“Floresta. A que temos, a que queremos e a que o futuro nos reserva”, por Patrícia Fonseca

A floresta que temos:

PUB

Portugal tem cerca de um terço da sua área ocupada com floresta, outro terço são áreas de matos e pastagens e o restante é explorado com culturas agrícolas (24%), e áreas urbanas. O terço que é floresta tem 3 espécies dominantes, em partes mais ou menos iguais, com eucalipto (26%), sobreiro (23%) e pinhal bravo (23%). Grande parte da área ardida ou cortada, por falta rentabilidade, é deixada por explorar, o que levou ao aumento das áreas de matos actualmente existentes. Por outro lado, a reduzida dimensão da propriedade e a cada vez maior desertificação das zonas rurais faz com que não seja rentável aos proprietários investir em nova floresta. Todos os anos ardem milhares de hectares mas cerca de metade da área ardida é de matos e não de floresta.

A floresta que queremos:

PUB

Todos queremos uma floresta produtiva, numa paisagem ordenada, no tão apregoado ‘mosaico agroflorestal’ que cria descontinuidades essenciais para prevenir o fogo. Mas para que seja produtiva e rentável, a floresta tem de ter dimensão, pelo que os proprietários têm de ser estimulados a investir e a organizar-se, com incentivos fiscais e isenções de taxas. Por isso mesmo o CDS apresentou por duas vezes no Parlamento uma proposta de criação de uma Conta de Gestão Florestal, que era não mais do que uma dedução fiscal das despesas com o investimento na floresta, elegível a TODOS os proprietários, mesmo aos que têm menor dimensão e que por isso não têm contabilidade organizada (85% dos prédios têm menos de 3 hectares). Por duas vezes foi chumbada por todos os partidos da esquerda! Ao falarmos de rentabilidade da floresta, não podemos deixar de falar no eucalipto. Nessa árvore tão amada por uns e tão odiada por outros! Mas, se pensarmos que um qualquer proprietário que plante eucalipto tem o retorno desse investimento ao fim de 10-12 anos, com pinhal bravo ao fim de 40 e com sobreiro só a partir dos 50-60, percebemos como, mesmo e sobretudo, nos proprietários de menor dimensão, é importante ter uma parte da floresta a gerar rendimento mais depressa para poder investir na restante!

A floresta que vamos ter:

PUB

Com a tão falada “Reforma Florestal”, da qual 5 diplomas estão agora na Assembleia da República para serem discutidos na especialidade pelos deputados e que segundo o Governo, é fruto de “amplo debate, muito consensual e participado” mas que objectivamente é criticada por todos, creio que, infelizmente, chegaremos daqui a uns anos a uma situação pior, bem pior que a actual. A proibição de plantação do eucalipto, fruto de uma cegueira ideológica d’ Os Verdes, imposta como condição para apoiar o Governo e aceite por um candidato a Primeiro Ministro que não conhece nem valoriza a floresta e o mundo rural, irá impedir que os tais pequenos proprietários consigam o seu ‘pé de meia’ para investir noutras espécies; os incentivos fiscais propostos só vão beneficiar os maiores (porque têm contabilidade organizada) e a obrigatoriedade de transposição dos PROF’s para os PDM vai criar 308 instrumentos de gestão territorial tão diversos quanta a diversidade de sensibilidade dos 308 autarcas, que terão a discricionariedade de decidir.

No Médio Tejo, onde a área de floresta é significativa, temos tido muitos bons exemplos de uma boa gestão florestal, fruto de um importante e prolongado trabalho de autarquias e Associações de Produtores. Esperemos que esta política não venha deitar tudo a perder!

 

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

pub
Artigo anteriorFutebol | INATEL – Taça Amizade – Final
Próximo artigoVN Barquinha | Saiu-se à rua para comemorar a Liberdade
Tem 46 anos e foi eleita deputada à Assembleia da República pelo CDS-PP pelo círculo eleitoral de Santarém, cidade onde reside. Integra a Comissão de Agricultura e Mar, da qual é coordenadora, a Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação e é ainda suplente na Comissão de Saúde. Engenheira Agrónoma de profissão, iniciou a sua carreira profissional na Agroges - Sociedade de Estudos e Projectos, foi Secretária Geral da Associação dos Agricultores do Ribatejo, docente convidada na Escola Superior Agrária de Santarém nas áreas de economia agrícola e adjunta do Gabinete de Assunção Cristas quando era Ministra da Agricultura e Mar. A vida política surgiu naturalmente pelo seu percurso profissional nos domínios da política agrícola nacional e comunitária aliado ao valor que o CDS sempre deu à agricultura e à importância deste sector da economia na nossa região.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here