Fátima | Petição contra visita do Papa Francisco ao Centenário das Aparições

FOTO: D.R.

Encontra-se a decorrer uma petição pública “contra a credibilização do «milagre» de Fátima”, cujos primeiros signatários são intelectuais e figuras políticas de Torres Novas e Santarém. O texto manifesta-se em concreto contra a visita do Papa Francisco a Fátima em maio, aquando o centenário das Aparições, por esta vir conferir a “credibilização de uma falsidade”. Na tarde desta terça-feira a petição contava com 312 assinaturas.

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A par da fé popular no milagre do sol de 13 de outubro de 1917 e das aparições de Nossa Senhora, que lhe antecederam, aos três jovens pastores de Aljustrel, há um conjunto de estudos científicos e trabalhos de variada natureza que analisam os acontecimentos por outras abordagens e contestam a veracidade do fenómeno místico de Fátima. Fátima é encarada como o resultado de um conjunto de factores históricos, a ignorância de três crianças ou o aproveitamento da Igreja Católica. Alguns destes livros são do Padre Mário de Oliveira (Lixa), um dos signatários desta petição.

O documento, com data de outubro de 2016, começa por afirmar-se “Contra a ida do Papa a Fátima para credibilizar o «milagre»”. “Não é possível deixarmos de estranhar tal decisão. Com efeito, o chamado «milagre dos três pastorinhos» não passa de um autêntico embuste, algo que mereceu até hoje a atenção de estudiosos sobre o que realmente aconteceu em Maio de 1917 e sobre o processo contínuo e imparável de exploração religiosa montado sobre tão ingénua encenação.

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Quem se informar sobre este caso, fica a conhecer facilmente a forma como os acontecimentos na época foram urdidos, planeados e tramados – entre a dúvida inicial e a posterior complacência da Igreja Católica – numa era de grande obscurantismo cultural e com evidente aproveitamento dessa rústica ignorância”, refere.

“Não é preciso grande esforço para chegar a esta conclusão, nem grande erudição teológica para analisar o caso”, salienta, indicando de seguida vários livros e estudos que atestam esta visão dos acontecimentos. “Ora esta vinda do Papa Francisco a Fátima – a pretexto das comemorações dos 100 anos da tremenda impostura a que alguns teimam em qualificar como «milagre»- significa, de certo modo, a credibilização do falso «prodígio», a ratificação da mentira, a oficialização de um processo ardiloso e inconcebível com objectivos essencialmente políticos, religiosos e económicos, destinado a enganar multidões de crentes desavisados e o povo em geral. Ninguém pode ignorar também a oportunista e florescente «indústria religiosa» que ali está montada”, continua.

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“Esta atitude do Papa Francisco é tanto mais estranha quanto ele tem sido um paladino de humanismo, com posições modernas e progressistas expendidas em diversos domínios, em defesa dos valores da verdade, dignas dos maiores elogios de católicos e não católicos”, salienta. “Esta sua ratificação de tal secular burla na questão de Fátima – por ser contraditória com a verdade – não se percebe, nem se insere na sua já notória causa de combate aos momentos menos claros e erros da Igreja Católica através dos tempos. Nem se pode aceitar de ânimo-leve”.

O texto termina a afirmar que “em coerência” com o que tem sido a postura do Papa Francisco “o melhor serviço” que “prestaria à verdade histórica, seria NÃO vir a Fátima; assim desmistificando o chamado «milagre dos pastorinhos», recusando colaborar com ele, ou dar-lhe o seu aval”. “Por tudo isto, manifestamos a nossa discordância quanto à ida do Papa Francisco a Fátima em Maio de 2017, uma vez que esta visita tem como objectivo a credibilização de uma falsidade”, conclui.

O documento tem visíveis na página da petição os nomes dos primeiros subscritores: Pedro Barroso, autor e músico, Riachos; Padre Mário de Oliveira, presbítero, jornalista, Lixa; Carlos Tomé, advogado, Torres Novas (ex-vereador); João Carlos Lopes, antropólogo, técnico superior da administração local, Torres Novas; Carlos Simões Nuno, antropólogo, professor do ensino superior, Lisboa; Luís Mota Figueira, professor do Instituto Politécnico de Tomar, Riachos; Valdemar Henriques, ex-coordenador da CGTP no distrito de Santarém; João Saramago, engenheiro, Torres Novas; André Nuno Lopes, jornalista, Riachos.

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