- Publicidade -

Terça-feira, Dezembro 7, 2021
- Publicidade -

Ferreira do Zêzere | ZIF do Zêzere poderá nascer até final do ano, para uma gestão consciente da floresta

Uma Zona de Intervenção Floresta (ZIF) não é uma cooperativa, nem tão pouco as polémicas UCP (Unidades Coletivas de Produção) dos tempos pós-revolucionários. Na prática é um associação de proprietários que lutam por projetos comuns, promovendo uma gestão mais coordenada das suas propriedades, sem nunca perderem a última palavra sobre o destino dos recursos dos terrenos que possuem. A associação Florzêzere – Associação de Desenvolvimento Florestal do Concelho de Ferreira do Zêzere e um conjunto de proprietários estão a desenvolver esforços para constituir a ZIF do Zêzere, numa tentativa de aceder a fundos europeus que possam beneficiar a floresta e, pelo caminho, promover uma melhor gestão do território e combater os incêndios.

- Publicidade -

A primeira tentativa de criar uma ZIF em Ferreira do Zêzere data do início do século, recorda Teresa Cardoso, da Florzêzere, ao mediotejo.net. Por volta do ano de 2005, também depois de um período conturbado de incêndios florestais, começou a analisar-se a possibilidade de se criar uma estrutura desta natureza que melhorasse a gestão florestal do território. “Trazia bastantes vantagens”, frisa, porém à época o processo de criação de ZIFs ainda estava algo “incipiente”, pelo que não se avançou. “Há dois anos retomámos”, explica.

A ZIF do Zêzere encontra-se neste momento no seu processo de constituição, com o núcleo fundador a desenvolver ações de sensibilização e esclarecimento pelas freguesias do concelho. Há 50 proprietários atualmente agregados ao projeto, entre empresas, privados e a Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere. Um número ainda reduzido, explica a Teresa Cardoso, uma vez que para criar a ZIF é necessário abranger cerca de 50% dos espaços florestais do concelho.

- Publicidade -

Num território que é sobretudo floresta de minifúndio, constata a responsável (sem conseguir dar números da percentagem atualmente abrangida pelos aderentes), ainda há um longo trabalho a ser realizado. Fora as ações nas juntas de freguesia e uma abordagem mais informal pelas aldeias do concelho, o núcleo está a realizar também contactos com as grandes papeleiras presentes na região, a Altri e a Navigator.

Numa época em que a floresta traz pouco rendimento aos pequenos produtores, para este grupo de empreendedores a criação de uma ZIF traz sobretudo vantagens. Um dos proprietários fundadores, Carlos Queirós, destaca as prioridades nos programas europeus de apoio florestal, a melhoria da própria gestão florestal (dada a obrigatoriedade de possuir um plano de gestão florestal da ZIF), o apoio técnico especializados aos proprietários e as diversas isenções de que estes podem beneficiar, como Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e o Imposto Municipal sobre Transições (IMT).

O facto de se apostar numa estrutura que pense numa gestão coordenada entre proprietários vai ainda permitir, salientam ambos os porta-vozes da ZIF, o repovoamento, a beneficiação de caminhos, a limpeza, a rearborização, etc. Em suma, uma gestão mais profissional, mais consciente, da floresta em si, além de permitir potenciar a atividade económica de todo um conjunto de pequenas propriedades.

Tal não significa, frisam continuamente, perder a posse da terra. O proprietário mantém o domínio sobre a sua propriedade e o debate na ZIF terá que ter sempre em conta a vontade de cada aderente. Porém este compromete-se com objetivos comuns e a um programa de planeamento que deve ser respeitado. “Na pior das hipóteses, fica como está”, sintetiza Teresa Cardoso.

Dornes foi muito afetada pelos incêndios de 2017, perdendo-se muito do verde envolvente. Fotos: mediotejo.net

Neste momento a floresta ferreirense é dominada pelo eucalipto, com algumas plantações pontuais de pinheiro manso, medronheiro ou sobreiro. “O peso da união de todos, da escala, traria imensas vantagens”, reitera Carlos Queirós, nomeadamente quanto ao escoamento de produtos. Teresa Cardoso constata, por exemplo, o potencial de se aderir a projetos ligados à compensação da pegada de carbono (através da plantação de árvores) e a criação de outros mercados no território.

Para já, as sessões de esclarecimento nas juntas de freguesia têm atraído alguns curiosos e interessados no projeto, que procuram saber sobretudo a sua capacidade de atrair fundos europeus. O mito da perda da posse da terra, constatam os porta-vozes, é o que aflige a maioria. Por outro lado, “começam a aparecer pessoas mais novas, outras que vivem em Lisboa e outras que se começam a consciencializar” para a importância deste tipo de estruturas, assim como empresas ligadas à exploração florestal. “Isto é um movimento vivo e cada um de nós pode trazer ideias que trarão mais valias”, reafirma Carlos Queirós.

O objetivo do grupo é criar formalmente a ZIF até final do ano. As ações de sensibilização vão por tal continuar, passando desde as autarquias à conversa de café. Um território mais planeado, termina Teresa Cardoso, é também mais resistente a incêndios florestais. A ZIF permite melhorar práticas e aceder a apoio técnico que nem sempre está acessível ao pequeno proprietário.

Um trabalho coletivo na busca de objetivos comuns que, pelo menos deste ponto de partida e no atual cenário da floresta em Portugal, aparenta só ter vantagens a oferecer à população de Ferreira do Zêzere.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome