Ferreira do Zêzere | Bruno Gomes conquista castelos do acordeão com “A;Travesso” (c/ entrevista)

Bruno Gomes atua este sábado, dia 19, no Centro Cultural de Ferreira do Zêzere, mostrando o “lado travesso” do acordeão que conhece desde a infância e lhe marca os dias de adulto. Conversámos com o músico sobre a ligação ao instrumento musical que se vai afirmando fora dos bailaricos populares, a que muitos associam e poucos sabem ser membro da realeza pois esconde castelos no seu interior. O novo álbum “A;Travesso” é a mais recente conquista dos seus castelos do acordeão, que quisemos conhecer antes de subir ao palco.

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Sim, leu bem, o acordeão tem castelos. Tratam-se dos suportes de madeira onde se fixam as palhetas por onde passa o ar que está no fole quando carregamos nas teclas, gerando o som inconfundível que tão bem conhecemos. Não foi Bruno Gomes quem nos contou este “segredo”, mas podia tê-lo feito com pormenor uma vez que dá formação de acordeão em diversos locais e cruza-se regularmente com ele no Atelier do Acordeon, onde se fabricam, restauram e reparam estes instrumentos musicais.

Podíamos ter pedido uma aula particular, mas a conversa focou-se no seu novo trabalho discográfico “A;Travesso”, que apresenta ao público às 21h30 deste sábado e surge depois do lançamento de “Madrepérola” e “Revanche” em 2005 e 2014, respetivamente. Aos 33 anos de idade, considera a ligação com o acordeão algo “natural” e arriscamos dizer que falamos de uma amizade de infância, iniciada quando tinha apenas cinco.

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Bruno Gomes. Foto: Bruno Gomes

Nessa altura, as mãos que já tocaram acordeão aquém e além fronteiras nos espetáculos em que participou e naqueles que organizou com nomes de relevo internacional eram dadas à mãe quando o levava para o Atelier do Acordeon. Inicialmente, ia como companhia e mais tarde, aos nove anos, começou aprender a tocar no espaço que tem como lema “futuro e tradição juntos” e cujos proprietários considera “os segundos pais”.

O primeiro concerto surgiu quando tinha 14 anos, recordando o casamento para o qual foi convidado a atuar como “um momento engraçado”. A estreia oficial em palco foi feita em cima do atrelado de um trator com público dividido entre os sentados em fardos de palha e os dançarinos em cima das mesas. Uma vertente popular associada ao acordeão que se mantém e, nos últimos tempos, passou a ser acompanhada por ambientes mais ecléticos.

Os diferentes repertórios apresentados por Bruno Gomes em Portugal, Espanha ou Suíça espelham essa nova conquista dos castelos do acordeão por terras do Fado, corridinhos, mazurcas, marchas e tangos. O álbum “A;Travesso” continua esta demanda do projeto “Acordeão Génio e Arte” com o instrumento musical que diz ser “cada vez mais transversal” e multifacetado”.

Bruno Gomes. Foto: Bruno Gomes

O novo CD do músico, que também é vereador no concelho onde nasceu e no qual decidiu ficar por opção, traz as valsas jazz, choros do Brasil e o fandango espanhol com arranjos de jazz e folk. Na apresentação deste sábado, junta-se a vertente de orquestra com a participação especial da Banda Filarmónica de Nisa, da Sociedade Musical Nisense, e do seu maestro, o acordeonista António Maria Charrinho.

Uma fusão de estilos musicais que justifica o lado “travesso” do acordeão, acrescenta, permitindo explorar outras sonoridades através dos diferentes estilos de acordeão surgidos na última década. Bruno Gomes também evoluiu na técnica, que considera ser um fator “essencial”, e “A;Travesso” representa “um salto qualitativo” enquanto músico, sem deixar de ressalvar que não se considera “um acordeonista de topo pois conheço os melhores do mundo”.

O caminho, acrescenta, vai sendo feito “à medida que as oportunidades vão aparecendo”, tendo sempre como ponto de partida o concelho pelo qual assume a uma “paixão” e como ponto de chegada o contributo que pretende dar para que o seu “amigo de infância” tenha o respeito e valor merecidos. Um percurso construído através dos castelos do acordeão e que este sábado torna o Centro Cultural de Ferreira do Zêzere num dos conquistados.

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Sónia Leitão
Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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