O segredo de Fátima – ou como saber investir em tempos de crise

Sentamo-nos e consultamos a ementa, com uma sensação de dejá vu. Poderíamos estar num qualquer MacDonald’s, num recanto de uma grande cidade. Só que estamos num restaurante a poucos metros do Santuário… e que se chama “Segredo de Fátima”.

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A viver há quatro anos nesta cidade do concelho de Ourém, Jorge Antunes sabia que se quisesse comer um bom hambúrguer tinha que se dirigir a Leiria ou a Torres Novas. Na Golegã possuía já um sólido negócio de pastelaria, com os populares “Pastéis de São Martinho”, e começou a imaginar que conceito resultaria melhor na cidade Altar do Mundo. Apostar mais uma vez nos doces torná-lo-ia um entre muitos numa terra dominada pela restauração. Teria que ser original. Inovar. Aí surgiu a ideia de explorar o “segredo”.

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O “Segredo de Fátima” concebido por Jorge Antunes é já um sucesso

Utilizar a marca Fátima associando-a a um produto tradicional no mercado, não é ideia nova no concelho de Ourém. São já conhecidos os “Pastéis de Fátima”, o vinho “Fátima” ou o azeite com o mesmo nome. Jorge Antunes estudou o mercado fatimense e as suas lacunas, procurando apostar num conceito que ainda não existisse na cidade, com uma marca própria, capaz de oferecer algo diferente da concorrência. Decidiu apostar nos menus à la MacDonald’s e, à tradicional versão de carne, juntou a versão de um hambúrguer liberto do ‘pecado’ da carne: é feito de bacalhau. E é um sucesso.

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Abriu em Abril e depressa ganhou fama na cidade. Dinâmico e empreendedor, Jorge Antunes não tem receio de correr riscos, mostrando os seus produtos de pastelaria em todos os hipermercados Continente do Médio Tejo. Em Fátima, além dos hambúrgueres, criou um pequeno folhado de três sabores – um por cada segredo revelado – de castanha, chocolate e amêndoa. O proprietário sonha agora em expandir o seu “Segredo de Fátima” por todo o país.

“Não somos uma cadeia alimentar como o MacDonald’s, não nos focamos na grande produção mas na qualidade”, salienta, explicando que o restaurante foi concebido a pensar nos habitantes locais e, só depois, nos imensos peregrinos. Ainda assim, sonha abrir um novo restaurante a cada dois anos, criando uma marca que possa depois ser universal, juntando o “Segredo de Fátima” e os “Pastéis de São Martinho”. “O segredo é perceber o mercado”, sublinha. “Por isso tentei uma área em que não havia oferta.”

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Jorge Antunes não pára. Na tentativa de agradar a outros públicos, tem disponíveis duas ementas tradicionais, mas salienta que a sua aposta é nos hambúrgueres e na pastelaria de fabrico próprio. A carne é toda ela certificada e o seu hambúrguer de bacalhau “é mesmo feito de bacalhau”.

Duvidou-se e provou-se. Sim, é bacalhau. Uma posta de bacalhau panada. Ainda que a concepção deixe a dúvida a perdurar no palato, tal é o sabor a um hambúrguer como os outros. “Preocupamo-nos bastante com a matéria-prima que utilizamos. Este não é mais um hambúrguer, não é mais um bolo”, destaca.

Apesar da confiança com que fala dos seus negócios, Jorge Antunes mantém a humildade. “Não posso entrar aqui e querer ser melhor que outros”, comenta, referindo que abre portas a colaborar com os restantes hoteleiros. A perspetiva é a de que “onde ganha um, podem ganhar todos”.

“Não é difícil ter ideias”, defende. “Difícil é saber aplicá-las”. Temos de conseguir perceber “se um determinado produto se adequa” ao local onde se quer implantá-lo.

E esse parece ser, afinal, o segredo do seu sucesso.

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