“Flores”, por Armando Fernandes

Por esquecimento ou falta de hábito, as artes culinárias e, consequentemente a gastronomia em Portugal, concedem às flores diminuta expressão (???)  e representação nas receitas, quanto muito ténues vestígios em saladas, infusões e decoração dos pratos. Conhecemos a flor de laranjeira, a flor de limoeiro, as papoilas e pouco mais.

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E, no entanto, desde a Antiguidade as flores faziam parte por direito próprio quer no domínio dos condimentos, quer na área dos ingredientes que contribuíam para a construção do preparo, por isso mesmo mereciam a continuada procura do apuramento das suas qualidades por parte de jardineiros, hortelões, viveiristas e agricultores.

Os romanos são referência primacial no que tange ao emprego de flores em estufados, guisados, assados, fritos e cozidos. O célebre livro de receitas de Apício anota flor de manjericão nos picados de carne e pétalas de rosa com mioleira, no tocante a vinhos aromatizavam-nos empregando pétalas de violetas e de rosa. O costume da aromatização dos vinhos persistiu e persiste. Acredito que alguns leitores sabem muito bem do que falo/escrevo e mais não digo!

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É nas cozinhas orientais, do próximo ao extremo oriente passando pelo médio que as flores conhecem maior expressividade, desde a libanesa da martirizada Beirute até às sofisticadas cozinhas do Extremo que os perfumes e sabores florais atingem a plenitude – a cozinha coreana das cores, a do pato lacado e sopas para além da multiplicidades regionais chineses e dos arrozes japoneses – adicionam flores a centenas de pratos conferindo-lhe sabores excelsos a ficarem na nossa memória como exemplo de gozos sensoriais.

As leitoras amigas de surpreenderem positivamente a família e as amizades por que têm talento no primado dos fogões tentem conceber um polme fino de farinha e fritem flores de acácia, abóbora, sabugueiro ou jasmim, sirvam estas flores dentro do vosso parecer de forma a pedirem opinião acerca da especialidade apresentada.

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As flores de abóbora comem-se recheadas, as de alho, de jasmim e hibisco temperam manteigas, a flor da nossa conhecida hortelã concede sainete a peixes e aves.

A pandemia alarmou-nos e continua a meter medo, por isso não podemos andar a toda e hora e momento nas catedrais de consumo. Porém podemos esmiuçar os alegretes e jardins pessoais bem como os campos nos quais abundam flores, sendo assim, e é, preconizo a colocação da máscara e a cata de flores no sentido de as mesmas proporcionarem alegria aos vossos comeres.

De experimentação em experimentação a pesquisa irá render sabores diferentes nas saladas, nos caldos ou sopas, nos recheios de carne e de peixe, nas compotas e doçaria quebrando a monotonia do fazer comeres dia após dia.

Porque o vinagre altera a cor das flores, as mesmas nas saladas e decorações ganham alacridade colocadas nas receitas em último lugar.

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