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Sexta-feira, Janeiro 28, 2022
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Fátima | Portugal tem sido apenas um “país de passagem” para refugiados

Na peregrinação aniversária de Fátima, em que se marca também a peregrinação dos migrantes, a conferência de imprensa que abre as celebrações, na segunda-feira, 12 de agosto, foi conduzida pela Obra Católica Portuguesa das Migrações, uma das fundadora da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR). Segundo dados avançados nesta sessão, a PAR recebeu até ao momento 726 pessoas requerentes de asilo. Um número pequeno face à realidade global de migrações e pedidos de refúgio à Europa, mas que, mesmo assim, reflete que Portugal é visto apenas como um país de passagem para a restante União.

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Nem sempre os processos de adaptação têm corrido bem, mesmo quando os refugiados optam por ficar em Portugal. D. António Vitalino Dantas, presidente do Secretariado Nacional de Apoio à Pastoral da Mobilidade Humana, admitiu, face às questões da comunicação social, que presenciou situações de pessoas colocadas a trabalhar na construção civil, ou outros empregos que requerem baixa formação, sem terem noção do que estão a fazer ou mesmo aptidões para tal. São frequentemente detentoras de cursos superiores e estão em Portugal porque precisaram de fugir da guerra, não por iniciativa própria, comentou.

“O país nem sempre está atento a esses problemas”, refletiu, não obstante algumas das instituições de apoio a refugiados tenham procurado conseguir equivalências de diplomas e alguns refugiados tenham conseguido voltar a trabalhar nas áreas de formação. De uma forma geral, porém, “sabemos que Portugal é muito escolhido como país de passagem para a Europa”, ao abrigo do espaço Schengen.

Ao fim da tarde de 12 de agosto o Santuário ainda se encontrava bastante vazio Foto: mediotejo.net
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“O acolhimento faz parte de um processo livre da pessoa”, procurou também explicar Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações, sobre as condições de acolhimento de refugiados em Portugal. O país, referiu, continua disponível para receber estes requerentes de asilo, “aprendendo com o passado”, e continuam a ser precisas instituições que estejam dispostas a acolher estas pessoas. “Estamos a trabalhar para que a pessoas percebam que beneficiamos com a diversidade”.

Os dados da PAR apontam para 726 as pessoas recebidas em Portugal, desde que a plataforma que une instituições da sociedade civil para o acolhimento de requerentes de asilo foi criada no final de 2015.

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“726 pessoas é um número pequenino, se pensarmos que estão dispersas por diferentes comunidades e regiões [do país]. É um número que não custa a acolher e, portanto, a Europa tinha capacidade – se não fosse esta recusa de alguns países – de acolher muitos mais”, disse a responsável. Eugénia Quaresma sublinhou ainda que este número ajuda também “a combater a lógica do discurso da invasão” de refugiados na Europa.

Questionada sobre a necessidade de as migrações serem debatidas aquando do arranque da campanha das eleições legislativas, Eugénia Quaresma considerou que é importante esse assunto estar na agenda dos partidos políticos, “mas também da parte de quem os elege”.

“É preciso combater os medos”, defendeu.

A atual configuração do Parlamento Europeu e a posição do Governo italiano relativamente aos refugiados também preocupam Eugénia Quaresma, salientando que é necessário uma resolução “conjunta e colaborativa” para esta questão.

“Temos que olhar para as migrações como algo que faz parte da vida da humanidade”, vincou, frisando que, se hoje uns são refugiados, “amanhã poderemos ser nós”.

A Peregrinação Internacional de agosto arranca esta segunda-feira e termina na terça-feira, com as celebrações a serem presididas pelo cardeal canadiano Marc Ouellet. Segundo o Santuário de Fátima, estão inscritos 50 grupos de peregrinos de diferentes países, como Vietname, Senegal, Polónia, Malásia, Argentina ou Alemanha. Na peregrinação de agosto de 2018 estima-se que tenham marcado presença cerca de 150 mil peregrinos.

c/LUSA

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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