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Sexta-feira, Maio 14, 2021

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“Festas dos pinhões em Ourém”, por José Alho

Em certas freguesias de Ourém, a Norte deste nosso Médio Tejo, também nos meses frios de Janeiro e Fevereiro decorrem festas populares idênticas às que se realizam no Verão, mas tendo como elemento nuclear o pinhão.

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Os pinhões vendidos nesses festejos são sementes de Pinheiro Manso ou “Pinheiras Mansas”, como são localmente conhecidos.

Depois de recolhidos e torrados de acordo com métodos ancestrais tornam-se símbolos incontornáveis nessas festas religiosas, num equilíbrio interessante entre o pagão e o sagrado.

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Os padroeiros destas festas são o Santo Amaro, a Nª. Senhora das Candeias e a Nª. Senhora do Livramento que conferem também o carácter religioso a estas festividades.

Estes fenómenos populares, que são as” festas dos pinhões “, transportam uma tradição associada à mudança de ciclo agrário constituindo-se também como plataforma de venda de diversos produtos e ferramentas necessários à atividade rural como sementes, árvores, alfaias agrícolas e outros bens de consumo.

A forma equilibrada como se organizava o nosso mundo rural deve servir para retirarmos as necessárias ilações face aos constrangimentos que hoje lhe são colocados pelas alterações ao seu modelo de desenvolvimento e consequentes impactes no território e nos seus recursos naturais renováveis.

Como elemento base para a persistência destas festas dos pinhões é fundamental garantir que as suas sementes sejam produzidas, e, para isso, têm de existir exemplares de Pinheiro manso em quantidade suficiente para garantir escala de produção, mesmo sendo esta artesanal.

Com os incêndios dos últimos anos os exemplares dessa espécie passaram a ter uma ocorrência cada vez mais escassa na região o que pode comprometer a sustentabilidade da produção de pinhões e, com isso, a manutenção nos termos tradicionais desses ícones festivos e rituais de Inverno.

Para além de promover e divulgar estes acontecimentos culturais singulares urge que sejam tomadas medidas ativas para a difusão da plantação de pinheiros mansos em alternativa à expansão das monoculturas de eucalipto ou pinheiro bravo, com a garantia de que a sua rentabilidade económica seja mais bem-sucedida e que, em simultâneo, se mantém uma tradição com grande alcance e significado cultural e patrimonial.

Este é sem dúvida um aspeto prioritário a debater e a concretizar, passado que são já alguns anos sobre os dramáticos incêndios que assolaram a nossa região.

Os incêndios passaram, mas, depois do rescaldo, pouco de proactivo foi apresentado para restaurar a ocupação desse território de forma planeada e consequente!

Para prevenir é necessário trabalhar o conhecimento tradicional, envolver as comunidades e planear com os instrumentos financeiros e tecnológicos disponíveis no presente.

O ritual dos pinhões representa simbolicamente aquilo que pode ser uma interessante ponte entre o passado e o futuro desse território rural.

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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