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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Ferreira do Zêzere | Vários avistamentos e cinco ninhos de vespa asiática prometem verão complicado

A Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere identificou até ao momento, em espaço público, dois ninhos de vespa asiática (velutina). Em espaço particular, o trabalho de identificação e eliminação dos ninhos tem sido deixado para as associações de apicultores, que frisam estar a intervir de forma ilegal e inclusive incorrendo em sérios riscos. Aqui foram identificados três ninhos da vespa, o que perfaz um total de cinco ninhos mas, garante a APIC – Apicultura, a vespa asiática é facilmente encontrada a circular.

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Com a chegada do inverno, a vespa velutina prepara-se para hibernar e a sua ação sobre as populações de abelhas vai diminuir. No entanto, alerta Ildebrando Ferreira, da APIC, uma antiga cooperativa de apicultores de Ferreira do Zêzere atualmente desativada, esta é “uma invasora que vai dar montes de problemas no próximo ano”.

Ligado neste momento à Associação de Apicultores do Centro de Portugal, com sede em Tomar, o apicultor salienta os problemas que esta espécie invasora está a causar por todo o país e a nível internacional, apontando a falta de apoio que o município ferreirense tem prestado aos produtores, delegando neles a responsabilidade sobre a eliminação da “praga”, quando legalmente esta incumbência está com a Proteção Civil.

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“É proibido à população mexer nos ninhos” – ação inclusive perigosa porque a vespa asiática, quando ameaçada, ataca ferozmente e em grupo numa perseguição ao longo de vários metros – mas no município “acham que é um problema dos apicultores. É uma falsa questão”, frisa, sendo este um problema das comunidades e que, em caso extremo, pode afetar o ecossistema.

“Geram-se 100/150 rainhas por ninho e cada ninho chega a ter 3 mil vespas”, explica Ildebrando Ferreira. Nem todas as rainhas sobrevivem, mas cerca de metade vão chegar ao período do calor, quando a vespa asiática é mais ativa. “É uma praga que vai afetar toda a população”, uma vez que as abelhas, que são a base da dieta desta vespa, são responsáveis pela polinização. Quando as abelhas começarem a diminuir, para além dos problemas no cultivo, a vespa vai voltar-se para a fruta, causando estragos nas produções.

O apicultor refere já ter encontrado e destruído um ninho de vespa asiática em Cerejeira, tendo conhecimento da destruição de pelo menos mais dois em Igreja Nova e Ferreira do Zêzere. Os apicultores têm procurado ajuda na linha SOSVespa e destruído com meios próprios os ninhos, sem apoio da Proteção Civil Municipal ou dos Bombeiros, mas Ildebrando Ferreira salienta a ilegalidade do processo.

Segundo o vereador responsável pelo pelouro, Paulo Neves, “o município só pode intervir em espaço público”, tendo identificado até ao momento e eliminado dois ninhos em Pereiro e Cerejeira, havendo mais “5/6 avistamentos” de vespa asiática. “Estamos a ser acompanhados pelas associações de apicultores”, adiantou, sendo que “os privados que precisam de ajuda encaminhamos para as associações de apicultores”.

A informação que se encontra disponível na página do Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF), que gere também a página do SOSVespa, refere que a “deteção ou a suspeita de existência de ninho ou de exemplares de vespa velutina nigrithorax deverá ser comunicada” através da “inserção/georreferenciação online do ninho ou dos exemplares de vespa e preenchimento online de um formulário sobre os mesmos, disponível no portal www.sosvespa.pt”.

Há ainda um formulário que deve ser preenchido e enviado “para a Câmara Municipal da área onde ocorreu a observação”. Pode ainda contactar-se a linha SOS Ambiente (808 200 520), onde informam sobre os procedimento a seguir.

“Deverá, sempre que possível, ser anexada fotografia da vespa ou do ninho, para possibilitar a sua identificação”, refere a mesma informação. “Qualquer informação, comunicada através dos meios atrás referidos, será encaminhada para a Câmara Municipal correspondente ao local de deteção/suspeita, que dará o devido seguimento ao processo”, indica.

Acresce que “a destruição dos ninhos deve ser feita com equipamento de protecção e seguindo as orientações constantes no Plano de Ação. Nunca usar armas de fogo (e.g. armas de caça), mesmo no caso de difícil acesso aos ninhos, pois este método só provoca a destruição parcial do ninho e contribui para a dispersão e disseminação da vespa asiática por constituição de novos ninhos.

Na ausência ou perda da rainha, esta espécie tem a capacidade de as obreiras se transformarem em fêmeas fundadoras e construírem novos ninhos”.

Na base de dados do SOSVespa foi apenas introduzido em setembro o avistamento de oito vespas asiáticas em Ferreira do Zêzere. O problema já alastrou a toda a região norte do distrito de Santarém, com ninhos de vespa velutina identificados e destruídos na maioria dos municípios do Médio Tejo.

 

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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