Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sábado, Setembro 18, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

“Fátima território de Fé e do Mundo”, por José Alho

Em 2017 as peregrinações em Fátima irão assumir uma dinâmica exponenciada pela comemoração do centenário do fenómeno das aparições mobilizando para este destino da fé pessoas oriundas dos quatro cantos do Mundo,

- Publicidade -

Neste ano em que também estará presente o Papa Francisco este território será o foco das atenções de milhões de peregrinos e crentes de todo o mundo católico.

Fátima vai voltar a encher-se demonstrando que, apesar das crises, os apelos da fé continuam presentes nos fiéis e determinam a repetição destes rituais ano após ano, desta vez potenciada pela presença do mais alto representante da Igreja Católica, o que lhe confere significado expressivo do ponto de vista político.

- Publicidade -

O anúncio da visita do Papa Francisco coloca as expectativas ainda mais altas reforçando o protagonismo religioso de Fátima que se tem mantido intacto ao longo dos anos.

Fátima tem-se afirmado como terceiro destino de visita em Portugal, depois de Lisboa e Algarve, originando uma dinâmica que envolve o território de acolhimento e uma plêiade de atores da administração, sociais e económicos, que no dia-a-dia incrementam um modelo de desenvolvimento que tem como origem o mercado da fé, mas que se expande para diversificados mecanismos e estruturas com forte interacção local e regional.

Olhando para as condições que têm vindo a ser criadas para enquadrar este singular fenómeno de visitação ficamos desapontados pela sua desproporcionalidade face às expectativas e exigências dos visitantes.

Enquanto por todo o Pais assistimos, nos últimos anos, a uma dinâmica de requalificação urbana que tenta garantir melhor qualidade de vida aos cidadãos, dos aglomerados urbanos mais significativos aos mais modestos, em Fátima parece que esse desígnio se esgotou na requalificação da Avenida Principal numa parceria com o Santuário.

Tirando essa exceção, o “crescimento” de Fátima fica a dever-se à Igreja na infra estruturação do território religioso, ao empreendedorismo dos agentes económicos e uma quase invisível ação das Administrações local e central afirmando-se, infelizmente, como um destino parado no tempo a perder competitividade para outros santuários da Europa.

Exige-se investimento na infraestruturação de Fátima dotando este destino de condições de acolhimento dignas e que respeitem o seu estatuto no mundo.

Fátima mantêm a tal singularidade que lhe é conferida pelos milhões de visitantes e pelo que representa em termos de oportunidade de desenvolvimento, mas também pelas fragilidades e insuficiências administrativas, financeiras e politicas com que se debate para o cumprimento de objetivos de desenvolvimento estratégico coerentes com o seu potencial.

Esta contradição representa um desafio que tem de ser agarrado com seriedade e profundidade envolvendo definitivamente uma participação nacional mobilizadora de recursos financeiros para dignificar a resposta local.

Fátima merece também uma reflexão sobre o seu estatuto político – administrativo e uma ação consequente e positiva de modo a honrar o seu significado no País e no Mundo!

Com a rápida passagem do tempo das comemorações do centenário, Fátima corre o risco de mais uma vez perder a oportunidade de ser planeada e projetada na medida da sua relevância enquanto território de expressão mundial.

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome