Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Quinta-feira, Outubro 28, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Futebol/Entrevista | Miguel Marques quer levar formação do Benfica de Abrantes aos nacionais (c/vídeo)

Miguel Marques, natural de Abrantes, 35 anos, a concluir Mestrado em Desporto, na Escola Superior de Desporto de Rio Maior, assume esta ano a função de coordenador de todos os escalões de formação do Sport Abrantes e Benfica (SAB). Com cerca de 250 atletas inscritos nos diversos escalões de futebol do SAB, o objetivo da direção é que Miguel Marques volte a tentar meter o clube a jogar nos campeonatos nacionais, a médio prazo. Com uma visão muito própria do futebol, o treinador defende que os melhores treinadores deveriam estar na formação.

- Publicidade -

Miguel Marques, coordenador do futebol de formação do Sport Abrantes e Benfica. Foto: mediotejo.net

Percurso:

- Publicidade -

Curso de Treinador UEFA “A” (nível III) + Elite Jovem em 2017

Curso de Treinador de GR pela FPF em 2009

Clubes/Associações (Treinador Principal e Treinador de GR):

Dragões de Alferrarede, Sport Abrantes Benfica, Abrantes FC, Eléctrico FC, Torres Novas, Mação, Ouriense (Fem) e UD Abrantina, AF Portalegre.

Pontos Altos:

Campeonato Distrital de Santarém pelos Juniores do Abrantes FC (TGR), Subida à 1ª divisão de juniores pelo Abrantes FC (TGR), Manutenção IIªB pelo Eléctrico FC (TGR), manutenção no campeonato nacional de Juvenis pelo Eléctrico FC (TP), 1ª equipa Portuguesa Feminina a passar a fase eliminatória da liga dos Campeões pelo CA Ouriense (TGR), Campeonato Distrital (1), Taça(2) e Supertaça (1) de Juniores pelo Eléctrico FC (TP), Estágio de Observação com a selecção Nacional de Sub15, e posteriormente TGR na selecção B2 no torneio das selecções da FPF.

Treinador/Seleccionador (TP) da selecção do concelho de Abrantes no torneio internacional de iniciados, nas edições de 2017 e 2018, apesar de já ter colaborado em outras edições como TGR.

Época de 2018/19 – TRG na equipa sénior do Eléctrico FC e Coordenador dos Escalões de Formação do Sport Abrantes e Benfica (SAB).

Miguel Marques. Foto: mediotejo.net

mediotejo.net – Quais os teus objetivos para as equipas de formação do SAB?

Miguel Marques – Eu nunca tinha sido coordenador e então é mais um desafio, mais uma experiência. E eu sou uma pessoa que gosto de enfrentar os desafios. A outra questão é tentar voltarmos aos nacionais, talvez não a curto prazo, mas a médio prazo.

Quanto atletas e que escalões vai ter o Sport Abrantes e Benfica?

Penso que nesta altura já levamos cerca de 250 inscrições nos vários escalões. Sei que vamos ter uma equipa de juniores, uma de juvenis, duas de iniciados, duas de infantis, uma sub11 e uma sub10 e depois vamos ter vários atletas nos escalões mais jovens.

Coordenar todas estas equipas significa o quê?

Vai passar por uma estratégia de coordenação ao nível do futebol 11. Ao nível do futebol 7 é uma questão de auxílio e também de passar alguma experiência que tenho vindo a ganhar ao longo dos anos. Obviamente que vamos tentando coordenar as coisas, ajustando alguns pormenores, chamando a atenção algumas coisas, fazendo formação dentro do próprio clube que acho que é muito importante e vamos criando algumas dinâmicas que vão ser novas nesta zona de Abrantes.

Como vês a importância da preparação técnica dos treinadores?

Acho que é de extrema importância. Se nós adoptássemos o que já se adopta em alguns países mais desenvolvidos, os melhores treinadores deveriam estar na formação. Mas isso não acontece. Os treinadores mais capacitados querem andar no mais alto nível e seniores, etc. Aqui vai passar um bocado por isso. É de extrema importância a malta estar formada, saber o que está a fazer e cada vez que houver formações ir à procura do conhecimento. Estagnar não é opção.

Os treinadores estão qualificados?

Nós apanhamos um pouco de tudo. Já vi bons treinadores em escalões baixos, já vi maus treinadores… a Associação [de Futebol de Santarém] acho que está a fazer um bom trabalho no sentido de garantir que todas as equipas tenham treinadores qualificados, algo que não vinha a acontecer e a Associação tem vindo a apostar nesse aspecto, o que é muito importante, agora… quem sou eu para estar a dizer se eles são bons ou maus. Já apanhámos de tudo, sei de alguns meus colegas que são muito bons e que se calhar não têm oportunidade de andarem noutros níveis. Mas as oportunidades temos de ser nós a lutar por elas.

E a formação? É o Benfica de Abrantes que as vai tentar ministrar?

Nós fazemos ações de formação internas, podemos até vir a fazer uma acção de formação com convidados para o clube, mas também para fora, que é uma das ideias que eu tenho, mas obviamente que se não partir da ambição do treinador evoluir, se nós não conseguirmos fornecer-lhe todas as acções de formação ou toda a formação necessária, têm que ser eles também a partir deles próprios para irem à procura do conhecimento.

E isso depois é que se poderá reflectir no resultado final…

Obviamente.

Miguel Marques quer recolocar o SAB nos campeonatos nacionais. Foto: mediotejo.net

E tu como chegaste aqui… fala-nos do teu percurso…

Até hoje nunca aceitei nenhum desafio a nível sénior, porque fiz questão de passar por todas as etapas de formação. Queria concluir no ano passado, infelizmente não foi possível porque terminei a meio. Os resultados não apareceriam e como qualquer treinador levei com o chicote também.

Estavas onde?

Estava no Elétrico de Ponte de Sor no campeonato nacional de 2ª divisão de juniores. A verdade é que não quis passar para nenhum escalão sénior sem passar pelas outras etapas de formação. E foi por aí, passei desde as escolas, aos infantis, iniciados, juvenis, juniores, em distritais, umas mais fortes outras mais fracas, campeonatos nacionais e acho que me deu uma boa bagagem, boa experiência ao longo destes anos todos. Tive também a noção de que era importante trabalhar com muita gente e sempre que surgiam oportunidades de trabalhar a nível senior noutros patamares, até a nível de juniores, em campeonatos nacionais, como adjunto e como treinador do guarda-redes, nunca hesitei muito, e procurei muito também, porque acho que o trabalharmos com outras pessoas dá-nos mais bagagem ainda…vemos o que fazem bem, o que fazem mal…e conseguimos extrair o essencial do trabalho deles. E eu acho que a evolução parte um pouco daí também.

Portanto, vais continuar a acumular funções: treinador do guarda-redes em Ponte de Sor e a coordenar todo o futebol de formação do Benfica de Abrantes?

Sim, em princípio sim, enquanto isso for compatível vou fazer todos os possíveis para o conseguir.

Foste o seleccionador da concelhia de Abrantes no Torneio Internacional de iniciados…. Como fizeste a prospecção dos jogadores?

Foi um convite que foi feito no ano passado, para a edição do ano passado, para ser seleccionador. Não era para ser eu, no ano passado não fiz grande prospecção, utilizámos apenas uma semana dos treinos para preparar o torneio para conhecer os melhores os jogadores. Este ano as coisas já foram diferentes. Este ano, durante a época desportiva, tentei ver alguns jogos das equipas do concelho de Abrantes, vendo logo alguns jogadores, não consegui ver todos, e depois, no final da época, fizemos logo ali 3 semanas de treinos com cerca de 43/44 atletas de forma a conseguirmos ver ainda melhor esses jogadores. Depois, antes do torneio, duas semaninhas antes, foi quando nós fizemos o estágio de preparação para o torneio.

E é sempre um motivo de ânimo para estes jovens…conseguir marcar um golo foi uma festa…

No ano passado a nossa preparação foi mais táctica, mais posicional, preparar os miúdos mais para defender. Este ano não…este ano preparámos a equipa mais fisicamente para conseguirem aguentar os jogos. O nosso objectivo era mesmo esse: era marcar um golo. Se marcássemos um golo saíamos felizes. Obviamente que os resultados foram muito pesados, tirando o último resultado em que nós conseguimos o golo, mas valeu a pena, os miúdos festejaram como se tratasse de uma vitória e isso valeu tudo.

E na formação, qual o papel que cabe aos pais?

Os pais também deveriam ter uma escola. Também deveriam ter formação própria. Não estou a dizer que são todos, porque não são. Em relação ao torneio do concelho de Abrantes a maior parte dos pais que acompanharam, o feed-back que tivemos, foi muito positivo e foram excelentes nesse aspeto. Agora nós sabemos que os adeptos de clubes, os pais adeptos às vezes não são os melhores exemplos e a partir do momento em que começam a entrar nos maus exemplos, os filhos vão pelos maus exemplos, e depois os treinadores é que sofrem as consequências e isso não pode acontecer. Talvez a gente consiga fazer alguma coisa, algumas acções de formação também para pais, o que seria muito importante.

E falamos aqui de formação de homens. Homens do amanhã….

Esses são os valores que muitas das vezes não são incutidos. São valores que deviam ser passados nas escolas, nos clubes de formação e principalmente em casa. É de onde vem a primeira educação. Se não têm isso em casa como é que depois podemos exigir isso nos clubes? Poder, podemos. Mas não será assim tão fácil.

Miguel Marques, coordenador das equipas de formação do SAB. Foto: mediotejo.net

O Sport Abrantes e Benfica… o que achas que sucedeu para esta quebra nos últimos anos ao nível dos escalões e formação e da representatividade nos nacionais?

