- Publicidade -

Quarta-feira, Janeiro 19, 2022
- Publicidade -

Ferreira do Zêzere | Na freguesia do Beco vende-se cereja com sabor a tradição

No domingo, 2 de junho, decorreu em Cruz dos Canastreiros, freguesia do Beco, concelho de Ferreira do Zêzere, o último de três domingos dedicados à Feira da Cereja. A iniciativa da junta de freguesia realiza-se junto à estrada principal e procura recriar uma tradição de outras décadas, quando vinham produtores de várias localidades vender cereja a grosso na aldeia. Hoje o certame reúne cerca de uma dezena de pequenos agricultores locais de cereja, que vendem cereja própria, local, com sabor a aldeia.

- Publicidade -

A organização da Feira da Cereja do Beco é algo “ingrata”, reconhece o presidente da junta de freguesia, Manuel Gomes Cotrim. O clima condiciona a maturação da cereja, pelo que tanto podem realizar o certame em maio como já em junho/julho. Este ano decorreu nos dias 19 e 26 de maio e 2 de junho. A chuva já fora de tempo veio prejudicar as primeiras colheitas, explicou o autarca, pelo que a cereja inicial não veio com a qualidade desejada. Já a última apanha, com temperaturas mais quentes, dava gosto ao paladar.

Mas assim é o ritmo da agricultura. Um pouco por todo o concelho de Ferreira do Zêzere era fácil encontrar no último domingo produtores locais à beira da estrada a tentar vender o fruto primaveril dos seus cerejais. Na pequena aldeia de Cruz dos Canastreiros concentravam-se mais agricultores, na senda de uma feira que há cerca de 15 anos vem querendo recriar os ritos de outras décadas, quando o cultivo da terra era um verdadeiro ato de subsistência.

Na junta de freguesia do Beco há 30 anos, Manuel Gomes Cotrim tem potenciado a continuação da Feira da Cereja, uma tradição com várias décadas Foto: mediotejo.net
- Publicidade -

“A feira já existiu”, explicou Manuel Gomes Cotrim ao mediotejo.net, “nos meus tempos de criança as pessoas vinham com cestos de cereja, adornados com fetos”, vendendo-se então sobretudo a grosso por produtores específicos e não tanto a retalho, da pequena agricultura particular, como se faz agora. “Não havia reforma, não havia nada e as pessoas precisavam de dinheiro”, recordou.

“Há 15 anos, já estava eu na junta de freguesia, pensámos em fazer qualquer coisa pela cereja”, lembrou. Desde então que durante três domingos no ano se realiza a Feira, este ano com a presença de um insuflável a atrair os mais novos para o convívio.

- Publicidade -

Questionado pelo mediotejo.net sobre a eventual criação de uma marca identificativa como terra de cereja, à semelhança do que fazem outras localidades no país, o presidente da junta referiu que o tema já foi pensado, mas por enquanto “não se justifica”. “Daqui a mais alguns anos, talvez”, refletiu, dado o aparente interesse de alguns jovens agricultores de quererem recuperar os cerejais. Por enquanto, porém, esta é uma mera iniciativa comunitária.

Cerca das 15h30 de domingo, 2 de junho, muita da cereja já tinha sido vendida e até se lamentava alguma falta de esforço em ter trazido mais para negociar. Os preços situavam-se nos 5 euros por uma caixa com mais de 2 quilos.

O produto já teve melhores anos, conforme comentava Maria Alice Marques, mas vendeu-se bem e ninguém reclamava do preço. Dos 20 quilos que trouxera já só lhe restavam dois, referindo a passagem de clientes que haviam levado alguns quilos de cereja para Fátima. Noutros tempos, recordou, eram os próprios negociantes que ali iam comprar cereja.

Um pouco mais abaixo, Florinda Antunes comentava que tendo herdado algumas cerejeiras decidiu vir vender para a feira, dando assim um destino à pequena produção. “Há muita gente a plantar cerejais agora”, refletia, elogiando o esforço da freguesia em manter o evento.

“A tradição é vender mesmo à borda da estrada”, frisou, não obstante este ano, devido ao calor, alguns agricultores se estivessem a refugiar nas sombras, afastando-se da estrada principal.

Pequena na dimensão mas grande no envolvimento comunitário, o certame chamou várias dezenas de pessoas a Cruz dos Canastreiros, reunindo-se em convívio e ambiente de festa popular junto ao café local, perto do espaço onde se vendia a cereja e foi montado o insuflável. As vendas incluíam ainda outros produtos locais, como o mel, e decorreram até ao fim da tarde.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome