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Quinta-feira, Julho 29, 2021

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Fátima vota contra Orçamento por “falta de estratégia” para Centenário das Aparições

Humberto Silva, presidente da junta de Fátima, votou contra os Documentos Previsionais para 2016 na assembleia municipal de Ourém de quarta-feira, dia 23. A razão invocada foi a falta de prioridade para o Centenário das Aparições e a ausência de vários projetos neste sentido em Orçamento. O autarca considerou também muito baixos os valores atribuídos para obras nas diversas freguesias.

Numa extensa declaração que exaltou alguns ânimos, Humberto Silva destacou que os valores do Orçamento não se enquadravam para realizar em condições a preparação do Centenário de 2017. Salientou inclusive que diversas obras já deveriam estar a ser pensadas/realizadas, como a requalificação das entradas de Fátima.

Em 2016, referiu, “ano de referência deste orçamento, temos a módica quantia de 10.000 euros para o planeamento e preparação de todos os eventos destinados à organização da Junta de Freguesia… Diga-me com franqueza, Senhor Presidente: acha mesmo que é com 10.000 euros que a Junta de Freguesia vai preparar os seus eventos planeados para 2017?”. “Na análise que fizemos, verificámos que estão previstos 1.350.000 euros para o Centenário, mas da forma como eles estão enquadrados no orçamento e nas Grandes Opções do Plano, é tudo menos sério! Mais vale dizer que não vamos fazer nada!”, frisou.

“Estão num orçamento para 2016, mas os principais valores aparecem espalhados por 2017, 2018, 2019. Acha mesmo que vai fazer o quê em concreto depois do evento acontecer?”, afirmou. “Não nos conformamos, nem poderemos votar nunca um orçamento com esta falta de seriedade e falta de estratégia e posicionamento face a um evento desta natureza, que é estruturante para Fátima e para todo o concelho, pensamos nós. A isto dizemos não”.

Humberto Silva acabaria por repetir algumas das várias interrogações que já fizera aquando o debate sobre a proposta de Orçamento, como o apoio à construção do quartel dos Bombeiros de Fátima, os acessos à cidade ou as verbas para as freguesias. Uma repetição que irritou alguns membros da assembleia. Ainda assim Humberto Silva continuou, sublinhando um “orçamento desleal para com Fátima e desequilibrado em relação ao restante concelho”.

“O resto do concelho não pode parar em virtude de 2017”, comentou a respeito desta declaração de voto a presidente da Assembleia, Deolinda Simões. Já o presidente da Câmara, Paulo Fonseca, acabaria por não dar resposta às muitas questões do presidente de Fátima sobre os valores destinados a obras na sua freguesia. Apenas o deputado do PS Alberto Craveiro, presidente dos Bombeiros de Fátima, explicou que o montante com que o município prometeu apoiar a instituição era de 300 mil euros e não 700 mil.

O Orçamento para 2016 geraria ainda outras considerações, sobretudo pelo seu “empolamento”. Paulo Fonseca pediu aos deputados que votassem Documentos que serão com certeza retificados em 2016, uma vez que ainda não há certezas quanto ao Orçamento Geral do Estado ou aos fundos comunitários.

Um “orçamento de faz de conta”, conforme mencionou por várias vezes Paulo Fonseca, o que não agradou a vários intervenientes, como ao deputado Sérgio RIbeiro (PCP). “Lutei muitos anos pela liberdade e pela democracia. Hoje ouvi aqui coisas que nunca esperei ouvir num órgão eleito”, lamentou, lembrando que este discurso tem sido constante na aprovação dos últimos orçamentos.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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