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Quarta-feira, Outubro 20, 2021

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Futebol/Ferreira do Zêzere | Eduardo Fortes, disciplina “para mim é sempre uma bandeira” (c/vídeo)

Em período de preparação para o arranque da época do Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Santarém, o mediotejo.net foi conhecer Eduardo Fortes, a iniciar a segunda época à frente do Sport Club Ferreira do Zêzere. Filho de “Totói”, antigo jogador conhecido como o “Eusébio de Tomar”, Eduardo Fortes tem o futebol no sangue e encara os valores da honestidade e da disciplina como estruturantes à sua forma de trabalhar no futebol. Treinador também da escola de futebol de Tomar, não esconde a satisfação que lhe traz poder acompanhar a evolução das novas gerações.

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B.I.

Nome: Eduardo Fortes

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Idade: 49

Naturalidade: Tomar

Carreira futebolística: União Futebol Comércio e Indústria de Tomar (iniciados/júniores), Zebras do Alvito (júniores), Centro Cultural e Desportivo de Caxarias, Centro Recreativo e Cultural de Santo António de Assentis, Grupo Desportivo de Olalhas, Centro Cultural e Recreativo do Olival, Grupo Desportivo Vitória de Sernache, Grupo Desportivo de Alcaravela.

Conquistas: subida à 3ª divisão nacional com o Grupo Desportivo Vitória de Sernache; regresso à 2ª divisão distrital com o Grupo Desportivo de Olalhas.

CV Treinador: Instituto Politécnico de Tomar, Grupo Desportivo de Alcaravela, União Desportiva de Rio Maior (adjunto), União Futebol Comércio e Indústria de Tomar, Escola de Futebol de Tomar Associação (infantis), Sport Clube Ferreira do Zêzere.

Conquistas: subida à divisão de honra com a União Futebol Comércio e Indústria de Tomar e uma Taça de Disciplina; segundo lugar na Taça de Disciplina conquistado com o Sport Clube Ferreira do Zêzere.

A entrevista decorre no Estádio de Tomar, onde Eduardo Forte também treina equipas de formação e não esconde a satisfação com a oportunidade de acompanhar as novas gerações Foto: mediotejo.net

ENTREVISTA

mediotejo.net (MT): Como se interessou por futebol?

Eduardo Fortes (EF): É muito fácil porque eu nasci praticamente a ver futebol. O meu pai foi profissional de futebol e quando eu nasci jogava no União de Tomar, na primeira divisão. Foi um gosto logo à nascença. Sempre acompanhei futebol, sempre vi futebol, daí o meu gosto.

Do que se recorda desse acompanhamento da carreira do seu pai? Como era acompanhá-lo?

Era muito gratificante para mim, não só pelos colegas que ele tinha que gostavam muito de mim e andavam comigo por todo o lado, como também naquele tempo sendo profissional de futebol tinha uma vida acima da média, em que podia usufruir de muitos passeios. Ao acompanhar o meu pai visitava muitas cidades.

Recorda-se de alguma história dessa época?

Contavam muitas histórias. Há uma que me fica na retina, porque o meu pai conta muitas vezes essa passagem. Num campo que existia neste local [entrevista realizada no Estádio de Tomar] a União de Tomar para subir de divisão precisava de ganhar pela diferença de 10 golos. O meu pai de meio campo fez o décimo golo. Ele conta com muito orgulho essa história.

Que valores é que o seu pai lhe transmitiu enquanto treinador?

Acima de tudo honestidade. Honestidade para mim é fundamental. Se não tivermos honestidade dificilmente conseguimos atingir os objetivos a que nos propusemos. Esse sem dúvida nenhuma é um dos valores que guardo comigo e tento manter ao longo da minha vida e passar também aos jogadores que comigo trabalham.

a União de Tomar para subir de divisão precisava de ganhar pela diferença de 10 golos. O meu pai de meio campo fez o décimo golo. Ele conta com muito orgulho essa história

Como entrou para o futebol?

