Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Francisca Dias: dos sabores tradicionais de Mação à cozinha infernal de Ljubomir Stanisic

A vencedora do Hell's Kitchen Portugal, da SIC, tem as suas raízes na aldeia do Pereiro, em Mação, e crescer ali deu-lhe competências diferentes no concurso. Apaixonada pelos tachos desde pequena, a família reconhece-lhe a persistência em alcançar os seus sonhos. Francisca vive agora uma nova aventura, trabalhando num dos restaurantes do chef Ljubomir Stanisic.

É de Mação, mas reside há alguns anos na capital. A ‘sous chef’ Francisca Dias, de 29 anos, conseguiu prender o país, que esteve de olhos postos na sua prestação no “Hell’s Kitchen Portugal”, na SIC, concurso que venceu este domingo, dia 6 de junho. Desde cedo foi apontada como a concorrente com mais potencial para vencer o concurso na cozinha liderada pelo temível chef Ljubomir Stanisic – que conquistou logo no primeiro episódio, com umas Bochechas de porco coreanas com puré de cherovia, pickle de rabanete e coentros. Com ajuda da irmã mais nova, Maria, o mediotejo.net foi conhecer um pouco mais sobre a jovem que, além de cozinheira de mão cheia desde os tempos de criança, carrega na alma e no coração a paixão pelas suas raízes.

- Publicidade -

Desde muito jovem que se aventura entre tachos e panelas. Gostava de ir escolher os melhores ingredientes frescos à horta, ou auxiliar nas matanças do porco em casa dos avós, tendo começado entre os 8 e os 9 anos a cozinhar alguns pratos. “A primeira confeção, assim em grande, foi um cozido à portuguesa para nós todos lá em casa, tinha ela 12 anos”, conta a irmã, Maria Dias.

Natural de Mação, Francisca tem as suas raízes na aldeia do Pereiro, e crescer ali deu-lhe conhecimentos e competências diferentes das dos seus colegas de concurso.

- Publicidade -

Francisca é a irmã do meio, sendo que o trio se completa com Tânia e Maria. Tem muitos primos e tios com quem cresceu, e convive com todos na aldeia, sempre que pode. À mesa, claro, sendo todos apreciadores de um bom prato típico e de um petisco… “É de família”, admite a irmã mais nova de Francisca.

“Ela adora a terra e crescer no campo foi incrível, pois tem-se outra liberdade que não há nas cidades. Brincar ao ar livre, ir à horta, andar descalça…”, aponta Maria, lembrando o dia-a-dia passado com as irmãs e os primos.

Créditos: SIC/Impresa

A avó Graça é a figura que mais a marcou e influenciou, uma vez que foi com a avó materna que tomou o gosto à cozinha e com ela foi aprendendo a escolher aromas, sabores, temperos e segredos.

Os dotes da mãe também são sobejamente reconhecidos em Mação, uma vez que confeciona iguarias típicas da doçaria regional, como bolos fintos, biscoitos, compotas e doces. Era comum encontrá-la nos mercados locais que se realizavam ao domingo, com produtos regionais no Pinhal Interior Sul.

Francisca guarda com especial carinho as recordações das matanças do porco e das festas de verão, sendo certo que na matança estava sempre na primeira fila para aprender. Era mão-de-obra voluntária para o desmanchar do porco e posterior confeção à antiga dos enchidos para o fumeiro.

Créditos: SIC/Impresa

Destemida desde pequena, a família reconhece-lhe a persistência em alcançar os seus sonhos. “A Francisca é uma mulher de garra e que nunca baixa os braços a nenhum desafio que lhe apresentam. Mas é também uma pessoa bondosa e amiga do seu amigo. Adora ajudar os outros”, diz Maria.

Sabendo que a irmã quer muito alcançar sucesso a nível pessoal e profissional, Maria afirma que sente muito orgulho no percurso de Francisca e reconhece-lhe a força de vontade e a destreza para alcançar novos objetivos. “É uma pessoa linda, tenho muito orgulho nela”, diz, para depois lembrar que é “incrível” ser sua irmã, mais ainda quando precisa de uma ou outra dica de culinária.

“Adoramos ver a Francisca na televisão. Ficamos todos agarrados, sem sair de lá um minuto. Eu acabo sempre por ver duas vezes, porque gosto de absorver todos os pormenores e há coisas que nos escapam à primeira. A família tem adorado acompanhar a prestação da Francisca e apoia-a muito.”

Cisca Massala, uma aventura empreendedora que partiu de uma insónia

Foto: DR

Gosta de cozinhar tanto carne como peixe, mas é mais virada para salgados. Não quer isto dizer que não se distinga igualmente bem na doçaria e pastelaria.

A tradicional gastronomia maçaense também a inspira, sendo que foi aproveitando as dicas e receitas da avó materna para apurar os seus cozinhados e criar as suas próprias receitas e métodos.

Num cozinhado seu não podem faltar temperos e ervas aromáticas, e se há coisa que adora é cozinhar para a família e amigos, sendo que o feedback costuma ser bastante positivo.

Durante a pandemia, altura em que ficou desempregada, lançou-se a criar um inovador conceito de temperos e conservas, onde algumas das iguarias que confeciona podem chegar à mesa de qualquer pessoa, de norte a sul do país, com envios por correio ou até entregas em mãos pela própria.

Bochechas de porco coreanas, ou as Bochechas do Inferno, como Francisca lhe chamou, foi o prato de assinatura que apresentou a Ljubomir Stanisic no arranque do programa. Contém alguns dos ingredientes e toques que inclui nas conservas e temperos do Cisca Massala. Créditos: SIC/Impresa

É este o conceito do Cisca Massala, uma ideia que nasceu durante uma noite de insónia. Acabou por fazer uma direta, de papel e caneta na mão, juntando anotações e conjugações do que poderia vir a ser o negócio.

“Cisca” refere-se à forma como Francisca é carinhosamente tratada por familiares e amigos, e “massala” (que também pode ser masala) significa mistura de temperos e especiarias, designação típica da cozinha indiana, por exemplo. 

Sempre em busca de sabores novos, visitou já vários países na Europa e na Ásia, escolhendo os destinos quer pela sua cultura quer pela gastronomia. “Gosta muito de falar com os locais para saber mais sobre os seus usos e costumes”, desvenda a irmã mais nova de Francisca.

Não há nada que seja incapaz de comer ou beber e um dos seus pratos favoritos é Chanfana de cabra velha.

Créditos: SIC/Impresa

Não só o gosto pela cozinha se partilha na família. A música também é algo que diz muito a Francisca, que tocou Clarinete e Saxofone na Sociedade Filarmónica União Maçaense (SFUM), local que frequentou desde os seus 9/10 anos e que, por força da vida profissional, teve de abandonar, por não conseguir estar presente como gostaria.

Maria, a mais nova das irmãs, licenciou-se em Música na Escola Superior de Música de Lisboa, certamente muito influenciada pela irmã do meio. Mas Francisca desde cedo entendeu que iria enveredar pela área da cozinha, tendo feito a Licenciatura em Produção Alimentar em Restauração na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.

Francisca com o chef João Rodrigues, com quem trabalhou dois anos e a quem diz dever tudo o que sabe sobre cozinha. Foto: DR

O seu percurso profissional – já conta com 7 anos de carreira no mundo da cozinha – começou logo após findar o curso superior, levando-a sítios distintos e a diferentes áreas. Passou por restaurantes asiáticos antes de chegar ao Feitoria, restaurante com uma estrela Michelin em Lisboa, e que foi o que mais marcou a sua aprendizagem. Aí trabalhou com o chef João Rodrigues – que veio a servir numa das provas do programa, com “um prato especial”, como afirmou na altura, para o homem que lhe ensinou tudo o que sabe.

Do Feitoria foi indicada para o Rossio Gastrobar, mas a pandemia ditou a redução extrema de atividade e, com isso, o desemprego.

Francisca é casada com Tânia Semedo, e foi esta que assumiu um papel preponderante na entrada da jovem ‘sous chef’ no programa de domingo à noite da SIC. Casadas desde outubro de 2020 e com uma filha de 6 anos, foi Tânia quem a inscreveu no ‘Hell’s Kitchen Portugal’, desafio que a cozinheira agarrou com unhas e dentes.

Créditos: SIC/Impresa

No vídeo de apresentação, Francisca foi clara nas suas convicções. “O mais importante num cozinheiro é gostar de comer, para que as coisas que faça seja com paixão. E eu acho que sou uma cozinheira apaixonada”, afirmou, para depois marcar posição. “Não vou admitir que me pisem. Se me tentarem pisar, eu piso por cima. Sou osso duro de roer.”

A sua resistência, aliada à desenvoltura no processo de confecção e preparação dos pratos, bem como o facto de se demonstrar metódica e prática, tem-lhe valido sérios elogios por parte de Ljubomir Stanisic – sucedeu com um simples arroz branco, que Francisca transformou numa explosão de diferentes sabores e ingredientes, conquistando de novo o chef do restaurante 100 Maneiras. “Genial, Francisca! Espectacular!”, disse o chef, pouco dado a elogios…

Devido ao sucesso que fez no programa, Francisca partilhou a receita no Instagram:

Receita do arroz branco à moda da Francisca
Fazer um caldo com chalota, alho, alho francês, citronela, gengibre e cebolo.
Picar chalota e alho, refogar bem em óleo de coco.

Refogar bem o arroz e colocar sal, por cada medida de arroz thai um litro e meio de caldo.
Quando a água começa a evaporar, tapar e pôr no mínimo até estar pronto.
Colocar gordura do leite de coco, mexendo bem. Finalizar com cebolo, malagueta, raspa de lima e nougat de amendoim picado.
Para o nougat de amendoim:

Fazer um caramelo a seco com 250g de açúcar e colocar 200g de amendoin previamente torrado. Deixar arrefecer e picar grosseiramente.

“Estou no Hell’s Kitchen para mostrar a garra das mulheres na cozinha”, disse Francisca, logo no vídeo de apresentação enquanto concorrente, algo a que tem feito jus ao longo da prestação.

Créditos: SIC/Impresa

Francisca personifica o amor à jaleca, com humildade mas também audácia. Tem conseguido destacar-se profissionalmente, e a participação no ‘Hell’s Kitchen’ já lhe abriu novas portas: valeu um lugar na cozinha do restaurante de Ljubomir e ainda um carro topo de gama.

A comunidade maçaense já reage em peso nas redes sociais parabenizando a sua “Cisca” da aldeia do Pereiro. Se até então o concelho demonstrava apoio e aplaudia a conterrânea que levou o nome de Mação mais além, agora não os maçaenses não cabem em si de orgulho pelo feito, enquanto primeira vencedora do Hell’s Kitchen Portugal e por ter conseguido amolecer o coração ao chef Ljubomir.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome