Festival Materiais Diversos leva dança, teatro e música a Minde, Alcanena e Torres Novas

O festival Materiais Diversos (fMD) começa hoje, levando, até dia 24, uma dezena de espetáculos de dança, teatro e música a palcos de Minde, Alcanena e Torres Novas, num programa que conta com cinco estreias.

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Num formato que inclui uma Escola de Verão para a “comunidade artística emergente”, orientado por Marcelo Evelin e com a participação do grupo de investigação “Sintoma”, aulas diárias, uma mesa redonda sobre artes performativas e um encontro sobre “comunidades em devir”, o fMD decorre este ano sob o tema-chave “Excepcionalmente Comum”.

A diretora artística do FMD, Elisabete Paiva, explica a escolha do tema pela conotação “bastante positiva” de uma intervenção sobre as comunidades locais que o festival tem vindo a desenvolver desde 2009, conjugando com a exibição de produções artísticas de nomes consagrados (nacionais e estrangeiros), e que quer mais virada para o futuro.

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“Queremos muito pensar as comunidades, não muito voltados para trás, só a partir das questões da identidade e da geografia, mas, em particular, sobre que comunidades é que as pessoas desejam, que comunidades é que estão a emergir que são diferentes nesta era da globalização, com esta grande mobilidade que temos, quer física quer digital”, disse Elisabete Paiva à Lusa.

O programa do Festival Internacional de Artes Performativas Materiais Diversos arranca no cineteatro S. Pedro, em Alcanena, com “A Banda – Dança para músicos”, resultante do trabalho desenvolvido pela coreógrafa Clara Andermatt e pelo compositor João Lucas, com a centenária Sociedade Musical Mindense.

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Relacionado com a “natureza do trabalho” e o que “pode ser comum entre amador e profissional”, o tema do espetáculo servirá de mote para o debate que vai decorrer ao longo de todo o dia de sexta-feira, no Centro de Ciência Viva do Alviela, que se junta este ano às entidades parceiras e onde se encontram artistas em residência.

No mesmo dia, ao final da tarde, Flora Détraz estreia “Tutuguri”, uma “dança sonora” que “explora a dessincronização entre micro movimentos e sons”, fazendo “surgir personagens que podem criar todo um Universo”.

À noite, a ‘performer’, atriz, encenadora e pesquisadora Raquel André, atualmente em residência artística em Minde, apresenta “Coleção de Amantes”, o trabalho de “ficcionar intimidades”, que tem vindo a realizar em vários países e no qual vai integrar os encontros que tem mantido num apartamento de Minde com “amantes” do Médio Tejo que aceitaram integrar a sua “coleção” e que é uma “reflexão sobre os limites entre o privado e o público, sobre memória e expectativa”.

Com apresentações sábado e domingo, no Mercado do Peixe, em Torres Novas, o coletivo italiano “Zimmer Frei” apresenta o documentário que resultou da recolha de memórias e rotinas realizada com famílias de Torres Novas, no âmbito de um projeto que envolve oito cidades europeias e que procura “obter uma imagem das novas constelações familiares na Europa” que foge das estatísticas e procura os “saberes e valores históricos, passados de geração em geração”.

Filipa Francisco estreará o seu novo projeto “Espiões”, no sábado, no Teatro Virgínia, também em Torres Novas, “sobre a comunidade da dança” e o “património ímpar na memória muscular e afetiva dos coreógrafos e intérpretes” envolvidos no projeto.

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No dia 22, Sarah Vanhee e Anabela Almeida irão aparecer, sem aviso prévio, em reuniões e assembleias que decorram na região para falarem “livremente sobre a condição do comum”, evitando a “linguagem impessoal” que marca o discurso da atualidade, experiências que partilharão em sessão pública, ao final da tarde, no Café-concerto do Teatro Virgínia.

No mesmo dia, à noite, no Teatro Virgínia, Catarina Miranda apresenta o espetáculo de dança “Boca Muralha”, última peça de uma trilogia que aborda o exercício da violência e do poder e que entra no território jurídico da lei e do castigo.

O programa – disponível em http://www.materiaisdiversos.com/index.php/festival/sobreofestivalmateriaisdiversos – inclui uma peça de teatro, “Habras de ir a la guerra que empieza hoy”, de Pablo Fidalgo Lareo, dia 23, na Fábrica de Cultura de Minde, culminando dia 24 com a estreia nacional do espetáculo de dança “La Esclava”, um trabalho sobre a identidade feminina das coreógrafas Ayelen Parolin e Lisi Estaràs.

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