Ferreira do Zêzere | Turismo continua a crescer na aldeia templária de Dornes

Dornes, um dos cartões de visita de Ferreira do Zêzere. Foto: DR

O município de Ferreira do Zêzere vive um curioso momento de contraciclo em relação a zonas mais conhecidas no país: o turismo está a crescer de forma substantiva e está a potenciar o desenvolvimento de um conjunto de propostas que o executivo PSD aguardava há muito por avançar, nomeadamente na aldeia maravilha de Dornes, freguesia de Nossa Senhora do Pranto. A este movimento não será alheio o crescimento da oferta hoteleira por todo o concelho, admite o presidente da Câmara, Jacinto Lopes (PSD), que viveu recentemente um momento de interessante lotação já em época baixa. O ano de 2019 será, por tal, de obras, embora os limites do Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode continuem a ditar a inoperância de vários projetos. 

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Quem acompanhou de perto as reuniões de câmara de Ferreira do Zêzere ao longo do último ano, não pôde deixar de se aperceber de subtis mas importantes mudanças que estão a ocorrer na aldeia templária de Dornes. Iluminação na torre pentagonal, um photopoint relacionado com as Aldeias Maravilha de Portugal, wifi gratuito inclusive no rio, uma adesão à Associação de Turismo Militar, além de um conjunto de procedimentos que já se encontram a avançar para melhorar a aparência da aldeia.

Há mais ambições, admite o presidente Jacinto Lopes, mas carecem, a um nível estrutural, de alterações ao Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode (POACB), atualmente em revisão. A estratégia não é de hoje, frisa o autarca, mas a vitória de Dornes nas 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias em 2017 deu um impulso significativo a alguns projetos, ao potenciar uma afluência de turismo que continua a crescer.

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O Rio, Dornes

Os números são do próprio município ferreirense: em 2013 a aldeia de Dornes recebeu 4500 visitantes; em 2017 foram 14.408; até outubro de 2018 eram 17.808. Uma subida de perto de 400% em cinco anos num momento em que o turismo a nível nacional, e inclusive na vizinha Fátima, encontra-se em contracção.

“Mas isso também só é possível se as pessoas de Dornes quiserem fazer parte deste projeto”, constatou, uma vez que terá que haver diálogo, eventuais cedências de terrenos e envolvimento na manutenção dos espaços.

“Dornes era já há muito tempo um ponto turístico, diria mesmo a nossa âncora em termos turísticos”, constatou Jacinto Lopes ao mediotejo.net, razão pela qual se construiu na aldeia um Posto de Turismo há alguns anos. Na própria cave daquele edifício, salienta, é possível fazer reuniões e outro tipo de sessões.

“Com a vitória na Aldeia Ribeirinha das 7 Maravilhas temos estado a apostar na renovação completa e integral de Dornes”, algo que, admite, “vai demorar alguns anos, porque não é fácil mudar uma aldeia toda em pouco tempo”.

Vila templária, Dornes situa-se no concelho de Ferreira do Zêzere. FOTO: mediotejo.net

Um dos primeiros passos nesta requalificação da imagem de Dornes será dado em 2019, num procedimento que vai enterrar todos os postes e fios elétricos e telefónicos.

“Queremos que Dornes volte a ter um ar mais clean, como é usual agora dizer-se, uma aldeia mais limpa visualmente e com menor impacto. Queremos que Dornes recue no tempo, digamos assim, e se aproxime do que era na década de 50 no século passado”, explicou.

Esta abordagem vai passar também por um diálogo com a população local para que se efetuem algumas alterações nas próprias casas, mediante a criação de uma linha de apoio municipal.

“Vamos fazer um plano para repintar Dornes e para renovar telhados: alguns telhados têm chapas e outros materiais menos nobres e que ficam mal”, enumerou. “Queremos também embelezar as entradas de Dornes com a colocação de plantas e árvores”, potenciando essa ideia de “aldeia maravilha” e atenuando o aspeto mais “nu” que possui atualmente.

Jacinto Lopes, presidente CM Ferreira do Zêzere. Foto: mediotejo.net

“Mas isso também só é possível se as pessoas de Dornes quiserem fazer parte deste projeto”, constatou, uma vez que terá que haver diálogo, eventuais cedências de terrenos e envolvimento na manutenção dos espaços. “É um projeto para a aldeia de Dornes. Não só da Câmara Municipal, mas que eu quero que seja quase comunitário, que envolva as pessoas todas”, sublinhou.

Há ainda uma listagem de projetos que aguardam por normas mais acessíveis do futuro POACB, nomeadamente o de uma praia fluvial com uma piscina flutuante, uma Estação Náutica em Dornes ou um passadiço em torno de toda a península de Dornes.