Na altura era fácil. Para já não havia entretenimentos para as crianças na altura. Hoje em dia começa-se logo a jogar futebol aos 3/4 anos, na minha altura só aos iniciados é que se começava a praticar futebol federado. De qualquer das formas íamos jogando com os mais velhos e é como lhe digo: era fácil gostar de futebol porque não havia outros atrativos a que nós pudéssemos corresponder, como hoje em dia as crianças têm tantos.

Como se deu a sua passagem para treinador?

Sempre me achei um líder dentro de campo como jogador. A determinada altura da minha carreira como jogador, percebi que como treinador poderia liderar um grupo de trabalho. Tive uma primeira experiência com camadas jovens na qual as coisas acabaram por correr bem. Daí arriscar e começar com seniores também, nos quais tomei o gosto. Mesmo tendo que evoluir, vamos percebendo que temos aptidões para desempenhar esse papel.

Contou-me que teve uma pequena experiência no Instituto Politécnico de Tomar (IPT). Como se deu esse episódio?

Na altura um colega que jogava comigo no Alcaravela era presidente da associação de estudantes do IPT. Ele sabia que eu tinha acabado de tirar o curso de treinador e eles necessitavam de um treinador. Falaram comigo e facilmente chegámos a um acordo. Foi também uma experiência bastante positiva para mim.

Quais as grandes diferenças entre ser jogador de futebol e treinador de futebol?

As responsabilidades (risos). As responsabilidades, acima de tudo, aumentam, e muito. O jogador de futebol, no meu caso sendo praticamente sempre amador, as responsabilidades não são tão grandes como as que tem um treinador do futebol. Joga-se mais pelo prazer. Enquanto o treinador já tem outras vertentes em termos de responsabilidade que vão crescendo à medida que o patamar vai sendo mais elevado.

Honestidade para mim é fundamental. Se não tivermos honestidade dificilmente conseguimos atingir os objetivos a que nos propusemos

Como se concilia o futebol amador com a vida profissional?

Não é fácil. Eu tenho a facilidade de conseguir porque tenho um horário em termos profissionais que me permite desempenhar essas funções. A nível familiar torna-se um bocado mais difícil, porque quer queiramos quer não nós passamos muito tempo fora de casa. Felizmente para mim, a minha esposa, que conheci quando já praticava futebol, já vinha preparada para o que iria ser a minha vida profissional e desportiva.

Também é treinador dos infantis na Escola de Futebol de Tomar. Como se vive o futebol nestas idades?

Vive-se com muita paixão. Eu sou treinador duma equipa que em particular me enche de orgulho, porque estou com estes meninos há três épocas. É um orgulho para mim poder trabalhar e ver a evolução ao longo dos anos. É um prazer enorme. Quando trabalho com estas crianças com 9/10/11 anos e depois passados 10 anos vou treiná-los como seniores é um motivo de orgulho. Isso já aconteceu quando estive no União de Tomar, em que tive vários atletas seniores que tinha sido treinador deles quando eram pequeninos, e está a acontecer também no Ferreira do Zêzere. Estou atualmente a treinar atletas que estiveram comigo quando tinham 10/11 anos.

É difícil refrear as expectativas nestas idades, quando toda a gente quer ser um Cristiano Ronaldo?

Não é fácil, principalmente para os pais. Principalmente para os pais porque isso de facto é uma realidade. Os pais acham que, por pagarem uma mensalidade, que nós carregamos num botão e fazemos jogadores. As coisas não são bem assim. É como disse anteriormente, terão obrigatoriamente que ter algum dom para poder praticar futebol. Isso faz com que os pais por vezes acabem por desanimar, por perceber que de facto tinham as expectativas bastante altas em relação aos filhos. Mas, com maior ou menos dor ou desilusão, acabam por perceber e acabam por tentar encontrar um caminho para os filhos poderem praticar desporto.

