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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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“Feliz Ano Novo”, por Armando Fernandes

O espaventoso e mordaz escritor Rubem Fonseca, brasileiro de Juiz de Fora, filho de transmontanos, escreveu um livro de contos cujo título é o desta crónica. Ele, após se graduar em Ciências Jurídicas, foi polícia, observou e participou em numerosos episódios de cunho violento envolvendo gente de classe e sem classe nenhuma, no Feliz Ano Novo podemos ler alguns centrados na noite de passagem de um ano para o outro.

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Seja nas noites calorosas, seja nas frias as celebrações da finitude de um ano e o início de outro dão azo ou são pretexto para a formulação de desejos confessáveis ou não, envolvendo comida e acima dela bebidas de regozijo se possível intranquilas, refiro-me a champanhes e espumantes, não a sumos e bebidas gaseificadas desprovidas de álcool.

Os frutos secos grudam-se benquistos às borbulhinhas, assim pinhões, nozes, amêndoas e passas são referências indispensáveis sem esquecer os amendoins e tremoços no âmbito dos bebedores de cerveja sem qualquer desprimor para os amigos desta popular e universal bebida.

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Nessa noite é normal fazerem-se muitos brindes talvez esteja aí a razão de os franceses terem derramado o termo para brindezingue (aquele que bebeu demais). Atente-se que o termo originário do alemão na Idade Média significava um «pote» provido de asas de onde os convivas retiravam a bebida de modo a não lhes faltar à medida do ritmo de brindes realizados.

O simbólico dos brindes bem como as bebidas e comidas variam conforme as latitudes e tradições dos povos, no entanto, para lá da globalização normalizadora prevalecem traços distintivos do festejar a despedia do caduco ano e chegada do novo.

Abstenho-me de enumerar exemplos, apesar desse propósito os leitores que fazem o favor de ler o que escrevo sabem da minha tendência no referir obras de todos os matizes capazes de aperfeiçoarem as nossas disfuncionalidades cognitivas permanentes (o secretário de Estado saiu-se bem), daí lembrar os tratados e etiqueta e civilidade de origem antiga, quanto mais idade melhor, cujo conteúdo ensina a estabelecer a sucessão de brindes, a gestualidade e palavras de ordem.

Os comeres substanciais da refeição de despedida e de chegada deve ser conforme o gosto e a capacidade de cada um, se possível jubilosa e ausente de aflições, sem querer meter a mão em mesa alheia e porque não tem custos elevados atrevo-me a sugerir carnes cozinhadas ou fumadas de aves, fatias finas de salmão fumado sobre pão negro polvilhadas de alcaparras é iguaria interessante, ovas de variadas espécies idem aspas, no subsequente as carniças brancas e vermelhas de estilo (borrego, cabrito e leitão) denominadas no Norte de chicha, são mote de tomo para afadigada intervenção dos caninos, incisivos e molares, até porque se os dentes não trabalharem são dispensáveis.

O comediógrafo Aristófanes escreveu de outra forma.

A todos os leitores desejo Feliz Ano Novo. Se puderem leiam o escritor, ele pratica bem a língua burilada pelo português António Vieira, o qual dedicou grande parte da sua vida a defender os índios brasileiros.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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