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Domingo, Setembro 26, 2021

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“Férias dos professores e dos artistas”, por Massimo Esposito

Há alguns dias atrás alguns alunos perguntaram-me se e onde ia de férias no fim do ano. Fiquei a pensar no que dizer. Os professores do ensino público têm alguns dias de “não trabalho na escola” mas devem, com certeza, fazer outras coisas tais como preparar o segundo trimestre, avaliar os testes ou outras burocracias que desconheço, visto trabalhar no privado.

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Pensando no que responder, matutei em férias no norte da Itália com neve e ski e belas paisagens alpinas, ou nas férias que passava há alguns anos atrás nas brancas praias do Brasil ou de Marrocos, como o ano passado. Mas há algo a dizer sobre este assunto, visto que muitos dizem que “os artistas estão sempre de férias”.

Como sempre disse, há diferença entre artistas e artistas, entre pintores e criativos e se uma pessoa é criativa e tem a sina de ser também pintor, pode dizer adeus às férias. Sim porque o processo criativo não tem horários nem datas, não há feriados nem dias “santos”. A criatividade pode apanhar-nos no sono, a lavar os dentes ou estar à espera do médico que se atrasa sempre.

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Eu posso não dar aulas por alguns dias mas não é possível parar a criatividade, o pensamento que vem atrás do outro pensamento e que, passo a passo, desenvolve uma ideia e dela nasce o esboço e do esboço, ou esboços, nasce a obra e assim sendo… ciao ao descanso do trabalhador.

Mais ainda que eu, sendo profissional da arte, devo cumprir prazos para entrega de encomenda e propostas, organizar o atelier e inventar outras maneiras de me expressar e viver da arte como outros artistas aqui no Médio Tejo e no mundo inteiro.

Estão a imaginar Picasso ou Van Gogh sentados numa espreguiçadeira na praia ou na piscina sem fazer nada? Sem um bloco ou simplesmente sem pensar no que pintar? Seria ridículo. Um Michelangelo de caravana no Guincho sem idealizar como esculpir aquelas rochas? Ou Leonardo no Dubai sem idealizar um arranha-céu ou uma ponte diferente? Difícil não é?

Por estas razões, os criativos não vão de férias mas vivem num mundo pessoal, imaginário, cheio de utopias e ideias malucas, mas são eles que dão vida e alegria à vida, à arte, seja ela musica, ballet ou simples pintura ou graffiti.

Espero vivamente que os que têm poder e, sobretudo, a vontade, pensem em dar trabalho e possibilidades aos criativos que operam entre nós.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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