O que lhe dá mais entusiasmo, treinar os séniores ou treinar os mais pequeninos? É diferente?

É muito diferente. Quando estamos a falar dos mais pequeninos o gosto e o prazer é nós vermos a evolução deles ao longo de ciclos mensais ou de épocas. Quando nós analisamos e percebemos que, quando iniciámos um trabalho com aquele determinado atleta, ele não tinha capacidade para fazer diversas coisas e passados quatro, cinco meses esse atleta já consegue fazer e mais até que o que idealizámos para ele. Isso sem dúvida nenhuma é um motivo de orgulho.

Enquanto treinador de seniores é sem dúvida nenhuma bastante aliciante. No meu caso específico, quando saí do União de Tomar, depois de estar seis épocas no ativo, tive ali um interregno que não treinei seniores. Digo sinceramente, na altura que os responsáveis do Ferreira do Zêzere falaram comigo fiquei bastante satisfeito. Entretanto tinha tido alguns convites que eu achei que não se enquadravam com aquilo que eram as minhas expectativas e quando de facto as pessoas de Ferreira vieram falar comigo foi com bastante agrado que aceitei. O bichinho já andava aqui a moer e as expectativas de treinar seniores já estavam a ser enormes.

Os pais acham que por pagarem uma mensalidade que nós carregamos num botão e fazemos jogadores. As coisas não são bem assim. É como disse anteriormente, terão obrigatoriamente que ter algum dom para poder praticar futebol

Qual é atualmente a saúde do futebol amador? Enfrenta muitas dificuldades para sobreviver?

Dificuldades enfrenta como sempre enfrentou, mas penso que a tendência é melhorar. O pior período para o futebol amador já terá passado. Houve aí uma fase bastante complicada, em que as infraestruturas eram muito poucas e de pouca qualidade para se poder praticar futebol. Neste momento podemos dizer que as coisas tendem a melhorar. Podemos analisar aqui à volta de Tomar em que todas as localidades oferecem boas condições para se praticar futebol, coisa que há sete, oito anos não existia. A maior parte dos campos eram pelados, com poucas condições. Neste momento já podemos dizer que a tendência é para melhorar.

De todos os clubes por onde passou – e foram vários – qual foi o que mais o marcou?

Sem dúvida nenhuma que terá sido o Alcaravela como jogador. Foi o clube onde estive mais tempo, passaram várias direções e treinadores e eu fui-me mantendo. Foi uma aprendizagem também que eu tive com vários treinadores. Depois como treinador terá sido a experiência que tive no Rio Maior. Um clube que oferece excelentes condições de trabalho, na altura com um plantel também que nos dava todas as condições que podemos ambicionar para fazer um bom trabalho. E estando a trabalhar com o professor João Henriques foi sem dúvida nenhuma uma aprendizagem muito grande.

Frisou no seu currículo de treinador que recebeu por duas vezes a Taça de Disciplina. É importante para si este prémio?

Para mim é sempre uma bandeira. É uma forma de estar e são princípios que eu tento incutir. Não estamos lá para discutir com o árbitro, todos falhamos. Procuro sempre incutir esses princípios antes do jogo e vai ficando alguma coisa.

Qual o atual ponto de situação do Sport Club Ferreira do Zêzere? A equipa está preparada?

Sim. Penso que a equipa está no bom caminho para quando chegar a dia 16, a prova principal, poder corresponder. Estamos bastante satisfeitos com o plantel que temos, vamos contar com 24 jogadores, dois dos quais brasileiros que chegaram no dia 5 de setembro [quarta-feira]. Um acordo que a direção tem com um empresário que é de Ferreira do Zêzere e nos colocou estes dois jogadores à disposição.

Para já com os 22 com quem estamos a trabalhar estamos bastante satisfeitos, até porque praticamente não saíram quase nenhuns jogadores em relação à época passada, à exceção de três jogadores que normalmente eram mais utilizados. Penso que com os reforços que fomos buscar este ano temos todas as condições para poder fazer uma época regular, uma época tranquila.

