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Domingo, Julho 25, 2021

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Fátima: Imagem da Capelinha em bom estado de conservação e com valor superior ao conhecido

A imagem da Virgem que se encontra na Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima, está em bom estado de conservação e o seu valor é superior ao conhecido, referem as conclusões do seu estudo material hoje tornadas públicas.

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“A escultura encontra-se em bom estado de conservação. No entanto, apresenta pequenos danos no revestimento policromo, como estalados, fissuras, desgastes e destacamentos pontuais da camada estratigráfica”, refere o documento apresentado pelo reitor do templo, padre Carlos Cabecinhas.

O sacerdote falava na conferência de imprensa que antecede a peregrinação internacional aniversária ao santuário, 98 anos após os acontecimentos na Cova da Iria, no distrito de Santarém.

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Na ocasião, Carlos Cabecinhas explicou que “os danos detetados resultam, essencialmente, do manuseamento e deslocação da imagem em contexto litúrgico, assim como das condições ambientais, de temperatura e de humidade relativa a que está diariamente sujeita”.

As conclusões do estudo, feito através de vários métodos tecnológicos, na sua maioria não invasivos, apontam ainda para o enriquecimento do conhecimento da escultura.

“Sabemos que é ricamente decorada com ouro de 22 quilates e com incrustações de diamantes e outras gemas”, adianta o documento.

O trabalho permitiu também conhecer, “de forma pormenorizada, a composição da estrutura do suporte de madeira”, estruturalmente constituído por um “módulo principal disposto na vertical, que vai desde cabeça à base, ao qual se juntaram vários blocos mais pequenos, principalmente na zona das nuvens, fixados com pregos metálicos”, assim como a localização das cavidades internas da peça, possibilitando “maior segurança em futuras intervenções que, porventura, possam vir a ser necessárias”.

Por outro lado, há a noção “das várias intervenções de restauro, justificadas pelo desgaste dos materiais que a constituem”, sendo que do estudo resultou, igualmente, “um conjunto de recomendações que visam a redução do impacto dos fatores de risco a que a imagem está exposta”.

“Neste momento, as equipas envolvidas estão a preparar um plano de conservação, a fim de garantir a manutenção do seu bom estado de conservação, assim como a desaceleração dos processos de degradação”, acrescentam as conclusões, com o santuário a garantir que vai procurar “implementar as medidas propostas sem colocar em causa a função principal desta imagem, que é a cultual”.

Aos jornalistas, o reitor do santuário assegurou que não se pretende, “de forma alguma, uma musealização da imagem que a retire” da função do culto, mas admitiu que as circunstâncias em que está exposta “levantam problemas de conservação”.

“Protegê-la em redoma é o que já acontece, protegê-la numa redoma que a isole um pouco mais, esse é o elemento que podemos trabalhar e que vamos trabalhar”, declarou o sacerdote, afiançando que nas procissões o santuário não quer prescindir do seu uso.

Quanto ao valor da escultura, o responsável disse ser “incalculável”, porque a todos os aspetos contabilizáveis há a somar o que tem a ver com a veneração dos fiéis.

O estudo material da imagem da Virgem de Fátima foi realizado por iniciativa do santuário. Iniciado em 2013, esteve a cargo do museu do templo e do Laboratório de Conservação e Restauro do Instituto Politécnico de Tomar.

A escultura de Nossa Senhora de Fátima, da autoria de José Ferreira Thedim, foi criada em 1920 e é o tema em destaque no número 4 da revista cultural Fátima XXI, do santuário, hoje lançada.

Agência de Notícias de Portugal

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