Fátima | Santuário é uma trincheira de segurança em vésperas de 13 de outubro

A indicação é de duas pessoas por circulo Foto: mediotejo.net

O Santuário de Fátima não chegou a trancar as entradas (os crentes foram sendo impedidos de passar nos postos de controlo já no decorrer da missa), mas o recinto encontrava-se composto na manhã de domingo, 11 de outubro, com boa parte dos círculos desenhados no chão ocupados por peregrinos. Quem acorreu a Fátima a pé comentou ao mediotejo.net que não podia participar na grande peregrinação de segunda e terça-feira, por serem dias de semana. Entrar no recinto revelou-se porém um desafio, tal as exigências de segurança. Alguma desorientação e frustração junto dos guardas era visível.

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– Então mas não posso entrar porquê? Estão ali pessoas.. – comentava uma senhora idosa, com um ramo de rosas brancas nas mãos, junto à grade que vedava o acesso à capelinha das aparições.

– Estavam já lá quando se fechou. Deixou-se terminar a promessa… – tentava explicar o guarda.

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– Só se estão ali desde a madrugada. Ainda agora passou uma senhora de joelhos. É isto que irrita o povo…

– Tenha calma…

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Acesso à capelinha das aparições foi vedada, pelo que algumas pessoas queixavam-se de não poder cumprir promessas ou entregar objetos Foto: mediotejo.net
Em torno do recinto do Santuário, boa parte dos acesso estão fechados Foto: mediotejo.net
Indicação é de duas pessoas por circulo, mas os pequenos grupos nem sempre respeitam Foto: mediotejo.net

Episódios semelhantes eram testemunhados um pouco por todo o recinto do Santuário de Fátima na manhã de domingo, data que se previa concorrida dado o facto do 12 e 13 de outubro coincidirem a dias de semana.

Não obstante as retrições, o cenário do Santuário é de algum movimento neste domingo, dia 11 Foto: mediotejo.net

A desorientação começava logo à entrada, com a maioria dos acessos vedados e a impossibilidade de atravessar o recinto pelo corredor central. Quem queria ir de um local ao outro tinha que sair e dar a volta a todo o santuário.

– Não saias, estás sujeita a não tornar a entrar se fecharem tudo… – ouve-se discutir um casal.

– Não podes ir para aí! – alertava um grupo a um dos elementos que procurava um espaço à sombra.

– Só podem estar duas pessoas no circulo, o senhor tem que ir para o outro – avisava um guarda a um grupo de três pessoas já idosas.

– Quer assistir às cerimónias? Então tem que ir para um circulo e deixar-se estar – explicava outro guarda a uma senhora acabada de chegar e que se deixara a observar a movimentação.

– A Nossa Senhora sabe que a senhora está aqui. Se não quer ficar ao sol vá para um sítio à sombra. – procurava orientar outro guarda.

Cerca das 10h00, os seguranças do Santuário não tinham descanso. Entre indicar entradas e saídas, desinfeção de mãos e orientação das pessoas para os círculos, procurava-se garantir a ordem. Quem circulava fora destas zonas de segurança era constantemente interrogado e rapidamente encaminhado.

Nas poucas entradas abertas faz-se a desinfeção. Praticamente toda a gente entra de máscara Foto: mediotejo.net

A impossibilidade de entrar na capelinha e cumprir promessas parecia ser a frustração maioria dos peregrinos. Mas não obstante se pedisse que os grupos se dividissem por pares, os guardas viravam costas e os grupos tornavam a juntar-se. Ao contrário do que sucedeu nos meses de verão, foi raro ver pessoas sem máscara.

Quem chegou cedo teme perder o lugar Foto: mediotejo.net

O número exato de círculos não foi disponibilizado ao mediotejo.net, mas as contas estão feitas para cerca de 6 mil pessoas, a uma média de duas pessoas por círculo. Pelo início da missa o recinto já estava bastante composto, mas ainda havia muitos círculos vazios.

Nos caminhos que conduzem a Fátima há alguns meses que se tornaram a ver grupos de peregrinos a pé, mas em número muito mais reduzido. A indicação recebida pelas forças de segurança é de que não se aglomerem muito mais que uma dezena de pessoas.

Os peregrinos que o mediotejo.net abordou vinham exclusivamente para a cerimónia de domingo e não pretendiam ficar muito além da tarde. Promessas por cumprir é o que move boa parte dos que chegam a pé, alguns já com tradição de fazer o percurso várias vezes ao ano.

É o caso de Armando Biscaia, que contabiliza cerca de uma centena de viagens. Chegava este domingo de Vagos, distrito de Aveiro, orientando um grupo de uma dezena de pessoas. “Venho para ajudar, sou uma espécie de aguadeiro”, ironizava, contando que costuma fazer de guia deste tipo de grupos várias vezes ao ano.

Grupos a pé que chegavam este domingo vinham com intuito de ver apenas celebração do dia Foto: mediotejo.net

Os impedimentos da pandemia não o assustavam. “Vimos preparados. Temos gel, máscara”, enumerava, assegurando que iriam cumprir o distanciamento social. O objetivo era, simplesmente, “ver a Mãe”.

Outro grupo, com aspeto bastante exausto, chegava da Figueira da Foz, também com expetativas de regressar a casa ainda no domingo. “Na realidade não foi pela data. Havia promessas a cumprir, esta data foi a que nos deu mais jeito”, adiantou Carolina Costa ao mediotejo.net, explicando o porquê da vinda tão perto do 13 de outubro. “Temos noção da dimensão e da quantidade das pessoas que vão estão no santuário, mas vimos preparados”, garantiu.

O plano de contingência do Santuário de Fátima estipulou que só cerca de 6 mil peregrinos podem assistir às celebrações da Peregrinação Internacional Aniversária de outubro, que assinala a última aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos e é presidida pelo bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, José Ornelas.

Esta semana, o Reitor do Santuário, Padre Carlos Cabecinhas, apelou à compreensão dos peregrinos que não possam estar presentes e pediu aos que se deslocarem à Cova da Iria responsabilidade no cumprimento das normas de segurança da distância física, no uso da máscara e no respeito pelas indicações dos acolhedores.

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