“Vivemos a febre dos passadiços, mas este é um projeto que já temos há perto de 20 anos”, explicou o autarca, que ainda não foi construído devido às limitações do POACB.

Banhada pelo rio Zêzere, Dornes tem uma pequena praia e uma marina onde estacionam alguns barcos. Há hipótese de fazer viagens de canoa. FOTO: mediotejo.net

“Penso que é possível fazer muita coisa sem prejudicar a qualidade da água”, comentou Jacinto Lopes, constatando que se está a pensar no barragem mas esquece-se as necessidades das populações envolventes, que acabam por fazer as coisas de forma anárquica e fora da legalidade.

A título de exemplo: a praia fluvial não está prevista no POACB, pelo que o município não pode ter nadador-salvador, mas o facto é que as pessoas já ali fazem praia durante o verão; não existe marina, mas há vários barcos estacionados.

“É vital que o espaço seja dotado de infraestruturas para ser valorizado”, defendeu, conferindo um enquadramento legal e medidas de salvaguarda da própria água que organize o que já existe e defenda efetivamente os interesses de todos os envolvidos.

O presidente dá como exemplo o investimento em saneamento que foi realizado na zona ribeirinha, com a construção de uma ETAR, mas onde não é possível construir habitações.

Sem população, argumenta, a ETAR não tem simplesmente efluente suficiente para trabalhar devidamente, os esforços municipais pelo desenvolvimento local acabam por reduzir-se a muito pouco e os equipamentos que deveriam servir o próprio ambiente tornam-se obsoletos.

No plano para desenvolver Dornes encontra-se também a construção de um “Ecocamping”, que aguarda neste momento a aprovação da alteração requerida no Plano Diretor Municipal (PDM), com espaço previsto para restauração e bungalows.

O município pretende ainda construir um miradouro panorâmico, mudar a sinalética rodoviária e criar um “plano de salvaguarda” que, segundo o presidente, é um “plano orientador para o futuro” que terá em conta os desejos da população para a própria aldeia.

Dornes, Ferreira do Zêzere. Foto: DR

Há ainda um programa desenhado para uma agenda cultural, que inclui espetáculos históricos ou de estátuas vivas, feiras, num espírito de “Dornes Medieval”. A este objetivo não é alheia a recente adesão do município à Associação de Turismo Militar.

Como aldeia ligada à herança da Ordem dos Templários, Ferreira do Zêzere quer que Dornes se insira na rota dos municípios vizinhos, como Tomar e Barquinha, que têm este tipo de património de cariz militar. “Penso que tem ainda muito para dar”, afirmou.

“Penso que é possível fazer muita coisa sem prejudicar a qualidade da água”, comentou Jacinto Lopes, constatando que se está a pensar no barragem mas esquece-se as necessidades das populações envolventes, que acabam por fazer as coisas de forma anárquica e fora da legalidade.

Dornes praia, Dornes aldeia, Dornes religião (o Santuário de Nossa Senhora do Pranto localiza-se junto à torre pentagonal), Dornes natureza, Dornes templária são assim as várias variantes da estratégia que o município tem delineada e que aguardam, no geral, o desbloqueio de limites legais e da própria iniciativa privada. Jacinto Lopes considera que o crescimento do turismo no concelho se deve em grande medida ao facto dos privados estarem “finalmente a fazer o trabalho deles”, reconhecendo que existe um potencial local que merece ser explorado.

“O turismo não se decreta”, frisa, “o turismo é criar infraestruturas e depois compete aos privados fazer a parte deles”. Tal tem sucedido gradualmente nos últimos anos com o surgimento de diversos alojamentos, a oferta que faltava para conseguir aumentar os níveis de procura.

“A partir do momento que começa a haver camas”, frisa, “a Câmara pode pensar noutras iniciativas”, comentando que por vezes não se fazem eventos de maior dimensão no concelho porque depois não há espaços suficientes para um número alargado de pessoas almoçarem ou jantarem.

A percorrer o seu último mandato, Jacinto Lopes gostaria de deixar o concelho mais bem apetrechado ao nível destes espaços hoteleiros, com a existência de, por exemplo, um Hostel que permita a estadia a pessoas com menos posses financeiras, como os jovens. Comenta ainda que gostaria de ver os restaurantes a servir “com uma qualidade mais refinada”, não obstante saliente que já se evoluiu nessa matéria.

Dornes, Ferreira do Zêzere

Aos que o acusam de falta de estratégia, Jacinto Lopes demonstra as suas capacidades de estratega, a capacidade de perspetivar de onde vão surgir os vários problemas e a consciência de que não é apenas de sonhos que se faz crescer um concelho.

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