Ferreira do Zêzere | Bombeiros retiram confiança a Comandante e ameaçam com entrega de capacetes

Comandante Mário Ferreira afirma que vai defender o seu bom nome Foto: Região do Zêzere/Armando Cotrim

*texto atualizado às 22h57 de 7 de julho de 2020 com declarações de Luís Vaz Pereira

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Um conjunto de bombeiros da corporação de Ferreira do Zêzere entregou à respetiva Associação Humanitária um abaixo-assinado em que exige a demissão do atual Comandante, Mário Ferreira, ameaçando com a entrega dos capacetes. O texto alega falta de confiança no comando, nomeadamente devido a alegada inoperância na gestão da crise pandémica. Mas, ao que o mediotejo.net apurou, os problemas com o Comandante têm-se registado desde a tomada de posse, há seis meses. O Comandante Mário Ferreira afirmou ao nosso jornal que tem apoio dentro da corporação e que vai defender o seu bom nome. A direção da Associação Humanitária garante que emite uma comunicado de imprensa na quarta-feira, 8 de julho.

Refere o texto do abaixo-assinado, a que a nossa redação teve acesso, que o corpo de bombeiros possui “manifesta falta de confiança” no seu comandante. O documento aponta “a incompetência por inacção do mesmo em Situação Pandémica e o incumprimento por parte do mesmo dos protocolos em vigor emitidos” pela Direção-geral de Saúde, Instituto Nacional de Emergência Médica, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Gabinete Municipal de Protecção Civil e da própria Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ferreira do Zêzere.

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O texto aponta ausência de comando, falta de informação, perseguições e falta de envolvimento profissional. O abaixo-assinado apela assim à retirada da confiança ao Comandante Mário Ferreira pela direção da Associação Humanitária. Requer também a “imediata demissão” do responsável, “por manifesta falta de formação e competência do mesmo, colocando em causa a operacionalidade deste corpo de bombeiros, sobretudo na fase critica que se aproxima. Evidentes que são as mais variadas ilegalidades e omissões no desempenho da sua função, e não tendo o Sr. Comandante a confiança que do Órgão Directivo, quer deste Corpo, informa-mos que, à falta de demissão do mesmo, não teremos outra hipótese que a entrega imediata dos capacetes pela nossa parte.”

Entretanto a direção da Associação Humanitária já retirou a confiança ao Comandante Mário Ferreira, através de um edital com data de 22 de junho. No documento é mencionado que, após diversas reuniões, foram verificados “comportamentos considerados lesivos, ilegais e inadequados que comprometeram e continuam a comprometer a operacionalidade e segurança” do corpo de bombeiros e da assistência de socorro às populações.

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Em declarações ao mediotejo.net, Mário Ferreira adiantou que a situação é mais complexa que o abaixo-assinado e está a preparar “uma resposta simples” de que dará brevemente conhecimento. “A situação é mais complicada que o que se possa imaginar”, referiu.

O responsável adiantou que não teve conhecimento direto do abaixo-assinado, tendo sido contactado no sábado, 4 de julho, pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) sobre o documento. “Eu não fui informado de nada”, garantiu, explicando que como foi uma entidade superior na hierarquia que foi notificada, terá que aguardar agora o processo disciplinar. “Não posso abandonar o cargo sem isto ser esclarecido”, afirmou.

No que toca às acusações de “incompetência por inacção do mesmo em Situação Pandémica e o incumprimento por parte do mesmo dos Protocolos em vigor”, Mário Ferreira referiu tratar-se de “ignorância”. Como exemplo, afirmou que até ao momento não houve qualquer registo de infeções pelo novo coronavírus na corporação, sendo que esta continua a responder a todas as ocorrências.

O Comandante afirmou que tem apoio dentro da corporação e que vai defender o seu bom nome.

Posteriormente a esta conversa, Mário Ferreira enviou uma declaração aos órgãos de comunicação social em que narra a sua história na corporação ferreirense, onde chegou em 1982.

“Não tenho nem nunca tive qualquer dúvida da postura exemplar. (…) Olhando para a realidade de hoje, foi registada a saída de um Bombeiro por motivos profissionais e da Direção já saíram 3 elementos. Quais os motivos, alguém nos pode explicar?”, observa.

O mesmo responsável continua referindo que “o Presidente da Direção Sr. Luis Vaz Pereira e o Vice-Presidente Sr. Samuel Gaspar publicaram em nome da Direção um EDITAL no passado dia 24/Junho/2020, com data de 22/Junho/2020 e com efeitos imediatos a 31/Maio/2020 com que objetivo ou fundamento? Não é engano, houve aqui um atraso de cerca de 24 dias para a execução de um imediato… Este EDITAL que foi certamente uma má opção, revelando o desconhecimento de como se deve usar um EDITAL, serviu apenas para fazer acusações graves e caluniosas sobre a minha pessoa/Comandante dos Bombeiros de Ferreira do Zêzere. Não estará já muito próximo de uma atitude com contornos criminais?”.

Mário Ferreira termina referindo que está preparado para defender-se das acusações relativas à Covid-19, entre outras que lhe têm sido imputadas. “Não devia ser permitido usarem o nome dos Bombeiros desta forma tão injusta. Tudo está cheio de contornos duvidosos e por explicar. Que a verdade seja colocada à disposição de todos”, comenta.

Contactado pelo mediotejo.net, Luís Vaz Pereira confirmou a receção do abaixo-assinado, representando 2/3 dos bombeiros (33 elementos), na última sexta-feira e adiantou que na manhã de quarta-feira, dia 8, está prevista a emissão de um comunicado com os devidos esclarecimentos. A entidade tem em agenda uma reunião com a Direção Nacional de Bombeiros ainda esta semana, pelo que só depois serão tomadas mais decisões. Para já, avançou, não serão entregues capacetes.

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