Ferreira do Zêzere | Caminhos da Água levam a descobrir Avecasta através de percurso artístico

Avecasta
Foto: Ana Bento

Uma das propostas do primeiro fim-de-semana dos Caminhos da Água, entre 13 e 15 de julho, para o concelho de Ferreira do Zêzere é o percurso artístico “Aqui no lugar”, criado por Ana Bento. Falámos com a artista na tentativa de descortinar um pouco mais sobre este projeto e a sua experiência antes dos visitantes partirem à aventura em Avecasta.

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O percurso artístico que pode ser trilhado às 10h30 nos três dias e também às 18h00 de sábado consiste num espetáculo em andamento, no qual as pessoas, enquanto caminham, podem desfrutar de música. Esta é um elemento presente em todo o percurso, cujo desenvolvimento envolveu um criterioso processo.

Criado por Ana Bento, com carreira profissional ligada à música, este percurso surge após uma recolha de material feita na localidade de Avecasta junto de pessoas residentes e conhecedoras da região e através do contacto com entidades que trabalham no local, nomeadamente arqueólogos que exploram a gruta de Avecasta, que está incluída no percurso.

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A conceção do percurso também incluiu a pesquisa de documentos históricos, além de claro, a própria forma pessoal de Ana Bento ver o espaço. O material recolhido foi então organizado de modo a conciliar a vertente artística e a vertente histórica e científica.

Ana Bento tem carreira musical ligada à música. Foto: Caminhos

Tal como nos revelou a artista, a música está presente através de duas dimensões, a das canções tradicionais locais, partilhadas pelas pessoas mais velhas que ainda vivem na aldeia e a das músicas originais criadas por Ana Bento em conjunto com Bruno Pinto, que também trabalhou diretamente na criação musical.

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Relativamente a expetativas, Ana Bento considera difícil fazer uma previsão, embora saiba que o município de Ferreira do Zêzere abriu inscrições no seu posto de turismo e que algumas das sessões do projeto Caminhos foram divulgadas para grupos específicos, como os grupos de campos de férias etc.

“Além disso, há sempre a população da aldeia, a qual ao ter assistido ao meu trabalho e deve ter a curiosidade de ir assistir ao resultado final, além do público em geral da programação do projeto e do público do próprio município e da sua agenda cultural. Logo, a expetativa acaba por ser grande”, acrescenta.

Os Caminhos da Água que arrancam esta sexta-feira são já o segundo ciclo do projeto cultural Caminhos, o qual tem como objetivo “dar cultura”, ligando em rede os 13 municípios constituintes da região do Médio Tejo. Aos que são inspirados pelos rios juntam-se os Caminhos de Ferro em abril, ligados às vias ferroviárias e em outubro é a vez dos Caminhos de Pedra, associados às vias rodoviárias.

A gruta de Avecasta integra o percurso artístico. Foto: mediotejo.net

Não é a primeira vez que Ana Bento participa na iniciativa. Participou também nos Caminhos de Ferro, onde desenhou um percurso seguindo a mesma linha de pensamento para o concelho de Mação. Não obstante, a artista destaca as diferenças, sendo a mais evidente a do primeiro concelho envolver a vila enquanto que em Ferreira do Zêzere é feito numa aldeia.

Pode parecer um pormenor, mas “faz uma diferença grande, relativamente à paisagem, arquitetura, património, e mesmo em termos de matéria humana e material histórico”, revela Ana Bento, acrescentando que “acaba sempre por haver coisas em comum, pontos transversais em ambas as experiências”, sendo a desertificação a principal característica apontada, visto tratar-se de uma zona “interior”.

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Segundo a artista, com o abandono das pessoas, na maioria dos casos por obrigação, perdem-se muitas coisas, desde histórias e hábitos até ao património musical. “Em Avecasta, as poucas senhoras que vivem lá, tiveram uma dificuldade enorme em se lembrarem de algum do reportório da música tradicional da região devido a este já não ser corrente e ter deixado de pertencer ao seu dia a dia”, exemplificou.

Ana Bento também criou um percurso que partia do Largo dos Combatentes (Mação) nos Caminhos do Ferro. Foto: mediotejo.net

A desertificação acaba também por ser o tema que assola o seu pensamento quando confrontada com a importância destas iniciativas para a região. Na sua opinião, estes trabalhos servem um pouco para chamar à atenção sobre a realidade do abandono do interior e de toda a sua riqueza patrimonial através de uma elucidação feita, não de forma dramática, mas real e consciente.

A mesma considera este tipo de iniciativas são importantes pois dão “opções a quem procura este tipo de eventos, mas também e, principalmente, é importante tentar chegar às pessoas que não os procura e de lhes proporcionar este tipo de experiências (culturais), de modo a combater a isolação destas pessoas tanto a nível pessoal e humano, como a nível cultural”.

A passagem dos Caminhos da Água no concelho ferreirense fica completa com a apresentação do espetáculo “EZ SUB” (Projeto EZ) na Praia do Lago Azul às 11h30 de dia 15. O circo contemporâneo surge também neste concelho na Praça Dias Ferreira, às 21h30 de dia 14, com o espetáculo “Distans” (Vol’e Temps), intercalando os concertos nos dias 13 e 15. Na sexta-feira, os Les Saint Armand atuam às 18h00 na Praia da Bairrada e, no domingo, os sons de Alexander Search, projeto com Salvador Sobral, sobem ao palco do Centro Cultural de Ferreira do Zêzere a partir das 21h30.

Quem quiser explorar o resto da região através de percursos artísticos nesta edição dos Caminhos da Água pode optar, também no primeiro fim-de-semana, pelo projeto “De mapa na mão e água nos lábios” criado pela BURILAR em Vila de Rei. Entre os dias 19 e 22, as sugestões são “Abrantes que já cá não mora” (Abrantes), de Francisco Goulão, “Correspondência: percurso sonoro para o jardim da Serrada” (Sertã), de João Bento, e “A Selva” (Alcanena), de Tiago Correia.

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