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Futebol | AF Santarém acredita na retoma das competições distritais em abril

As federações de andebol, futebol, basquetebol, patinagem e voleibol apresentaram uma série propostas para que o desporto possa ser integrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Uma preocupação partilhada pela Associação de Futebol de Santarém que, a par das várias dificuldades colocadas perante a pandemia, acredita que abril possa ser o mês de retoma das competições distritais ao nível do futebol e futsal nos escalões seniores e de formação.

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Com as competições distritais paradas desde janeiro e na sequência da mais recente declaração de Estado de Emergência, a direção da Associação de Futebol de Santarém (AFS) reuniu a 25 de fevereiro para avaliação da atual situação, analisar as alternativas possíveis face os dados disponíveis, e discutir a retoma das competições. Uma decisão final que será tomada após o dia 11 de março, havendo a esperança de uma retoma desportiva em abril, sob pena de anulação das provas desta época desportiva.

A ideia passa por retomar as competições distritais porque, “se não forem retomadas, as provas são anuladas”, face à legislação em vigor. “Isso implicaria deitar fora mais de 200 e tal jogos já realizados”, disse Francisco Jerónimo ao nosso jornal, tendo feito notar que a decisão final será avaliada com os clubes, para se decidir o que e como fazer.

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Após a declaração de António Costa de apresentação do plano de desconfinamento, anunciada para 11 de março, Francisco Jerónimo disse que a direção da AFS vai convidar os dirigentes dos clubes para uma reunião geral de onde, e em articulação com a Federação Portuguesa de Futebol, sairão as decisões sobre a eventual retoma dos campeonatos em abril a par de uma reformulação das competições.

Até ao dia 15 de março estão suspensos todos os jogos da Associação de Futebol (AF) de Santarém. Foto arquivo: mediotejo.net

Apesar de problemas financeiros e desportivos gerados pela pandemia que recaíram sobre os clubes, abril poderá ser mês de um efetivo desconfinamento desportivo e, quem sabe, de abertura gradual das competições e espetáculos desportivos ao público.

Federações desportivas apresentam proposta conjunta ao Governo

As federações de andebol, futebol, basquetebol, patinagem e voleibol apresentaram no final de fevereiro um documento com uma série propostas para que o desporto possa ser integrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Lembrando o peso do desporto na economia europeia (2,12% do PIB da União Europeia) e as 736.425 pessoas ligadas à atividade em Portugal por época, as cinco federações lançam um apelo ao Governo para “recuperar Portugal construindo o futuro com o Desporto”.

Nesta primeira proposta, o grupo de federações pede ao Governo que “crie um fundo especial de apoio ao desporto para apoiar a revitalização financeira dos clubes e associações desportivas devido ao impacto da pandemia da doença covid-19”.

Com esta proposta deseja-se, entre outros, que sejam apoiadas a retoma da atividade dos clubes e a recuperação de praticantes, assim como o desenvolvimento de uma campanha nacional “de sensibilização e mobilização para o regresso da prática desportiva em segurança”.

Os proponentes pedem ainda ao Governo que “inclua na dimensão estruturante do PRR da transformação digital um projeto de transformação nas entidades com responsabilidade na promoção e desenvolvimento desportivo”.

No pilar da sociedade e inclusão, as federações requerem que seja implementado “um plano integrado para a atividade física e desportiva em estreita colaboração com as autarquias, as federações desportivas e os diferentes níveis de ensino (secundário e superior), incluindo as pessoas com deficiência”.

As federações pretendem que exista um programa de iniciação à prática desportiva nas escolas do 1.º ciclo do ensino básico.

Ainda dentro deste terceiro pilar, as cinco federações consideram que seria importante a criação de “um programa que promova o emprego para jovens licenciados na área do desporto”, “favorecendo a profissionalização do movimento desportivo”, com “um imperioso alívio fiscal no desporto”.

Por fim, na área do conhecimento, os proponentes pretendem que se crie uma agenda de investigação científica na área do desporto e um programa nacional de formação para os recursos humanos voluntários da área de desporto”.

Os signatários lembram ainda a resiliência do movimento desportivo durante a pandemia, recordando que “tem dado sucessivas provas de empenho, resiliência”, e que “esgota as palavras na solicitação de apoios concretos para tão fundamental setor da vida dos portugueses”.

Lamentando que no PRR não haja “nenhuma referência direta e especifica ao desporto”, as federações consideram que “o Desporto é um pilar essencial, como outros, no atingir de um ser humano melhor e de uma melhor sociedade”.

Francisco Jerónimo é presidente da AF Santarém desde janeiro de 2012. Foto: mediotejo.net

As cinco federações recordam ainda que o apoio a importância do desporto está inscrita na Constituição e que tem sido refletida por várias instituições internacionais, como o Parlamento Europeu ou a ONU.

Os exemplos de outros países, como Espanha, França e Itália, em que o apoio ao desporto foi colocado no PRR também é salientado pelos signatários.

O documento tem sido criticado pelas estruturas desportivas nacionais, nomeadamente Comité Olímpico de Portugal (COP), Confederação do Desporto de Portugal (CDP) e Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), por excluir recomendações de Bruxelas e objetivos da Estratégia Portugal 2030, nos domínios da atividade física e desportiva das populações.

O PRR de Portugal, para aceder às verbas comunitárias pós-crise da covid-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, num total de 13,9 mil milhões de euros em subvenções.

Depois de um rascunho apresentado à Comissão Europeia em outubro passado e de um processo de conversações com Bruxelas, o Governo português colocou em consulta pública, até segunda-feira, a versão preliminar e resumida do PRR, no qual estipula “19 componentes, que integram por sua vez 36 reformas e 77 investimentos”.

O executivo justifica que, “com base no diagnóstico de necessidades e dos desafios”, foram definidas três “dimensões estruturantes” de aposta – a da resiliência, da transição climática e da transição digital -, às quais serão alocados 13,9 mil milhões de euros em subvenções a fundo perdido das verbas europeias pós-crise.

Previsto está que a maior fatia (61%) das verbas do PRR se destine à área da resiliência, num total de 8,5 mil milhões de euros em subvenções e de 2,4 mil milhões de euros em empréstimos.

Secretário de Estado espera regresso normal da formação com vacinação prevista

O secretário de Estado da Juventude e Desporto (SEJD), João Paulo Rebelo, disse em Santarém, no dia 12 de fevereiro, ter a esperança que os escalões de formação possam começar normalmente na próxima temporada, caso a vacinação decorra como o esperado.

“Se forem cumpridos os prazos de entrega das vacinas pelas farmacêuticas, e com a premissa que no verão grande parte da população já esteja vacinada, a expectativa é que o desporto possa estar em funcionamento mais ou menos em pleno a tempo de pensarmos começar a época desportiva [2021/2022]”, destacou o SEJD, João Paulo Rebelo, durante o ‘webinar’ ‘Desporto em tempos de pandemia’, organizado pela Federação Distrital do PS de Santarém e pela Federação Distrital da JS de Santarém.

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo. Foto: mediotejo.net

Referindo-se aos escalões de formação, o governante disse ainda esperar que estes tenham o seu início normal entre setembro e outubro, mas salientou que tem a esperança de que ainda “alguma coisa possa acontecer” durante esta época desportiva.

“Tenho falado com os dirigentes das federações para apelar à criatividade”, vincou, elogiando treinadores e dirigentes que têm sido capazes “de se reinventarem e adaptarem” às circunstâncias.

O SEJD realçou ainda que os fundos europeus do próximo quadro comunitário para 2021-2027 – Portugal 2030 – vão ser essenciais para a retoma desportiva após a pandemia de covid-19.

“Já vínhamos a trabalhar antes da pandemia e esta fez-nos trabalhar com redobrado afinco. Este quadro comunitário Portugal 2030 vai ser absolutamente decisivo em muitas áreas e queremos que seja no desporto”, sublinhou.

O governante lembrou que ao contrário do anterior quadro comunitário, o próximo terá apoio para o desporto, sendo a aposta a “requalificação de infraestruturas”, tal como desde 2017 o programa do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) tem “permitido ajudar clubes de base local”.

“A diferença é que com dinheiro de um quadro comunitário estamos a muscular muito mais este programa de apoio às infraestruturas, que vai ser essencial para a retoma desportiva que nós queremos que seja atraente e chame pessoas ao desporto”, destacou.

João Paulo Rebelo salientou ainda que mesmo antes da pandemia já era objetivo do Governo de que em 2030 Portugal seja “um dos 15 países mais ativos na Europa” quanto à prática desportiva.

E acrescentou que a ambição do Governo é ainda de “fazer um pouco mais”, estando a ser preparadas um conjunto de medidas para “ajudar os clubes não só em apoio financeiro (…) mas em áreas como das finanças, em questões de matéria fiscal”.

O secretário de Estado assumiu ainda ter “absoluta consciência das dificuldades que hoje se sentem no terreno e com que os clubes se deparam”, bem como “o impacto negativo para as crianças e mais jovens” causado pela pandemia.

“É um momento de preocupação essencialmente com a nossa saúde individual, da saúde pública e saúde coletiva. É para aí que temos de canalizar os nossos esforços e temos a esperança e queremos que o desporto esteja na linha da frente e possa retomar em segurança a sua atividade o mais depressa possível”, assegurou.

Questionado sobre a denominada “bazuca europeia”, João Paulo Rebelo explicou que esta terá “efetivamente dinheiro, fundos e recursos para o desporto”.

“Quanto ao dinheiro da bazuca, o desporto terá oportunidade de se candidatar nos diversos pilares que estarão à disposição. Vai haver oportunidade para formação e o desporto pode ir a esses financiamentos para a formação e capacitação dos seus dirigentes ou atletas”, apontou.

Instado a abordar ainda o desporto escolar, o secretário de Estado referiu que têm sido dadas “cada vez mais horas, mais ferramentas e recursos” a esta atividade, o que tem permitido “dar uma maior experiência aos mais jovens”.

“O desporto escolar está incluído no tal conjunto de medidas que queremos apresentar em breve. Neste momento temos algumas ideias, mas queremos reforçar a aposta”, garantiu.

Covid-19/Um ano | Desporto foi da suspensão à retoma sob restrições

O desporto foi totalmente suspenso poucos dias depois da confirmação dos primeiros casos de infeção pelo novo coronavírus em Portugal, em 02 de março de 2020, retomado depois a atividade sob fortes restrições e não sem atribulações.

As repercussões da covid-19 no desporto nacional começaram a sentir-se de imediato, com o cancelamento da edição dos campeonatos internacionais de Portugal de badminton, que deveriam ter sido disputados nas Caldas da Rainha, mas que foram só os pioneiros de muitas outras competições suspensas ou adiadas.

Bastaram 10 dias após a deteção dos dois primeiros infetados, no Porto, para as competições serem suspensas, em 12 de março, um dia depois da declaração de pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sem que tivessem sido disputadas à porta fechada, como inicialmente definido pelas estruturas federativas, que tinham também ‘proibido’ os cumprimentos antes dos jogos.

Antes, já 27.ª edição da Algarve Cup de futebol feminino tinha ficado ‘amputada’ da final, com a declaração da derrota da Itália, face à Alemanha, para permitir o regresso das transalpinas, devido à supressão de voos, numa altura em que o país era o ‘epicentro’ da pandemia.

O ‘vazio’ pandémico começou a ganhar forma em 17 de março, com o adiamento para 2021 do Euro2020, que deveria decorrer entre 12 de junho e 12 de julho e no qual a seleção portuguesa defende o título, e atingiu o pico no dia 23, após idêntica (e inédita) decisão para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tóquio2020.

Em Portugal, o futebol terminou a ‘quarentena’ 87 dias depois, em 03 de junho, com o jogo entre Portimonense e Gil Vicente, a primeira das 90 partidas das 10 últimas jornadas da edição de 2019/20 da I Liga, disputadas sem público.

A retoma da I Liga e a disputa da Taça de Portugal foram decididas pelo Governo em 30 de abril, mediante a aprovação de um plano sanitário da Direção-Geral da Saúde (DGS) e após uma ‘cimeira’ que reuniu o primeiro-ministro, António Costa, e os presidentes de Federação Portuguesa de Futebol, Liga de clubes, Benfica, FC Porto e Sporting.

Fernando Gomes, presidente da FPF. Foto: DR

Suspensa desde o ‘longínquo’ dia de 08 de março, a I Liga portuguesa foi retomada, seguindo um exigente protocolo sanitário, com imagens inéditas no futebol português: treinadores (e suplentes) de máscara, ausência de cumprimentos entre os jogadores – e alguma hesitação nos protagonistas, confrontados com a ‘nova normalidade’ — e um minuto de silêncio, cumprido em rigoroso distanciamento, num círculo no centro do relvado, em memória das vítimas da covid-19.

A retoma foi um exclusivo da ‘elite’ do futebol, o que permitiu a promoção antecipada de Nacional e Farense ao principal escalão, enquanto todas as outras modalidades coletivas ficaram com os historiais referentes à época em branco.

E não foram só as modalidades de pavilhão a ‘sofrer’ com a pandemia: o Estoril Open de ténis e o Rali de Portugal são dois exemplos de provas emblemáticas que ficaram por realizar, ao contrário do que aconteceu com a Volta a Portugal, ‘adaptada’ a uma edição especial, mais curta, e fora das datas habituais, que consagrou Amaro Antunes (W52-FC Porto) em 05 de outubro.

Com o aproximar do verão, as restrições atenuaram-se e, já com a bola a rolar, um pouco por toda a Europa, Lisboa ‘lucrou’ com a decisão da UEFA de concluir a Liga dos Campeões numa inédita ‘final a oito’, em campos neutros e em apenas um jogo, anunciada em 17 de junho.

A ‘Champions’ viria a consagrar os alemães do Bayern Munique pela sexta vez, em 23 de agosto, já depois de serem atribuídas a Portugal a organização de etapas dos campeonatos do mundo de Fórmula 1 e MotoGP.

O Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, foi o ‘palco’ dos triunfos do britânico Lewis Hamilton (Mercedes) na classe ‘rainha’ do automobilismo, perante cerca de 27.500 espetadores, em 25 de outubro, e do português Miguel Oliveira (KTM) nas duas rodas, em 15 de novembro, já com as bancadas vazias, depois de forte polémica pelos ‘excessos’ do público na F1.

Enquanto isso, já decorriam, novamente, todos as competições seniores — o desporto para os mais jovens está parado desde março de 2020 —, com um verdadeiro ‘contrarrelógio’ das provas futebolísticas, fruto do início tardio, em 18 de setembro, de modo a encaixar no calendário campeonatos nacionais, competições europeias e taças nacionais, a tempo do Euro2020 e da Copa América.

Desde então, com mais ou menos casos e vários jogos adiados, as competições têm decorrido na normalidade possível, quase sempre sem espetadores — as exceções foram alguns testes-piloto, competições nos Açores e a Fórmula 1, esta última que ditou o encerramento praticamente total das portas ao público.

Um ano depois, após a terceira vaga, e num cenário de novo confinamento e incerteza, apenas podem decorrer as competições coletivas de primeiro escalão ou equiparadas, tendo voltado a suspensão das provas secundárias e de dimensão regional, sem esquecer as corridas velocipédicas.

O MotoGP e, provavelmente, a Fórmula 1 vão voltar ao Algarve, mais uma vez depois da reorganização dos calendários dos campeonatos de 2021.

C/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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