“Fórum Ribatejo | Refletir e agir porque o Ribatejo existe”, por Matias Coelho

O Ribatejo foi banido do mapa. Agora há Médio Tejo, há Lezíria do Tejo, há Grande Lisboa. Ribatejo, não.

PUB

Mas o Ribatejo existe. Porque existe na cabeça (e em muitos casos no coração) dos ribatejanos que o têm como referência identitária. Não nos sentimos do Centro, nem do Alentejo, nem da Grande Lisboa por muito grande que ela seja. Somos ribatejanos.

O Fórum Ribatejo, criado em 2009, é uma plataforma de reflexão e ação sobre o Ribatejo que procura, de forma construtiva, manter o Ribatejo vivo e ativo, mesmo que o tenham feito desaparecer do mapa de Portugal.

PUB

Foi constituído em Alpiarça, mas poderia ter sido noutra qualquer terra ribatejana. Uma das características do Fórum Ribatejo é precisamente a sua mais absoluta informalidade: o Fórum não tem sede, não tem estatutos, não tem órgãos sociais, não tem recursos próprios nem nada de seu, não tem, em suma, existência jurídica. Mas tem princípios – a sua matriz identitária, aprovada quando da fundação –, um coordenador eleito democraticamente para um mandato de dois anos e, sobretudo, um funcionamento efetivo cujos resultados são bem visíveis, como é o caso, por exemplo, da organização, em colaboração com a Câmara Municipal de Constância, do colóquio O Ribatejo e a Grande Guerra, que teve lugar em Montalvo no sábado passado.

Basicamente, o Fórum é um grupo de amigos, homens e mulheres da maioria dos concelhos do Ribatejo que não perguntam uns aos outros a que partido político pertencem ou que convicções religiosas ou outras partilham e que têm em comum a vontade de trabalhar, refletindo e agindo, pela afirmação da identidade (ou das identidades) ribatejana(s). Funciona em rede, recorrendo às novas formas de comunicação e reúne três vezes por ano, sempre em locais diferentes da nossa região. Neste ano de 2016, essas Assembleias do Fórum aconteceram em Santarém no mês de março e em Alcanena em junho, realizando-se a próxima, que será a 21.ª da vida do Fórum, no dia 20 deste mês de novembro em Tomar.

PUB
Aspeto de uma das primeiras Assembleias do Fórum Ribatejo (Foto: Luís Romão)
Aspeto de uma das primeiras Assembleias do Fórum Ribatejo
(Foto: Luís Romão)

 

Uma das grandes tarefas que o Fórum Ribatejo assume é a realização de ações que possam contribuir para melhor conhecer, divulgar e valorizar os elementos essenciais da identidade ribatejana: a sua história, a sua cultura, o seu património, em suma, o que une os ribatejanos – apesar das divisões que sucessivas reorganizações administrativas lhes têm imposto – e os distingue dos demais portugueses. Nesse sentido, todos os anos, no início de abril, o Fórum promove a realização, na Golegã, de um Encontro de Historiadores Locais do Ribatejo em que se trocam experiências e informações sobre trabalhos em curso e se apontam temáticas cuja investigação se considera prioritária para os objetivos em vista. Em resultado dessas reuniões da primavera, realizam-se depois, no outono, colóquios temáticos nos quais que se apresentam resultados e se perspetivam novos trabalhos a desenvolver. Assim, há dois anos teve lugar no Entroncamento um colóquio sobre A História da Ferrovia no Ribatejo, no ano passado em Ourém, no âmbito do centenário das aparições de Fátima, realizou-se um outro colóquio sobre O Culto Mariano no Ribatejo e este ano, há poucos dias como se disse, assinalando os 100 anos do chamado Milagre de Tancos e da célebre Parada de Montalvo, esta aldeia do concelho de Constância recebeu o colóquio O Ribatejo e a Grande Guerra. E como a vida continua e estes eventos se programam com tempo, está já anunciado o próximo colóquio temático, sobre O Ribatejo e a 1.ª República, que irá acontecer, em 21 de outubro do próximo ano, na Quinta das Pratas no Cartaxo.

Aspeto do colóquio O Ribatejo e a Grande Guerra, em Montalvo (Constância) (Foto: Câmara Municipal de Constância)
Aspeto do colóquio O Ribatejo e a Grande Guerra, em Montalvo (Constância)
(Foto: Câmara Municipal de Constância)

              Além destas atividades regulares, o Fórum organiza ou participa noutras, como é o caso, por exemplo, do espetáculo Tejo Arriba que aconteceu, em finais de agosto, na praia doce de Salvaterra ou do Encontro de Cultura Popular do Ribatejo previsto para 24 e 25 de junho do próximo ano em Vila Nova da Barquinha.

Toda esta atividade – que, convenhamos, é vasta, diversificada e significativa –, desenvolvida por uma estrutura informal e desprovida de meios, tem vindo a afirmar o Fórum Ribatejo como uma plataforma credível, dinâmica e produtiva, empenhada na produção de conhecimento sobre a nossa região e na reflexão sobre o Ribatejo, a sua história, a sua identidade, a situação em que se encontra e o seu futuro. E que, quando lhe parecer oportuno, saberá tomar posição pública sobre as grandes questões que interessam a este vasto território de lezíria, de charneca e de bairro, central no país, nem norte nem centro, nem litoral nem interior, onde correm as nossas vidas.

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here