Bonjardim num clássico cheio de história e rivalidade.

Estádio Municipal Nuno Álvares Pereira.

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O bonito Estádio Nuno Álvares Pereira encheu-se de adeptos dos dois clubes que, apoiando os seus emblemas de forma incondicional de princípio a fim, pautaram o comportamento pelo respeito e “fair play”. Antes do encontro foi guardado um minuto de silêncio em memória de Rui Jordão, falecido esta semana.

Minuto de silêncio pela memória de Rui Jordão.

Ambos os clubes, a contas com lesões, tiveram de apresentar alternativas nos respetivos desenhos. O Sertanense apresentou o novo técnico, José Bizarro, campeão do Mundo em Riade, faz agora trinta anos e que regressou à Sertã oito anos depois de ali ter treinado.

O Sernache, é esta a grafia correta do nome do clube, alimentava legítimas pretensões à continuidade na Taça de Portugal pelo que o derby local reunia todas as condições para ser uma festa.

Festa da Taça em Cernache do Bonjardim.

O jogo começou com as equipas a encaixarem rapidamente. Cedo se percebeu que a iniciativa do jogo iria pertencer aos visitantes deixando o Sernachena expectativa de lançar rápidos contra ataques principalmente através do veloz Pedro Duarte.

Logo aos dois minutos o Sertanense ganhou um canto e Doukouré rematou por cima da baliza do guarda redes Edoa. Edoa voltou a estar em destaque, dois minutos volvidos, na marcação de um livre, quando parou a cabeçada de Ariano.

Guarda redes Edoa em destaque no Vitória de Sernache.

Na resposta um rápido contra ataque do Sernache, conduzido por Pedro Duarte, terminou com o esférico a passar muito perto do poste da baliza à guarda de Leo. O Sertanense ia tendo mais bola, fazia-a rodar pelas unidades mais recuadas tendo muitas dificuldades em penetrar na bem escalonada defensiva do Sernache.

Aos onze minutos, um cruzamento bem medido, do lado esquerdo do ataque sertaginense, encontrou Sevivas em boa posição para cabecear. Opôs-se Edoa com uma defesa valorosa.

Sertanense atacou mais mas sem sucesso.

A equipa comandada por Bizarro tentava jogar a toda a largura do campo, tentando ganhar a linha de fundo, cruzando para as referências do eixo do ataque onde Sevivas e Outtara, além do maliano Doukouré, apareciam com frequência.

À passagem do minuto 13 foi a oportunidade para Doukouré cabecear com a bola a passar ao lado da baliza de Edoa. Aos 19 minutos Outtara ganhou uma bola no meio campo, ganhou terreno, entrou na área de onde disparou forte para uma enorme defesa de Edoa para canto.

Forte remate de Outtara.

Em cima da meia hora Sevivas testou, da meia distância, a atenção de Edoa que voltou a ceder canto. Aos 32 minutos um remate à entrada da área da equipa da casa foi travado com a mão por Landry.

O árbitro do encontro, o escalabitano Rui Soares não teve dúvidas, apontou a marca de grande penalidade e exibiu o cartão amarelo ao prevaricador. Da marca dos onze metros Sevivas atirou por cima gorando-se uma oportunidade única para inaugurar o marcador.

Sevivas desperdiçou grande penalidade.

Neste lance o Sertanense podia ter materializado o seu domínio. A pouca eficácia dos seus atacantes e uma boa exibição do bloco defensivo da equipa de António Joaquim, com destaque para Edoa, iam mantendo o marcador inalterado.
Aos 35 minutos Sevivas volta a permitir, já no coração da área, outra grande defesa de Edoa. Grande tarde do guarda redes camaronês do Sernache.

Edoa em grande plano.

Aos 40 minutos Outtara ganhou a linha de fundo e serviu Milhazes que rematou ao lado.
Com o intervalo a chegar as equipas pouco mais produziram digno de registo. O nulo premiava o acerto defensivo da equipa da casa e penalizava o pouco acerto ofensivo dos sertaginenses. Expectativa alta para a segunda parte.

Jogo muito disputado sobre o meio campo.

Ambas as equipas sabiam que tinham de marcar no segundo tempo para evitar o esforço suplementar de jogar um prolongamento de 30 minutos. Pouco depois do intervalo, António Joaquim, timoneiro do Sernache, lançou Pelé no jogo tentando dar maior dinâmica ofensiva à sua equipa.

Logo aos 50 minutos, na sequência de um livre muito perigoso, Leandro rematou forte contra a barreira ganhando um pontapé de canto. Na conversão, o mesmo Leandro cabeceou ganhando novo canto. Estava mais atacante a equipa da casa.

Contra ataques venenosos do Sernache podiam ter dado golo.

Aos 54 minutos Bruno Torres foi à linha cruzar para mais uma intervenção de Edoa.
No minuto seguinte Outtara, em posição frontal à entrada da área, ensaiou um forte remate que Edoa desviou para canto. Com uma hora de jogo e com as hipóteses de golo a escassearem foi a vez de Leandro, num canto, cabecear por cima da baliza de Leo.

Com o jogo a ser rijamente disputado sobre o meio campo as chances de uma ou outra equipa abrirem o marcador foram poucas.

Defesas foram superiores aos ataques.

Aos 77 minutos Bruno Torres rematou para defesa de Edoa que lançou rápido contra golpe, com Pedro Duarte a obrigar à cedência de um canto. Na conversão apareceu Rodrigo Dias, adiantado no terreno, a cabecear sem perigo, por cima.

Com tão pouca produção atacante de ambos os conjuntos começava-se a adivinhar a necessidade de prolongamento. Tempo ainda para um canto, aos 88 minutos, para o Sertanense, que não encontrou ninguém na zona de tiro.

Brash azarado entrou na segunda parte e saiu de maca.

O inevitável prolongamento chegou com os níveis físicos e anímicos das equipas em níveis muito baixos. Não se previa grandes espetáculo mas uma luta renhida pelo golito que daria, certamente, a passagem à próxima eliminatória.
Em 30 minutos de pouco futebol registou-se um livre para o Sertanense que Edoa resolveu.
O resto foi um deserto de ideias e o suspirar pelas grandes penalidades.

Nas penalidades o Sertanense foi mais feliz e venceu.

Aí o Sertanense foi mais feliz e ao converter cinco contra quatro de Sernache ganhou o direito a ir ao sorteio da 4ª eliminatória. Como vem sendo tradição o Sertanense espera encontrar um “grande” do nosso futebol numa altura em já poucos estão dentro do pote!

Jogo competitivo com as defesas a sobreporem-se aos ataques, com as ocasiões construídas pelo Sertanense a esbarrarem num enorme Edoa em tarde de grande acerto.
Boa arbitragem do trio da Associação de Futebol de Santarém.

Festa sertaginense no final da partida.

FICHA DO JOGO:

GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE:
Edoa, Bata (Sandro), Rodrigo, Vaz, Pinto, Leandro, Shoya (Pelé), Pedro Duarte, Pedro Henriques, Landry e Cláudio (Cunha).
Suplentes não utilizados: Bruno Monteiro, Darson, Williams e Simão.
Treinador: António Joaquim.

Grupo Desportivo Vitória de Sernache.

SERTANENSE FUTEBOL CLUBE:
Leo, Marques, Bruno Torres, Sevivas, Doukouré, Ariano, Tito, Outtara (Marquinhos), Saná Gomes, Salinas (Brash,depois Gustavo) e Milhazes.
Suplentes não utilizados: Pedro Simões, Duarte, Ascensão e João Luz.
Treinador: José Bizarro.

Sertanense Futebol Clube.

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Rui Soares, Filipe Lascas e Pedro Gorjão (AFSantarém).

Equipa de Arbitragem: Rui Soares, Filipe Lascas e Pedro Gorjão (AFSantarém) com os capitães.

No final fomos escutar os treinadores de ambas as equipas:

António Joaquim-Treinador do Vitória Sernache. Foto: mediotejo.net

 

José Bizarro-Treinador do Sertanense.

*Com David Belém Pereira (fotos e áudio)

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Jorge Santiago
Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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