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Fátima: Tonsai… Há um mercado biológico a inspirar uma aventura

Nasceu no princípio de agosto e em pouco tempo ganhou fama. “Tonsai” é o mercado biológico de Ricardo Vitorino e Marta Clemente. Ele da Caparica, ela de Fátima, decidiram que era chegado o momento de optar pela vida do campo. Na cidade altar do mundo construíram um espaço que quer mostrar o melhor do mundo. Despertar consciências e apresentar alternativas de vida saudável e equilibrada. Tonsai é uma aldeia na Tailândia conhecida pelos amantes da escalada. Esta aventura – e muitas outras aventuras! – criaram um mercado singular e algo inesperado no tradicional cenário religioso de Fátima.

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Na Avenida Dom José Alves Correia da Silva, perto da Rotunda de Santo António, o “Tonsai” é um espaço fresco, de design moderno, que vende apenas produtos biológicos, entre os quais também se encontram alimentos para os intolerantes ao glúten e à lactose. Já depois das 16 horas encontramos aí Marta Clemente, 35 anos, completamente exausta depois de mais um dia de muito trabalho. O sucesso foi imediato, há sempre clientes a entrar, e muitas críticas positivas, salientando-se a necessidade latente de uma oferta variada, que só é possível de encontrar, nas proximidades, em Leiria ou Lisboa. Este era também o sentimento de Marta, o qual, após muitos anos de ideias e planos, acabaria por dar origem ao mercado.

Além de mercearia, o Tonsai possui também uma cafetaria. FOTO: mediotejo.net
Além de mercearia, o Tonsai possui também uma cafetaria. FOTO: mediotejo.net

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Mas porquê um mercado biológico? O mediotejo.net formula alguns palpites: tradição vegetariana, vegans, intolerantes ao glúten, o culminar de uma moda que tem ganho adeptos um pouco por todo o lado? Nada disso, afinal. Marta não é vegetariana, vende carne e muitos outros produtos que normalmente não compõem certas ementas. O conceito do “Tonsai” está, em parte, ligado à filosofia de vida de Marta, a macrobiótica, mas vai muito além dele.

Licenciada em Bioquímica e com uma formação pelo Instituto de Macrobiótica de Portugal, Marta Clemente explica que sempre teve “interesse por alimentação saudável”. “A macrobiótica é um estilo de vida com que me identifico e sigo desde os meus 19 anos”, explica. De forma simples, Marta explica pressupõe “um respeito pela natureza”. “Somos fruto do que respiramos e do que comemos” mas pelo menos a comida podemos controlar. “É uma noção clara da necessidade de cada um de nós, ser humano, intervir e desfazer o mal que temos feito”, sintetiza. “É uma consciencialização de que o estilo de vida a que a humanidade hoje obedece está a ter efeitos não só no planeta como também na saúde” elabora.

“Isto não é só a alface não ter químicos”, explica, é tudo o que envolve o processo. Por exemplo, só comer papaias ou pêssegos na época e nos locais de onde são autóctones, porque foi assim que a natureza os concebeu. Dispensar alimentos industrializados, produzidos em massa, que alteram os processos próprios de crescimento. “É o respeito pela natureza”, o fluxo da natureza, respeitando as suas capacidades. “Queremos ensinar que existem alternativas”, termina.

Marta e Ricardo viajaram muito pelo mundo e, ao longo dos anos, foram reunindo ideias para o seu negócio. Na baía de Tonsai, na Tailândia, encontraram um equilíbrio “do homem e da natureza” que para sempre os marcou, tendo decidido dar esse nome ao seu projeto. Em 2016 deram o salto definitivo. “Temos dois filhos e quisemos acreditar que tínhamos mais qualidade de vida fora da cidade”, comenta.

frescos vêm sobretudo da região, mas há vários produtos de empresas de Tomar, Torres Novas ou Porto de Mós, entre outras. FOTO: mediotejo.net
frescos vêm sobretudo da região, mas há vários produtos de empresas de Tomar, Torres Novas ou Porto de Mós, entre outras. FOTO: mediotejo.net

Além do mercado, o “Tonsai” também serve refeições no seu espaço de cafetaria e possui um pequeno parque infantil onde podem ficar as crianças durante as compras. Marta planeia desenvolver, a partir de setembro, workshops de culinária, pondera avançar no take away e está a terminar o processo de certificação do espaço. Todos os produtos que vende têm essa mesma certificação, garantindo a sua origem biológica.

Os frescos e legumes são da região, assim como alguns produtos que vêm de Tomar, Torres Novas ou Porto de Mós, entre outras localidades. A aposta é na produção portuguesa e só depois na internacional. Também há detergentes de uso doméstico e produtos de banho (biodegradáveis), papel higiénico (reciclado), congelados (origem biológica), assim como os tradicionais cereais e a gama de produtos associados a este tipo de mercado.

Os preços variam e a sua comparação com o comércio tradicional é desajustada. “Tentamos estimular o comércio justo”, explica Marta, um movimento social apostado na sustentabilidade, que procura o equilíbrio entre o trabalho do produtor e o preço junto do consumidor. Os frescos por exemplo, poderão divergir entre os 0,90€ e os 4€. A matemática é simples: só se vende o produto da época, produzido de forma natural. No pico da época da maçã, por exemplo, esta poderá estar muito barata, mas ao aproximar-se do seu final (ou caso não haja grande produção devido às condições climatéricas) ela encarece.

O “Tonsai” “foi construído muito à imagem das minhas necessidades”, confessa Marta, salientando que precisava de se deslocar a grandes centros para comprar os produtos que queria e não havia em Fátima, ou de ter uma cafetaria onde pudesse comer o tipo de comida que desejava. É este conceito alternativo e saudável, ecologicamente sustentável, que está a oferecer aos seus clientes. Frequentado sobretudo por pessoas de Fátima, o mercado tem recebido elogios dos turistas estrangeiros e comentários de satisfação por outros portugueses que visitam a cidade.

Hipócrates disse: “Que o alimento seja o teu remédio e que o teu remédio seja o teu alimento”. É possível encontrar informação por toda a loja sobre o que são e o que potenciam os produtos biológicos. O “Tonsai” é “um projeto feito com amor e carinho que tem a alma de dois viajantes do mundo que querem trazer o mundo a Fátima” e “criar um mundo melhor”, termina.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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