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Segunda-feira, Julho 26, 2021

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Fátima: Silêncio que se vai cantar o fado de Isabel Gil (c/vídeo)

A “Lanterna do Fado” clama pelo silêncio às sextas-feiras, na Giesteira, freguesia de Fátima. Toca-se o Fado. A voz é de Isabel Gil, 48 anos, proprietária, empregada de mesa, funcionária para todo o serviço. Um dia chamaram-na para cantar o Fado a Nossa Senhora. E nunca mais parou…

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Moradia centenária em pedra, daquelas tão típicas da Cova da Iria, a “Lanterna do Fado” é um restaurante-petisqueira que inaugurou a 2 de março, tornando-se a primeira Casa de Fados de Fátima. O conceito é de Isabel Gil, natural do Valinho de Fátima, que após um período de trabalho na restauração da cidade religiosa decidiu apostar num espaço só seu, onde o fado tivesse um lugar de destaque. Por isso escolheu a Giesteira, aldeia pacata e isolada, já afastada de Fátima, onde o fado pode ser entoado noite dentro sem perturbações.

Isabel Gil canta Fado há cerca de 10 anos, após uma vigília a Nossa Senhora. foto mediotejo.net
Isabel Gil canta Fado há cerca de 10 anos, após uma vigília a Nossa Senhora. Foto mediotejo.net

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Cantadeira desde sempre, participava no coro da paróquia quando, há cerca de 10 anos, a convidaram para cantar numa vigília de fado a Nossa Senhora, na Igreja de Boleiros. “Não sou capaz”, terá dito, argumento que não serviu para dissuadir quem a convidou, levando-a a experimentar a canção portuguesa da saudade. O momento acabou por revelar-se “mágico”, num evento que seria repetido noutras ocasiões. “Ficou o bichinho”, confessou ao mediotejo.net, tendo a partir daí continuado a investir no género musical e até frequentado o Conservatório de Fátima, que viria a deixar por falta de tempo.

Cantou por salões e em festas organizadas para o efeito. Era ama de crianças, profissão que abandonaria por motivos de saúde. Seguiu-se o trabalho em restaurantes, apenas em part-time. Em novembro de 2015 surgiu a ideia da Casa de Fados e o projeto seguiu a toda a velocidade, estando já aberto e a funcionar em pleno.

Porquê a Giesteira? Porque não Fátima, talvez perto do Santuário?, perguntamos.

“O espaço é alugado”, começa por explicar Isabel Gil. “Teríamos que ter uma casa isolada, por causa do som, e que respirasse fado. Fado não é qualquer parede que ouve”, sublinha. A ideia é agora conjugar o restaurante com as noites de música e “trabalhar o fado, que é a nossa cultura. Temos como dever preservar o que é nosso”, defende. Empresa familiar, tem o marido como cozinheiro e o filho a servir consigo às mesas.

Outras vozes cantam e tocam na "Lanterna do Fado", alguns convidados outros por interesse na música. foto mediotejo.net
Outras vozes cantam e tocam na “Lanterna do Fado”. Foto mediotejo.net

Sendo o negócio recente ainda funciona muito pelo passa-a-palavra, tornando-se mais conhecido pelas gentes de fora do que na própria localidade. As noites de fado são às sextas-feiras, contando sempre com a voz de Isabel Gil e outras que desejem participar. Para a fadista, o fado “é uma terapia. Muita gente vai ao psicólogo, eu canto. É um meio de comunicação”. Muitos já a vieram acompanhar: “amigos de Abrantes, Tomar, Leiria, Almeirim, Chamusca”.

Para Isabel Gil o fado tem hoje nova força entre as camadas mais jovens, que “estão a aprender a gostar”, em particular devido aos novos artistas que têm surgido. Na região de Fátima não tem grande tradição, sendo mais comum noutras zonas do Ribatejo.

Terminamos a perguntar se pensa criar uma escola de fado na sua casa. Apesar de se poder ensinar alguma técnica, “fado aprende-se é nas noites, no aproveitar cada bocadinho” para cantar, explica Isabel Gil. “O fado é da noite!”

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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