Ferreira do Zêzere | O presépio da aldeia de Mourolinho nasce das mãos de um Jorge que é ‘Poeta’

Em Ferreira do Zêzere, o presépio do Mourolinho nasce das mãos de Jorge Roberto. Foto: CMFZ

O largo principal da pequena aldeia de Mourolinho, lugar de Igreja Nova do Sobral, em Ferreira do Zêzere, ganha um encanto especial nesta quadra natalícia graças ao empenho de um habitante local. Há mais de uma década que Jorge Roberto ‘Poeta’, 58 anos, se entrega de alma e coração a idealizar e construir um presépio onde as figuras centrais foram esculpidas a partir de pedra dos lancis e outras que foi juntando ao longo do ano.

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Jorge Roberto, que também escreve poesia popular e é conhecido por ‘Poeta’, conta que tudo começou quando esculpiu a Sagrada Família e a colocou junto à porta de casa. “Agora os mais jovens só querem saber de telemóveis e internet mas na minha geração era um anseio fazer o presépio. Foi um gosto que ficou”, disse ao mediotejo.net, numa das suas ultimas criações.

Há musgo verdadeiro, giz barbeiro, uma carroça de madeira e uma pia a conferirem a originalidade. “Já tenho um pouco de vaidade em fazer isto”, confessa Jorge ‘Poeta’, entre risos, acrescentando que o seu presépio como vai parar à Internet é um “cartão de boas festas para todos os portugueses”.

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O presépio do Mourolinho nasce das mãos de Jorge Roberto. Foto: CMFZ

Um postal de Natal construído com 10 toneladas de pedra e cerca de 50 horas de trabalho e dedicação que Jorge ‘Poeta’ desenha todos os anos com muito orgulho por ser “igrejanovense”, ferreirense” e português. Na dedicatória deste ano, o artista não esquece também as comunidades emigrantes a quem deseja um Feliz Natal com toda a família reunida à mesa da Consoada.

Foto: CMFZ

O trabalho de montagem leva, por norma, cerca de um dia e meio de trabalho, mais concretamente 38 horas, e é feito geralmente no fim-de-semana seguinte ao feriado do 8 de dezembro, mas este ano foi concluído mais cedo, a exemplo da ultima quadra natalícia. Os contentores do lixo são arredados do local para que tenha espaço suficiente para dar largas à sua imaginação.

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Depois da sagrada família, foi desafiado pelos moradores a fazer um presépio no largo da aldeia. Como trabalha na indústria da serração e madeira, sempre que encontra um ramo ou um galho fora do vulgar guarda-o para dele fazer um ornamento.

Todos os anos, o presépio de Jorge Roberto sofre inovações para não se tornar repetitivo. No início levava apenas uma carrada de pedra, agora já leva cinco. O habitante de Mourolinho não precisa de fazer um projecto no papel. “Fecho os olhos e imagino”, refere.

Sagrada Família esculpida em pedra de lancil. Foto: mediotejo.net

São muitos os curiosos que se dirigem, propositadamente, à aldeia de Mourolinho para verem o presépio de Jorge Roberto. “Já me pediram para o ir fazê-lo à vila de Ferreira do Zêzere mas custa-me tirá-lo daqui. O Mourolinho é a minha terra”, vinca o ferreirense, autor de um genuíno presépio de Natal que pode ser visitado até meados do mês de janeiro.

c/Elsa Gonçalves

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