Quarta-feira, Março 3, 2021
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Fórum Florestal defende Plano Junker para alavancar início de uma nova era da floresta portuguesa

O presidente do Fórum Florestal criticou hoje a “precipitada aprovação de alguns documentos e propostas legislativas que se perspetivam”, tendo apelado à utilização do Plano Junker, programa comunitário para alavancar uma nova era da floresta portuguesa.

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“Conscientes da situação nacional e da exiguidade da disponibilidade financeira das medidas do quadro comunitário, deixamos o repto ao ministro da Agricultura que encontre formas de utilizar o Plano Junker para alavancar o início de uma nova era da floresta portuguesa”, pode ler-se no comunicado enviado à agência Lusa pelo Fórum Florestal, entidade federativa que representa o maior número de Associações de Produtores Florestais do país.

O mesmo responsável lembrou que “o dinheiro não é dado, é emprestado neste Plano Junker, com linhas de crédito com juros muito baixos e pagamentos dilatados no tempo e para projetos estruturantes. É o caso da floresta portuguesa, porque sem meios financeiros não haverá a reforma que Portugal necessita”.

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“Como de costume, sobre o “leite derramado”, o país prepara-se para mais uma “reanálise” da problemática dos incêndios florestais? como sempre, os argumentos do costume”, criticou António Louro, presidente da direção daquela estrutura, tendo apontado para a “insustentabilidade da paisagem rural nacional perante tão elevadas cargas de biomassa”, a “insuficiência e total ineficácia das políticas e medidas existentes para reverter ou atenuar sequer a desagregação do mundo rural”, e a “demonstração inequívoca da completa impossibilidade de controlo da situação, através da estratégia seguida pelo país da aposta no combate”, como solução para o problema dos incêndios florestais.

“A dimensão e escala do problema que enfrentamos é tal que não tem uma solução “única e milagrosa” e demorará décadas a corrigir, exigirá uma mudança profunda de atitudes, hábitos, tradições e acomodações”, afirmou, tendo observado que, “como sempre, a “mudança” causará incómodos, desconforto e até contestação”.

O dirigente defendeu a necessidade de “alterações profundas e estratégicas muitas das quais dependem exclusivamente do poder político”.

António Louro, engenheiro de formação, e presidente também da AfloMação, Associação de Produtores Florestais do Concelho de Mação, disse ainda ser “com enorme preocupação” que se assiste à “tentativa de responder a uma tão complexa e grave situação através da precipitada aprovação de alguns documentos e propostas legislativas que o governo vinha preparando e outras que entretanto alguém atabalhoadamente preparará”.

António Louro afirmou que tal situação não será aceitável.

“Não, não podemos aceitar, já aconteceu vezes demais ao longo das últimas décadas, após os anos em que Portugal sofreu com maior violência o efeito dos grandes incêndios florestais. Vimos acontecer esta precipitação na análise e a resposta ligeira, depois de muitas promessas, em 1991, 1995,1998, 2003, 2005, 2013 e 2016”, vincou, tendo defendido que “este tem que ser o momento de viragem efetiva das políticas nacionais para o mundo rural”.

Segundo lembrou aquele responsável, a floresta portuguesa “não é só negligência e incêndios florestais, é também fonte de criação de riqueza e representa cerca de 5% do PIB, mais de 9% das nossas exportações e quase 90.000 postos de trabalho, sendo fulcral para o desenvolvimento económico” de Portugal.

No entanto, observou, “no terreno, os proprietários, desesperados e aflitos, começam a tentar vender, agora por um preço justo, amanhã por qualquer preço, a madeira das árvores mortas a madeireiros que vão ganhar muito bom dinheiro, pois irão vende-la quase ao mesmo preço da madeira verde às indústrias que irão criar produtos que venderão ao mesmo preço de sempre, ganhando mais do que de costume”.

Segundo Louro, no território, todavia, “tudo fica mais pobre, a floresta que contribuía com empregos e riqueza para a economia local desapareceu? o pouco dinheiro da venda das árvores queimadas? desaparecerá depressa? Não havendo mais madeira para cortar desaparecem os madeireiros e depois algumas indústrias também. Não havendo economia? desaparecem os empregos, não havendo empregos desaparecem os poucos jovens que ainda restavam? a aldeia fica ainda mais vazia e tudo fica mais pobre e abandonado”.

O presidente do Fórum Florestal lembrou ainda que, “num tempo em que os serviços do estado abandonaram há muito o território, as estruturas associativas dos proprietários possuem hoje um conhecimento do terreno e uma capacidade técnica que o Pais não pode desperdiçar”, tendo concluído ao afirmar que “a dimensão da tragédia é, desta vez, demasiado grande para que tudo fique na mesma”.

Agência de Notícias de Portugal

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