Sucederam-se duas coisas diferentes: a primeira foi o aumento de equipas na zona do concelho que vem roubar sempre os melhores jogadores. Não há uma equipa só que tenha os melhores jogadores. Todas as equipas têm bons jogadores. Logo aí não conseguimos fazer uma equipa forte. A segunda coisa que acho que aconteceu acho que foi um pouco de desleixo de toda a gente, tanto dos clubes como dos próprios treinadores, digo eu. Para já, dos clubes, porque não estavam a dar as melhores condições para trabalharem. Depois, os treinadores, porque estagnaram. Se calhar não quiseram evoluir, não procuraram mais formação. Pode ter acontecido essas duas coisas. Ao passo que nas outras equipas nos outros concelhos continuaram a investir, continuaram a ir buscar treinadores competentes, qualificados.

E quais são os exemplos hoje referência ao nível da formação no distrito?

O CADE é sempre uma boa referência. Mas para mim, nos últimos anos, temos vindo a ver uma equipa muito forte que é a Académica de Santarém. Todos os anos eles têm grandes equipas, todos os anos eles têm andado a lutar pelos nacionais e pelas subidas de divisão e há uns anos atrás não se ouvia falar da Académica. O CADE era a referência do distrito e neste momento para mim a Académica de Santarém está a fazer um excelente trabalho e está cada vez a ficar melhor.

E no teu entender qual é a chave do sucesso?

Sei que eles lá andam sempre à procura de treinadores que queiram trabalhar, que trabalhem muito, que estejam lá sempre. Obviamente que a fonte de recrutamento deles é muito maior e isso também influencia bastante. Mas a verdade é que eles estão sempre em formação, sempre à pesquisa de conhecimento, estão sempre à procura de mais. Mas obviamente que eles também vão buscar os melhores jogadores e fazem investimento nisso e isso também ajuda muito. Tenho um treinador que dizia: nós pode ser muito bons mas se não tivermos os melhores cavalinhos nós não ganhamos corridas. E eles fazem isso também.

E como viste esta oportunidade de coordenar o futebol formação no Benfica de Abrantes?

O convite surgiu a partir do Paulo e do Gonçalo Manito… eles é que estão aqui com o António Carvalho e com o Paulo Neto. Eu já estive a trabalhar com o Paulo e com os seniores, no ano passado, na Abrantina, e eles falaram no meu nome para coordenar porque acharam que era necessário haver um coordenador da formação do Sport Abrantes e Benfica. Então surgiu o convite. Eles também sabem a minha maneira de pensar e de estar, e acharam as minhas ideias engraçadas e então surgiu o convite.

E o que te pediram? Repor o Benfica de Abrantes noutros patamares?

A longo prazo será esse o objectivo, agora não podemos é dizer que na próxima época temos uma equipa no nacional. Era bom se conseguíssemos, mas nós sabemos que não vai ser fácil. Mas a ideia vai ser essa: pormos o Benfica de Abrantes novamente no mapa do campeonato nacional.

E qual é que achas que é o maior desafio que se levanta?

A formação vai ser mesmo essa…. Ah, e tal, vamos ter um coordenador, vamos andar aqui a apostar, temos que mostrar agora. Essa vai ser a fasquia mais elevada. Mostrar que queremos mesmo melhorar e que vamos trabalhar para melhorar. Esse vai ser o desafio todas as semanas dentro do campo.

Até porque condições de trabalho não faltam aqui na Cidade Desportiva de Abrantes…

Faltava aqui mais um sintético, mas já é muito bom.

Que mensagem deixas?

Aos associados, que venham cada vez mais ver os jogos quer da formação quer dos seniores também, que é muito importante…isto tem vindo a ser um estádio vazio e é isso que nós não queremos. Queremos que o estádio esteja cheio, assim como as bancadas do sintético, onde nós formos jogar, que venham aos jogos, que apoiem os jogadores, os atletas, os pais que acompanhem os filhos, mas acompanhar no bom sentido da palavra, não é vir para aqui chamar nomes a árbitros e a treinadores. Eles têm de perceber que a formação no futebol não é direito a jogar. É direito a treinar. O jogar é um prémio. Se eles pensarem nisso vão entender as coisas de outra maneira. E é aparecerem, virem ajudar o Benfica de Abrantes a crescer, porque sem apoio dos sócios e dos simpatizantes também não conseguimos crescer.

E da parte do Miguel Marques o que podes assegurar?

Trabalho. Fazer o meu melhor, tentar ajudar os meus colegas treinadores a melhorar e tentar coordenar isto da melhor maneira.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

- Publicidade -
- Publicidade -

1 COMENTÁRIO

  1. Quando jovens de valor como o Miguel se atiram ao trabalho, os resultados vão aparecer de certeza absoluta. Assim acreditem neles e não se sujeitem à ditadura do curto prazo, que não leva a lado nenhum. Apenas boa sorte, porque todo o resto já tens.

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome