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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Futebol/Aldeiense | Pedro Varino, um treinador grato que quer fazer do clube o ‘outsider’ na sua série (C/VIDEO)

Pedro Varino, 44 anos, é o treinador da Associação Cultural e Desportiva Aldeiense, clube da freguesia de Santa Margarida da Coutada, Constância, que vai disputar a série A do campeonato da segunda divisão distrital da Associação de Futebol de Santarém. Em entrevista, Pedro Varino fala do seu percurso desportivo, da arreliadora lesão que lhe encurtou a carreira de futebolista, e antevê o Aldeiense como o clube ‘outsider’ perante os ‘tubarões’ que compõem a sua série. Na entrevista, Pedro Varino mostrou ser um homem grato ao mundo do futebol e emocionou-se ao falar dos homens que com ele trilharam um percurso de feitos bonitos.

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Nome: Pedro Miguel Mendes Varino

Idade: 44 anos (01.01.1974)

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Naturalidade: Salvador (Torres Novas)

Clube: Treinador da Associação Cultural e Desportiva Aldeiense, clube que assinala 40 anos

Percurso:

Jogador: Tramagal Sport União (juniores e seniores)

Treinador: Tramagal (TSU), enquanto adjunto dos juniores e seniores, treinador principal nos seniores de Tramagal, Semideiro, Chamusca, Azinhaga, Bemposta, Alferrarede, Juniores da Chamusca, Pego, e Aldeiense.

Títulos: Subida à I divisão distrital pela Chamusca, campeão distrital de juniores pelo TSU,, subida de divisão ao nacional juniores pelo TSU, Taça do Ribatejo pelos seniores do TSU.

Pedro Varino, 44 anos, treinador do Aldeiense. Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net

mediotejo.net – Como começou o gosto pelo desporto e pelo futebol, em particular…

Pedro Varino – Fui jogar para o Tramagal, muitos dos meus colegas jogavam no TSU e eu era uma pessoa que, pensava eu, tinha jeito para o desporto e tanto moí a cabeça ao meu pai e à minha mãe que me deixaram ir treinar uma vez ao Tramagal e fiquei… fui ficando até acabar devido a uma lesão. O gosto pelo futebol foi crescendo, o meu pai e a minha mãe tinham uma equipa de futebol de salão, portanto, convivi com o futebol durante toda a minha vida.

A lesão no joelho impediu-te de continuar….

Sim, na altura o Zé Carlos estava a treinar os juniores do Tramagal, houve uma possibilidade… também apareceu uma situação em que o Luís Lopes, com aquele problema do coração, havia a possibilidade do Luís ir ajudar ao Zé Carlos. Dentro da impossibilidade do Luís devido ao fator de trabalhar por turnos, penso eu, não conseguiu. Eu, infelizmente, também andava um pouco debilitado em termos da minha lesão, andava a fazer recuperação, apareceu o convite e eu fui ajudar o Zé Carlos. Comecei como adjunto, na altura o adjunto era o treinador do guarda-redes e comecei como treinador do guarda-redes. Apareceu um curso na Associação e eu tirei, comecei a gostar daquilo que era o treino e todos os factores inerentes ao jogo, fui andando e depois voltei a tirar novo curso, de nível 2, na altura, e nunca mais parei. Ainda há pouco tempo tirei mais duas formações de metodologia do treino e preparador físico e pronto, nós vamos aprendendo todos os dias e vamos estudando, vamos lendo e vamos estando actualizados.

É importante esta atualização constante?

Sim, claro. Todos nós temos o seu quê de treinador, todos nós sabemos o que é pôr uma equipa a jogar, todos nós sabemos que temos que ter 11 lá dentro e sabemos que temos de defender quando não temos a bola e temos que atacar quando a temos, mas tudo o resto está sempre em perfeita mutação. Nós temos de estar actualizados. Se não estivermos o barco passa e nós não o apanhamos.

Quer dizer, não está ainda tudo descoberto no mundo do futebol….

Não. E há muita gente que diz, um professor meu dizia, que nós, em relação aos EUA, estamos em termos de treino desactualizados uns 10 anos. Portanto, nós, na Europa, temos muito a aprender com os EUA. Tem a ver também com a parte física, com o trabalho mais de casa, de ginásio e de trabalho de força, acho que nós temos de começar a pensar que o futebol em si é jogado dentro das quatro linhas, mas fora delas também tem que se trabalhar muito.

Pedro Varino. Foto: mediotejo.net

E o que apaixona mais nesta questão do treinar?

Eu antes era muito tempestuoso, muito direto, não controlava se calhar muitas vezes o meu ímpeto e falhava muito ao princípio [da carreira], em termos de linguagem, de trato com as equipas de arbitragem, com os adversários. Com tempo as coisas vão fluindo de outra maneira e vamos conhecendo outras pessoas e vamos conseguindo estar dentro daquilo que é o futebol em si. Não me lembro de, nestes três anos, agora, ter tratado mal alguém nem de ter tido algum castigo. Acho que as coisas têm fluido de forma diferente, tenho visto o futebol também de uma maneira diferente, tenho entendido e tenho passado a mensagem de que o futebol é jogado dentro das quatro linhas e nós temos que trabalhar durante a semana para aos domingos estarmos bem e respeitarmos toda a gente.

E os jogadores?…está a treinar a equipa do Aldeiense…como é constituir uma equipa para um campeonato exigente?

Não é fácil, mas com seriedade, que é o principal motivo que me leva a estar no Aldeiense. É porque fui desafiado através de umas conversas na altura com uns amigos, onde alguns já saíram do projeto, ou da ideia que tínhamos para o clube, outros entraram, mas isto começou tudo numa conversa informal de amigos e partiu-se para esta equipa que temos agora.

Começámos com uma equipa, já temos outra. O clube está de forma sustentável, sem grande gasto do que quer que seja, está a ir com bases, não está a fazer as coisas à toa e é difícil ter uma equipa com trabalhadores, com estudantes…agora, na fase em que as pessoas ainda estão de férias, estou a falar dos estudantes, é mais fácil tê-los no treino, sei que vou perder um ou dois jogadores quando começar a universidade, sei que treinarão pouco connosco, procuraremos sempre ter uma equipa onde eles vão estudar para os poder ajudar, mas isso é tudo uma incógnita. Se o jogador não quiser não vale a pena arranjar um clube lá para treinar, porque eles se não quiserem não vão, mas ficamos com a consciência tranquila de que tentámos que ele estivesse bem para ser escolhido ao domingo. Agora, não é fácil trabalhar nestas condições e quem disser que é não está a ser verdadeiro.

Pedro Varino, 44 anos, é natural de Salvador (Torres Novas). Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net

A matéria-prima do Aldeiense são os jogadores de Constância?

Gostaria que assim fosse, não é fácil. O concelho de Constância não tem neste momento tantos jogadores quantos nós gostaríamos… é de concelhos limítrofes, mas isso não está em causa. Interessa é que venham para o Aldeiense no sentido de nos ajudar e que nós consigamos responder com aquilo que dissemos que íamos fazer. É uma equipa jovem, não é uma equipa que nos últimos 2 anos nós acalentávamos numa luta pelos 3ºs lugares. Mentiria se disse que nós não temos ambição. Se não tivéssemos não estávamos no campeonato. Temos ambição, sabemos as nossas limitações, mas também temos grande privilégio de termos grandes homens neste momento, espero não estar enganado, dentro do grupo de trabalho que nos vão ajudar a conseguir um bom resultado.

Como analisa esta série A da segunda divisão distrital de Santarém?

É uma séria com posicionamento geográfico com equipas muito perto umas das outras. O mais longe será Caxarias, pode-se considerar Ortiga, de resto toda a gente se conhece dos concelhos limítrofes. Vai ser um bom campeonato, vai ser um campeonato que vai gerar muita receita, esperemos nós, e vai ser um campeonato em que todos os domingos vai ser uma incógnita em termos de resultado, de certeza absoluta.

Para si há algum favorito?

Se eu dissesse que não era o Aldeiense estava a fugir àquilo que direciono e que exijo aos meus jogadores, mas há equipas muito fortes em termos de plantel, de nomes. Agora, como dizem, e é um chavão que se aplica há muito anos, lá dentro é que se vê.

O objetivo do Aldeiense é tentar subir de divisão?

O objetivo do Aldeiense é tentar fazer melhor do que no ano passado. O ano passado fomos 5º, a ideia é ficar melhor do que 5º, se ficarmos em 4º, melhor, se ficarmos em 3º, melhor ainda.

E em 3º vão disputar a fase final…

Vamos ser uns outsiders. É a ideia que nós temos.

E a Taça do Ribatejo? É importante para o Aldeiense ou para o Pedro Varino?

É importante para o Aldeiense. Eu sou só a pessoa que lidera a máquina. O clube está acima de qualquer pessoa e penso que para o Aldeiense seria bom. No ano passado não passámos da fase de grupos e este ano com 4 equipas da segunda distrital acho que temos algo a dizer. O ano passado calhámos com as duas equipas que vão jogar hoje a supertaça, [Mação venceu o União de Tomar na quarta-feira, dia da entrevista], calhámos com Ourém, foi uma série quase de morte, como se costuma dizer. Mas este ano não. São 4 equipas da segunda distrital, temos ideia de tentar passar à segunda eliminatória.

O que destaca em termos de características nos seus jogadores?

Dentro de campo tento passar a imagem daquilo que eu era. Nunca virar a cara à luta, lutar até à exaustão por aquilo que o treinador me pedia na altura. É isso que tento fazer como treinador aos meus jogadores. Tática e fisicamente. Agora, cá fora gostava que fossem como eu era quando jogava, cumpria ao máximo aquilo que me pediam. Mas isso neste momento é quase impossível.

Pedro Varino treinador do Aldeiense. Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net

E quem destaca no seu percurso enquanto jogador e também enquanto treinador?

Tenho uma pessoa que me marcou muito. O mister Rui Oliveira, por tudo aquilo que ele era e tenho duas pessoas que de certa maneira me ajudaram a ser o treinador que sou hoje: o Ricardo Moura, por me ajudar logo no início e o Zé Carlos porque na primeira vez que me meti nesta aventura maluca de ser treinador de futebol foi ele quem me convocou. São pessoas que eu vou agradecer para sempre. Como jogador tenho uma imagem de uma pessoa que nunca vai deixar de ser um símbolo, de ser uma imagem do clube [Tramagal Sport JUnião] que é o Luís Lopes. É a pessoa com quem me identifico mais. Posteriormente, Pedro Varino faz ainda referência ao antigo roupeiro do TSU, o senhor ‘Setúbal’. Com o Setúbal, referiu, “levava-lhe sempre umas garrafas de abafado e eu nunca tive meias rotas nem cozidas”, gracejou.

São pessoas que são referências para si…

Não me posso esquecer das brincadeiras do mister Rui, da maneira como ele lidava com o grupo, da maneira como ele fazia as coisas. De certa maneira eu tento às vezes ser o Rui Oliveira [Pedro Varino emociona-se].

Foto: Jorge Santiago

Para a massa associativa do Aldeiense, que mensagem importa fazer passar?

Eu gostava que as pessoas que gostam realmente do concelho de Constância, da freguesia de Santa Margarida e das outras freguesias do município de Constância que nos olhassem de uma maneira…que somos uma equipa do concelho. Não somos só a equipa de Santa Margarida. Queremos levar o concelho o mais longe possível, o nome, queremos dar uma imagem positiva em termos desportivos do concelho de Constância. Queremos que o concelho seja falado, queremos que a freguesia seja falada e ao mesmo tempo, se isso acontecer, o Aldeiense será falado também. Os adeptos…quero que sejam todos, independentemente de tudo, mas o que eu desejo é que vão ao campo, vão apoiar, seja em Montalvo, seja em Tramagal, seja em Abrantes, seja onde for. Apoiem o Aldeiense. Ao apoiarem o Aldeiense estão a apoiar de certeza absoluta o concelho de Constância.

*Fotos: Jorge Santiago/mediotejo.net

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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