Futebol: As alterações às leis do jogo – Parte V

Por Jorge Beirão

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Como já foi notado pelos apaixonados do futebol, o IFAB – International Football Association Board, aprovou no passado mês de março, alterações às leis do jogo.

Tendo como objectivo, ajudar todos os interessados a conhecer e compreender o jogo de futebol, quanto às suas leis e em particular no que respeita às novas alterações, continuamos hoje a nossa abordagem às alterações do IFABoard às leis do jogo.

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Antes de entrarmos no tema desta semana, vamos indicar as respostas corretas às perguntas que colocámos em “Teste os seus conhecimentos”, na semana passada. As perguntas e as possíveis respostas foram as seguintes:

1ª – Qual dos seguintes deveres não corresponde especificamente ao árbitro-assistente na altura em que se executam os pontapés da marca de grande penalidade?

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A – Comprovar se a bola ultrapassou a linha de golo.

B – Assinalar se o executante do pontapé de penálti cometeu uma infração.

C – Assinalar quando se marca golo.

D – Assinalar se o guarda-redes se adianta antes de o pontapé de penálti ser executado.

Resposta correta: alínea B.

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2ª – Não existe infração ao fora de jogo quando um jogador recebe a bola diretamente:

A – De um pontapé de baliza ou pontapé de penálti.

B – De um pontapé de baliza, lançamento lateral, ou pontapé de canto.

C – De um pontapé de baliza, pontapé de penálti ou pontapé de canto.

D – Pontapé livre indireto, pontapé de baliza ou lançamento bola ao solo.

Resposta correta: alínea B.

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Abordamos hoje as alterações das leis do futebol sobre o tempo de jogo, começo e recomeço do jogo.

LEI 7 – A DURAÇÃO DO JOGO

7.1 – Tempo adicional

Texto adicional

Cada parte deve ser prolongada para recuperar todo o tempo perdido ocasionado por:

  • avaliação das lesões e transporte dos jogadores para fora do terreno de jogo (…)
  • paragens para ingerir bebidas ou por outras razões médicas permitidas pelo regulamento da competição

Explicação

Foram acrescentadas estas causas frequentes de tempo adicional. Em particular, “pausas para bebidas” autorizadas para que tenham validade nas Leis.

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LEI 8 – O COMEÇO E O RECOMEÇO DO JOGO

8.1 – Inclusão de referência a todos os recomeços

Texto adicional

O jogo também pode ser recomeçado com um pontapé-livre (direto ou indireto), pontapé de penálti, lançamento da linha lateral, pontapé de baliza e pontapé de canto.

Explicação

É Ilógico (especialmente para quem não é árbitro) que a Lei acerca do recomeço apenas inclua o pontapé de saída e o lançamento da bola ao solo, assim foi acrescentada a referência a outros recomeços de jogo.

 

8.2 – Infrações quando a bola não está em jogo

Texto adicional

Se for cometida uma infração quando a bola não está em jogo, tal não altera a forma como o jogo recomeça.

Explicação

Esclarece que o recomeço não é alterado por um incidente em que a bola não está em jogo, por exemplo, quando um jogador agarra outro antes de um pontapé de canto; a conduta violenta após um pontapé-livre é assinalada, etc…

 

8.3 – Pontapé de saída: a bola tem claramente de se mover para estar em jogo; pode ser pontapeada em qualquer direção.

Texto antigo Novo texto
 

·         a bola entra em jogo logo que seja pontapeada e se mova para a frente

 

 

·         a bola entra em jogo logo que seja pontapeada e se mova claramente

 

 

Explicação

Não se exigir que a bola se mova para a frente no pontapé de saída significa que um jogador atacante não necessita de estar no meio-campo adversário (o que não é permitido) para receber a bola. Tal como noutras Leis, a bola tem de se mover claramente, para eliminar a prática de um jogador apenas tocar a bola e depois, de modo incorreto, fingir que o pontapé não foi executado.

 

8.4 – Posição lançamento da bola ao solo

Texto adicional

O Árbitro deixa cair a bola no local onde esta se encontrava quando o jogo foi interrompido, salvo se o jogo tiver sido interrompido dentro da área de baliza, sendo que neste caso o árbitro faz o lançamento da bola sobre a linha da área de baliza paralela à linha de baliza, no ponto mais próximo do local onde a bola se encontrava quando o jogo foi interrompido.

Explicação

Fazer esta afirmação claramente aqui elimina as muitas outras vezes que isto aparece nas leis atuais.

 

8.5 – O árbitro não pode determinar a disputa da bola ao solo

Texto antigo Novo texto
O árbitro não tem poderes para decidir quem pode ou não pode disputar a bola ao solo. Qualquer número de jogadores pode disputar uma bola lançada ao solo (incluindo o guarda-redes); o árbitro não tem poderes para decidir quem pode disputar uma bola lançada ao solo ou o seu resultado.

 

Explicação

Esclarece que os árbitros não devem “influenciar” quem deve participar nas situações de lançamento da bola ao solo.

 

8.6 – Lançamento da bola ao solo pontapeada diretamente para a baliza.

Texto antigo Novo texto
Se a bola entra na baliza adversária diretamente (…) Se a bola entra na baliza sem tocar em pelo menos dois jogadores (…)

 

Explicação

A substituição de “diretamente” por “sem tocar em pelo menos 2 jogadores” torna a redação mais clara e coerente com a redação de outras Leis.

 

Teste os seus conhecimentos

 

1- A equipa A acabou de obter um golo. No pontapé de saída um jogador da equipa B chuta a bola diretamente para o seu guarda-redes. Ao se aperceber disso o Árbitro interrompeu o jogo. O que deverá fazer?

A – Recomeçar o jogo com bola ao solo.

B – Mandar repetir o pontapé de saída, pois este pode ser marcado para qualquer direção.

C – Mandar repetir o pontapé de saída, pois este deve ser marcado para a frente.

D – Deixar seguir o jogo.

 

2- Um jogador retarda a execução de um lançamento de linha lateral. O árbitro exibe-lhe o cartão amarelo e manda executar o lançamento pela equipa contrária. Concorda?

A – Não. O lançamento lateral deve ser executado pelo mesmo jogador.

B – Não. O lançamento lateral deve ser executado pela mesma equipa.

C – Sim na vertente técnica, mas não na vertente disciplinar.

D – Nenhuma opção é a correta.

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Jorge Beirão

(Jorge Beirão é licenciado em Educação Física pela Faculdade de Motricidade Humana. No futebol foi jogador, tendo sido campeão distrital nos escalões de formação. Foi treinador de seniores, mas foi na formação que conquistou três títulos distritais e várias permanências em campeonatos nacionais. Foi árbitro durante dez anos, entre as décadas de 70 e 80. Chegou a árbitro da primeira categoria distrital e fui durante seis épocas árbitro assistente da primeira divisão nacional)

 

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