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Domingo, Agosto 1, 2021

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Ferreira do Zêzere | Padre de Dornes benze javali em Dia de Santo António (c/vídeo)

O que têm em comum o javali ‘Riscas’, a catatua ‘Rosinha’ e a cadela ‘Bia’? Os três animais receberam em simultâneo a bênção do padre Manuel Vaz Patto, no adro da igreja de Dornes, em Ferreira do Zêzere, no Dia de Santo António, em resposta a uma promessa e no cumprimento de uma secular tradição.

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O pároco da freguesia de Nª Srª do Pranto, Luís Rodrigues, recuperou uma tradição secular e desafiou os fiéis a trazerem os seus animais para, no final da missa do dia 13 de junho, dia de Santo António, receberem a chamada bênção dos animais, ritual que, diz o povo, garante proteção e saúde.

Antes, já Luís Rodrigues, o dono do famoso javali ‘Riscas’, tinha feito uma promessa e pedido ao padre para benzê-lo, caso conseguisse a legalização do animal. Conforme demos conta em reportagem anterior, ‘Riscas’ foi criado desde bebé, a biberão, pela família e tornou-se num animal doméstico.

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Agora com um ano e quatro meses, a pesar cerca de 70 quilos, já gosta de andar mais em liberdade. E quando não está na cerca atrás da casa da família Rodrigues em Paio Mendes, o javali anda pelos montes à volta e demora-se por lá cada vez mais tempo. “Ele acaba sempre por voltar, mas agora gosta mais de andar por lá, é normal, é um animal selvagem, gosta da natureza”, explica Luís Rodrigues.

Na torre da igreja de Dornes, os sinos tocam. Vai começar a missa do meio-dia. A igreja está a 50 por cento da lotação. Lá longe, nas margens da albufeira de Castelo do Bode, dezenas de banhistas aproveitam o dia de verão com temperaturas acima dos 30º. Já há filas à porta dos restaurantes e na pequena aldeia sente-se o fervilhar do movimento turístico.

Aproxima-se o fim da missa e chega a carrinha da família Rodrigues com o javali no interior, sempre orientado e acarinhado pelo seu dono.

Além do javali, receberam a bênção a catatua Rosinha e a cadela Bia. Foto: mediotejo.net

Aguardam-se alguns minutos pelo final da missa e aglomeram-se no adro da igreja algumas pessoas. À catatua ‘Rosinha’ e à cadela ‘Bia’, junta-se o javali ‘Riscas’, que revela algum nervosismo. Assustado com os estandartes trazidos pelos acólitos, o animal foge alguns metros. Com paciência e já habituado a lidar com estas situações, Luís Rodrigues vai buscá-lo segurando-lhe pelas patas dianteiras enquanto o padre procedia à bênção.

Se o Riscas estava assustado, quem não o conhecesse ficava ainda mais. É que a sua figura já “mete respeito”, como diz o povo. O animal está cada vez mais crescido e independente e não gosta que lhe toquem com exceção dos donos. “Ele não faz mal”, garante Luís. Antes e depois da cerimónia há quem faça perguntas: se é domesticado, se aceita festas na cabeça ou no lombo e se podem tirar fotografias.

Javali foi adotado por uma família de Ferreira do Zêzere, legalizado e benzido. Foto: mediotejo.net

Em entrevista ao mediotejo.net, o padre Manuel Vaz Patto explicou como surgiu o contacto para benzer o ‘Riscas’. Lembrou como o animal foi recolhido pela família e a ela se afeiçoou. A dor de cabeça veio depois, com o complicado processo de legalização.

“Não é permitido ter animais de espécie cinegética sem licença. Foi muito difícil, apareceram muitos entraves”, recorda o pároco. Nessa fase, a família conversou com o padre e acordaram pedir a interceção de Nª Srª do Pranto “porque parecia quase impossível a legalização”.

Como promessa e em sinal de gratidão por terem conseguido ultrapassar esse obstáculo, os Rodrigues fizeram questão de levar o ‘Riscas’ ao Santuário de Dornes e de benzê-lo.

Para o padre Manuel, foi a primeira vez que benzeu um javali. No final da cerimónia e mais aliviado, Luís Rodrigues deu à volta à igreja com o ‘Riscas’, conforme prometido. “A missão está cumprida. Estou contente, correu minimamente bem”, disse à nossa reportagem.

Javali ‘Riscas’ foi adotado em pequeno, legalizado, e agora benzido pelo pároco de Dornes. Foto: mediotejo.net

Quanto ao futuro do javali, o objetivo é “continuar a brincar com ele e ir tirando umas fotos”. Sim, porque o ‘Riscas’ já é uma estrela no Instagram e outras redes sociais onde soma centenas de seguidores.

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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