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Quinta-feira, Setembro 23, 2021

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“Framboesas”, por Armando Fernandes

Apesar de não confiar cegamente ou de olhos abertos na Internet agradeço a sua utilidade, enorme, no tocante a informações no âmbito da agricultura e das ciências, incluindo as aplicadas. Tais informações poupam-me imenso tempo quando me ocupo de matérias-primas e produtos cuja aplicação culinária, mesmo que simples, ajuda a assinalar a sua valência no respeitante ao engenho humano no retirar suculências de gosto de tais matérias-primas e produtos. No caso em apreço, das framboesas.

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Embora um ou outro Lelo desdenhe e coloque em dúvida a existência de uma literatura gastronómica ela existe, estando patente em milhares de obras escritas ao longo dos milénios e as framboesas têm dado o seu contributo, seja na exaltação das suas virtudes alimentares, seja no dizer-se que elas satisfazem desejos capitulares a nível do imaginário erótico expresso em dezenas e dezenas de receita consideradas como tal.

Digo que a Internet constitui precioso auxiliar no escrever estas crónicas porque deixo as especificidades sobre a sua origem, espécies, cultivo, colheita, conservação e venda para a «rede», ficando a meu cargo deambulações culinárias e gastronómicas surgidas conforme a oportunidade da sazão ou da sua fruição. Foi o que aconteceu por duas vezes na semana passada.

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Com efeito, sem nada o fazer prever, tive ensejo de degustar framboesas a acompanharem linguado frito de forma a não perder sapidez. As framboesas alaranjadas serviram na categoria de guarnição, e muito bem, na segunda ocasião as framboesas eram vermelhas escuras e tornaram-se gulosas na companhia de requeijão, e noutro registo de queijo curado picante oriundo de Castelo Branco. Duas experiências a repetir.

No domínio da cozinha «amorosa» as várias variedades que podem ser compradas nos mercados são elemento primacial de sopas frias, de arranjos com fumados de peixe e carne, carnes frias bem condimentadas. Na área da pastelaria, confeitos doces e salgados, sem esquecer os gelados a par das suas parentes, as amoras, dão gosto e aromatizam tentações gulosas nos dias e noites calorentas. E sumos, e licores, e compotas, e crepes, e sorvetes ao modo antigo. E…a leitora ou leitor inventem!

MAÇANITA, Branco

Um intervalo palatal vínico provocado por uma oferta deste branco duriense, o ofertante apenas pediu uma apreciação publicada neste jornal de índole regional, mas que não perde, antes pelo contrário, de identidade nacional.

Na prova sensorial o vinho revelou-se brilhante num amarelo de seara madura após a ceifa, o nariz recebeu aromas agradáveis a fruta branca, gorda, madura, na boca salientou-se não só pela gulodice, também pela sua estrutura vigorosa, elegante, além de no acompanhamento de uma refeição composta por costeletas de sardinha numa fritura em farinha de milho, pargo assado no forno e queijo de cabra.

No meu entender o branco ora objecto de apreciação é (será) boa companhia de frutos vermelhos, peixes brancos, ovas de peixe cozidas ou grelhadas, fumados, carnes frias e queijos brancos.

Origem DOURO. Produção: Maçanita, Irmãos. Ano de colheita: 2018. Graduação: 12,5º

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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