Que equipas os vão desafiar mais?

É sempre uma incógnita nesta altura do campeonato. Para já porque não temos um conhecimento exato em relação à valia das outras equipas para a próxima época. Daquilo que vou vendo e lendo sei que há equipas que se reforçaram muito bem, há equipas com objetivos definidos de subida de divisão, e sem dúvida nenhuma que essas serão as primeiras equipas a temer. Parece-me a mim que em relação à época passada será um campeonato mais nivelado por cima, com mais qualidade, o que vai aumentar sem dúvida nenhuma as nossas responsabilidades.

Dificuldades enfrenta como sempre enfrentou, mas penso que a tendência é melhorar. O pior período para o futebol amador já terá passado

Qual o objetivo do Ferreira do Zêzere? Subir de divisão?

Não, de maneira nenhuma. Para já está fora de questão essa situação, até porque temos consciência daquilo que podemos fazer, temos consciência da nossa valia e temos consciência também do que isso podia acatar para o clube. Neste momento o Ferreira do Zêzere ainda não tem bases sólidas para poder acalentar esse desejo.

Na época passada fizemos uma época fantástica a todos os níveis. Terminámos num quarto lugar a um ponto do segundo, mas isso é passado. É o que tenho transmitido tanto à direção como aos próprios atletas. Aquilo que fizemos foi de facto excelente, mas o que nos espera esta época é um aumento das responsabilidades, porque elevámos a fasquia e vamos ter que corresponder. Estamos-nos a preparar no sentido de fazer uma época tranquila, uma época regular, ao nível daquilo que fizemos a época passada.

Como se mantém o ânimo de uma equipa de futebol amador que tem que se equilibrar com uma vida profissional em paralelo?

Não é fácil. É mais fácil sem dúvida nenhuma quando os resultados positivos vão aparecendo. Daí também a capacidade de liderança e de gerir da equipa técnica quando as coisas não correm como desejamos.

O que é necessário para se ser um bom jogador de futebol?

Acima de tudo tem que se ter o dom. Eu costumo dizer aos meus jogadores que eles não se podem comparar com os demais, porque de facto tem que se ter algum dom para poder praticar futebol. Se não as bancadas estavam vazias e toda a gente estava dentro de campo a jogar futebol.

Tem que se ter a noção das próprias capacidades. Depois, hoje em dia, com a formação que se faz, vai sendo sempre mais fácil traçar esse caminho. A determinada altura quando ou o próprio atleta ou os pais vão percebendo que não tem capacidade para ser jogador de futebol, acabam por enveredar para outros caminhos. Enquanto treinador das camadas jovens nunca digo a um jogador que não tem capacidades para poder praticar futebol. O que acabo por constatar é que eles com o passar dos anos vão acabar por perceber se têm ou não condições.

Parece-me a mim que em relação à época passada será um campeonato mais nivelado por cima, com mais qualidade, o que vai aumentar sem dúvida nenhuma as nossas responsabilidades

Neste início de época que mensagem gostaria de deixar aos adeptos e aos sócios?

Sem dúvida nenhuma que continuem a acreditar em nós, que continuem a acreditar no trabalho que está a ser feito. Na época passada deparei-me com uma massa adepta fantástica. Não tinha conhecimento e logo nas primeiras jornadas senti o apoio da massa adepta do Ferreira do Zêzere.

Os adeptos de Ferreira do Zêzere, não sei se pela conjugação de bons resultados ou não, acompanhavam-nos para todo o lado. Isso a mim enchia-me de orgulho porque sentia também que os jogadores sentiam esse apoio dos adeptos e queriam sempre dar mais em prol desse apoio que vinha das bancadas.

Surpreendido com a massa adepta do clube, Eduardo Fortes apela a que continuem a acreditar no trabalho da equipa Foto: mediotejo.net

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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