Quinta-feira, Fevereiro 25, 2021
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Fátima | O que falhou na visita do Papa? O protocolo de Estado

Na sexta-feira, 12 de maio, quando o avião do Papa Francisco aterrava em Monte Real, na cidade de Fátima, concelho de Ourém, uma peripécia inesperada invadiu as redes sociais dos autarcas locais. O presidente da junta de Fátima, Humberto Silva, e o presidente da assembleia de freguesia, Eugénio Lucas, assim como qualquer elemento da vereação de Ourém ou mesmo a presidente da assembleia municipal, Deolinda Simões, não puderam estar presentes na recepção ao Papa na chegada deste ao Estádio Municipal de Fátima. O incidente deixou o presidente da Câmara, Paulo Fonseca, sozinho a receber o prelado.

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Em causa estará, aparentemente, o protocolo de Estado, que incluiria apenas, a nível civil, o presidente da Câmara de Ourém. Mas em 2010, segundo disse Humberto Silva ao mediotejo.net, o presidente da junta de Fátima, Natálio Reis, e de assembleia de freguesia foram convidados a estar presentes na cerimónia de recepção, havendo registos fotográficos do momento. Nessa altura, explicou, o protocolo de Estado era organizado pelo Governo Civil de Santarém. “Acabaram-se os Governos Civis”, explicou Humberto Silva, e essa incumbência passou para a Câmara de Ourém.

À chegada de Francisco, apenas Paulo Fonseca estava presente, juntamente com o Bispo de Leiria-Fátima. “Não convidou ninguém da assembleia municipal, da assembleia de freguesia e da junta de freguesia”, sublinhou, “os próprios anfitriões da terra”. “Deu aquela triste imagem do presidente da Câmara sozinho”.

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Um pouco antes da chegada do Papa a Fátima, dados os constrangimentos de comunicação, o mediotejo.net contactou por mensagem Paulo Fonseca, que se referiu ao caso como uma “não notícia”. Enviaria inclusive um foto de 2010, em que na recepção a Bento XVI apenas se vêem o próprio e Sónia Sanfona, então governadora civil de Santarém. “Muitos membros do governo pediram credenciais que foram recusadas pelo protocolo do estado”, destacou.

Humberto Silva garante porém que os autarcas de Fátima estiveram então presentes, assim como em 2000 com João Paulo II. “Vamos fazer um protesto na assembleia de freguesia e na assembleia municipal”, adiantou. “Pelo menos a Deolinda Simões devia ter estado presente”, sublinhou, atribuindo a toda a situação razões de cariz político dado o aproximar das eleições autárquicas (junta de Fátima é PSD, município é PS).

Sem o momento da chegada ao Estádio Municipal, os eleitos de Fátima não tiveram mais nenhuma oportunidade  de contactar com Francisco. Humberto Silva admitiu que ainda foi incentivado a contornar o protocolo e a estar presente, mas optou por não o fazer. Dirigiu-se para a colunata sul, onde estiveram outros representantes municipais e nacionais, e acompanhou todas as cerimónias de sexta-feira e sábado. “É lamentável”, sintetizou.

A par desta situação, a visita do Papa Francisco a Fátima decorreu sem quaisquer incidentes a nível de segurança. A secretária-geral da Segurança Interna, Helena Fazendo, disse na manhã de segunda-feira, 15 de maio, que da Operação Centenário “destaca-se a ordem e tranquilidade pública. Não se registaram incidentes de relevo, sublinhando-se os baixos níveis de criminalidade e de sinistralidade”, refere a Lusa. Ao nível da proteção e socorro, as diversas autoridades assistiram 1.671 peregrinos, foram acionadas 192 emergências pré-hospitalares e 42 pessoas foram transportadas para hospitais.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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