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Fátima: Há vida sexual para além da Deficiência

“Sexualidade (D)Eficiente” foi o tema de um debate organizado no Centro João Paulo II, Fátima, na quinta-feira, 2 de maio, com especialistas e pais de pessoas com deficiência. Das necessidades e dificuldades sentidas às particularidades de cada tipo de deficiência, salientou-se a igualdade de direitos e a plena capacidade de atingir orgasmos ou ereções por pessoas com limitações físicas.

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“Mesmo no ensino regular” esta é uma “temática difícil”, comentou a respeito do tema Tiago Leite, diretor do centro distrital da Segurança Social de Santarém. “As internets têm muitos malefícios, porque diz-se tudo sem assumir responsabilidade”, refletiu, salientando que não se deve deixar a pessoa deficiente procurar a informação sozinha e ajudá-la nesse processo.

foto mediotejo.net
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Alguns testemunhos da vivência da sexualidade pela pessoa com deficiência foram deixados pelos psicólogo clínico e sexólogo, Jorge Cardoso. “Disseram-me «Isso agora foi tudo»”, “Nem podemos dar um beijinho. Até parece que nunca fizeram o mesmo”, “Disseram-me que não era um orgasmo mas um para-orgasmo” ou constatações sobre a redescoberta da ereção foram algumas das histórias deixadas à análise do público.

“Se misturarmos deficiência e sexualidade temos um par conflituante”, com muitos preconceitos, silêncios e dificuldades, constatou Jorge Cardoso. Gera-se a conclusão de que a sexualidade “é algo destinado a gente saudável, jovem e de preferência bonita”. O psicólogo defendeu assim a necessidade de consciencialização de que a sexualidade da pessoa deficiente é “em todo semelhante” às pessoas sem deficiência. “A saúde sexual contribui largamente para a qualidade de vida, por tal não deve ser negligenciada”.

O psicólogo salientou ainda que o grande problema das pessoas com alguma limitação física não é o ato sexual em si, mas “com quem fazer”. Numa situação em que conviver em grupos oferece dificuldades de, por exemplo, acessibilidade, os relacionamentos tornam-se uma ideia repleta de constrangimentos. Não é à toa que a “deficiência está conotada com a inferioridade”.

No que toca ao deficiente cognitivo, a situação muda de contornos. O desenvolvimento físico é normal e atinge a maturidade no tempo devido. “O corpo está amadurecido, mas a nível cognitivo e emocional há um atraso”, que pode ser de variados níveis.

A partilhar a sua experiência enquanto pai esteve o professor Manuel Miranda, que ao longos dos últimos 38 anos, com o nascimento do filho com uma deficiência mental profunda, se dedicou ao estudo do tema. Frisou assim por diversas vezes que “os direitos conquistam-se” e são a evolução de uma longa consciencialização em torno do que é ser deficiente.

A este respeito abordou a questão das escolas. “Não são necessárias só rampas”, mas muitas estruturas, de professores a equipamentos, que ofereçam o apoio adequado. “Numa grande parte das escolas este apoio é relegado”, apesar da legislação existir.

Sobre a sexualidade, mencionou o estigma associado ao deficiente mental. “Não são assim tão perigosos”, salientou, mas são pessoas que também precisam de carinho.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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