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Sábado, Maio 8, 2021

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Ferreira do Zêzere | Águas Belas, uma freguesia charneira onde a indústria impera

Entre as sete freguesias do Concelho de Ferreira do Zêzere, Águas Belas é a mais industrializada, facto que se deve essencialmente à sua localização uma vez que é atravessada pela EN 238, sendo considerada uma freguesia charneira.

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É com orgulho que o presidente da Junta de Freguesia, Sérgio Morgado (PS), afirma que a sua freguesia “é a que mais impostos paga no concelho, mas não é de agora, é de há 50, 60 anos ou mais”. Sicarze, Meigal, Rações Zêzere, PetMaxi, José Mónica & Esposa, Loja da Floresta, Morgamadeiras, André & Paula, Lda, Electrificadora do Zêzere e Agropefe – Agro Pecuária Ferreirense, são apenas algumas das muitas empresas sedeadas na freguesia.

O autarca destaca a presença no seu território dos maiores madeireiros do país e de grandes produtores de biomassa, para sublinhar que Ferreira do Zêzere “não é só ovos”, aproveitando, no entanto, para elogiar a criação da marca “Capital do Ovo”.

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A forte industrialização da freguesia traz um problema como faz questão de salientar o presidente da Junta. “Não há gente para trabalhar. Há muita falta de trabalhadores, é muito complicado”, refere Sérgio Morgado, ele próprio empresário a sentir na pele o problema. Na sua empresa Loja da Floresta tem algumas pessoas de Tomar a trabalhar porque no seu concelho não há mão de obra. O autarca aproveita para criticar o sistema de ensino que não aposta nos cursos virados para a indústria.

PetMaxi e Rações Zêzere, em Águas Belas. Foto: José Gaio

Com 48 anos e a terminar o segundo mandato como presidente da Junta, Sérgio Morgado mostra-se preocupado com outro problema que é a desertificação e o crescente envelhecimento da população. “65 por cento da população da minha freguesia tem mais de 65 anos”, revela.

“Se o governo central não olhar para isto com olhos de ver, o interior acaba daqui a poucos anos”, sentencia. Ao mesmo tempo garante que da sua parte tem lutado por criar condições para as pessoas se fixarem. Atualmente Águas Belas tem 1030 eleitores e pelas estimativas do autarca, serão cerca de 1150 os habitantes.

Parque de lazer em construção

No largo em frente à igreja, foi construído um parque infantil e está em curso a criação de um parque de lazer nos terrenos anexos à sede da junta, numa área de 5 mil m2 adquirida em parceria com a Câmara, que comparticipou com 50 por cento.

Para o projeto orçamentado em 200 mil euros, a Junta apresentou uma candidatura que espera ser aprovada, uma vez que o orçamento da autarquia não é suficiente.

No terreno já se vê algum trabalho de preparação e o objetivo é que o parque de lazer seja executado até ao fim do mandato. Uma obra que vai ao encontro do objetivo de “estancar a desertificação”, que “não tem sido fácil”.

Sérgio Morgado mostra o terreno do futuro parque de lazer. Foto: José Gaio

Aprovado mas sem financiamento, está o espaço museológico, no mesmo terreno, onde se pretende homenagear atividades tradicionais e os homens e mulheres que trabalhavam nas serrações, nas cerâmicas ou na cestaria, por exemplo.

Sérgio Morgado lembra que Águas Belas foi terra de serradores e de cerâmicas. Daqui saía a telha de canudo para todo o distrito de Santarém. Lembra ainda os cestos feitos com as lascas que sobravam do corte dos troncos. Tudo atividades já extintas e sobre as quais a junta foi reunindo algum espólio com vista à concretização do museu.

Em jeito de balanço dos seus dois mandatos, o presidente da junta considera que foi um trabalho “gratificante” porque teve em vista “lutar pelo bem-estar do cidadão”.

Destaca a construção do parque infantil no primeiro mandato, a aquisição de uma carrinha com báscula em que foi a primeira freguesia a ter uma viatura do género, a construção da estrutura ao lado do edifício da junta, que serve de garagem e arrumos, além da admissão de um funcionário permanente.

Ao longo da conversa, o telemóvel de Sérgio Morgado não para de tocar, seja para tratar de assuntos da junta, seja da sua empresa. É um homem do terreno que não esconde gostar de contactar diretamente com os seus fregueses e faz questão de quase todas as semanas dar uma volta pela freguesia.

Orçamento não chega

É crítico em relação à Câmara no que respeita à política de financiamento das freguesias. “Esta junta só sobrevive com o dinheiro que vem do governo central. Ao contrário do que acontece noutras câmaras, a de Ferreira do Zêzere “não contribui com um cêntimo” para o orçamento da junta. Dá, sim, apoios pontuais, cede máquinas e equipamentos e, no caso de Águas Belas, financia um funcionário através do CEI – Contrato Emprego Inserção, contributos que o autarca reconhece.

Garante que estava preparado para receber as competências que poderiam ser transferidas da Câmara, ao mesmo tempo que critica o centralismo do atual presidente, Jacinto Lopes (PSD), que continua a gerir com “o punho forte”.

Sérgio Morgado, Presidente da Junta de Freguesia de Águas Belas. Foto: José Gaio

Na área da terceira idade, funciona ali o centro de dia (atualmente encerrado devido à pandemia) do Centro Bem-Estar Social de Águas Belas, IPSS que tem um projeto para um lar, no valor de dois milhões de euros. “Provavelmente será a maior obra pública alguma vez feita na freguesia”, salienta o edil.

Quanto a atividades, o autarca destaca o passeio pedestre anual do Dia da Mulher, que em 2020 juntou 170 pessoas, a mostra de doces e licores, o tradicional Magusto e a festa de Águas Belas, tudo iniciativas suspensas devido à pandemia.

Questionado sobre as potencialidades da freguesia, o autarca de Águas Belas refere, entre outras, a gastronomia. O famoso leitão do restaurante Casa dos Leitões e as irresistíveis tigeladas são alguns dos ícones.

Igreja de Águas Belas. Foto: José Gaio

Vila até 1836

Águas Belas é uma freguesia com uma área de 22,13 km² e, segundo o censos de 2011, 1.072 habitantes. Chegou a ser vila e sede de concelho entre 1513 (ano do foral concedido por D. Manuel I) e 1836.

Em termos de património destaque para a Igreja paroquial, o pelourinho, a fonte (1940) e as capelas de S. Sebastião na Varela, de Santa Teresa nas Besteiras e de S. Marcos.

 

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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