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Fátima | Dos crentes aos opositores: Santuário lembra quem deu voz ao fenómeno (c/vídeo)

Jornalistas, populares, clérigos, estudiosos laicos e religiosos, políticos, artistas. O Santuário de Fátima reúne na exposição “Os Rostos de Fátima – fisionomias de uma paisagem espiritual” todas as principais figuras que de algum modo, mesmo estando contra, acabaram por dar voz ao fenómeno de Fátima. A mostra, no piso inferior da Basílica da Santíssima Trindade, está patente de 28 de novembro a 15 de outubro de 2022.

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Este é um percurso pelos “rostos de Fátima” que de algum modo acaba por conduzir a uma reflexão espiritual. “A ação de todas aquelas figuras que vimos na primeira parte, conduz precisamente a esses quadros contemplativos porque se inscreve nas temáticas que são o eixo forte de Fátima: a presença de Deus no mundo, o anúncio de que é possível mudar o nosso quotidiano a partir da ideia de redenção, a lógica de percebermos que Fátima é um aviso à humanidade para que não perca o seu rumo, a partir daquilo que são os pilares fundamentais do ser humano”, explicou ao mediotejo.net o diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte.

Artur de Oliveira Santos é um dos rostos lembrados nesta exposição, não obstante tenha sido grande crítico de Fátima Foto: mediotejo.net

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“A exposição vai terminar com as palavras do Papa Francisco, que são tão importantes na atualidade e que chamam a atenção para que a humanidade não pode sobreviver se não se considerar a partir da categoria da irmandade, da fraternidade”, refere.

A exposição abre com os “protagonistas da primeira hora” de Fátima, os videntes Francisco, Jacinta e Lúcia. Aqui é possível ver a primeira prova fotográfica da mais célebre fotografia dos três pastorinhos (o negativo está perdido), naquela que Marco Daniel Duarte considera ser a fotografia “mais reproduzida do mundo”. Sem números, o responsável reflete que “mesmo comparando com exemplares da política, do futebol, etc, não terão tantas reproduções. Só o Santuário de Fátima reproduz milhões”.

Seguem-se os rostos que levaram a história e a mensagem de Fátima para outras geografias. Neste núcleo figuram, por exemplo, o jornalista de “O Século” Avelino de Almeida, que, em outubro de 1917, escreveu “Como o Sol bailou em Fátima” (um exemplar da edição original da reportagem vai estar em exposição); Maria Teresa Pereira da Cunha e Maria Teresa Vilas Boas, impulsionadoras das viagens da Imagem Peregrina, as primeiras das quais estão iluminadas num mapa de grande dimensão; ou o papa João Paulo II, que peregrinou ao santuário por três vezes.

Noutro espaço, o visitante é convidado a conhecer os rostos dos bispos da diocese e reitores do santuário que administraram o espaço e prepararam-no para receber multidões, seguindo-se os rostos de críticos e opositores a Fátima, como Tomaz da Fonseca ou João Ilharco. Neste espaço encontra-se também Artur de Oliveira Santos, administrador do concelho de Ourém responsável pela prisão dos pastorinhos em agosto de 1917, junto a um busto da República que era de sua propriedade.

A mala que acompanhou as primeiras viagens da Virgem Peregrina é um dos artigos expostos Foto: mediotejo.net

“São autores que se empenharam a destruir a imagem de Fátima e como Fátima podia ser desmontada”, explica Marco Daniel Duarte, também diretor do Departamento de Estudos  do Santuário de Fátima.

Na senda da destruição de Fátima, surge a imagem da Capelinha das Aparições dinamitada, em março de 1922, antecedida de um fragmento da porta à época.

Rostos de investigadores e estudiosos do fenómeno de Fátima, como o cónego Manuel Nunes Formigão ou o cardeal Joseph Ratzinger, atual papa emérito Bento XVI, surgem no núcleo seguinte, que antecede o espaço dedicado aos poetas, literatos e artistas, surgindo o nome de 118 artistas com trabalho em Fátima, da arquitetura à escultura, da pintura à ourivesaria ou design.

“A arte em Fátima é também um rosto”, assinala Marco Daniel Duarte.

A completar a primeira parte da exposição estão rostos de peregrinos, em oito telas grandes, “a ‘olhar’ para objetos que “os peregrinos mais sonantes”, os papas Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco, ofereceram a Fátima.

Num painel figuram os nomes de mais de uma centena de artistas que contribuíram para o espólio artístico do Santuário de Fátima Foto: mediotejo.net

Marco Daniel Duarte acrescentou que a segunda parte da exposição, “muito mais contemplativa”, procura “mostrar os rostos de Fátima ao nível espiritual, desde logo a partir de qual é o Deus que é apresentado em Fátima”, e do “Anjo, que aparece como aquele que vem advertir para quando a humanidade se desvia do caminho que a leva a ser humanidade”, e olhar para o que é o rosto dos peregrinos em Fátima.

“É, na verdade, uma reflexão sobre o que é a condição humana, como nascemos, como caminhamos, do que é que nos alimentamos, como é que cuidamos uns dos outros na fragilidade, na doença, como é que enfrentamos a nossa morte”, exemplificou.

Por fim, o rosto de Maria em Fátima, em forma de coração, destacando-se nesta parte a coroa de Nossa Senhora de Fátima, na qual está incrustada a bala que atingiu João Paulo II, em 13 de maio de 1981, em Roma.

“E tudo isto depois é cerzido a partir de uma linha condutora que vai juntar todos estes fios, todos estes rostos, e que no final de tudo nos vai encaminhar para uma grande legenda”, feita com palavras da última encíclica do Papa Francisco, acrescentou o comissário.

“Passada a crise sanitária, (…) oxalá não seja inútil tanto sofrimento, mas tenhamos dado um salto para uma nova forma de viver e descubramos, enfim, que precisamos e somos devedores uns dos outros, para que a humanidade renasça com todos os rostos, todas as mãos e todas as vozes, livres das fronteiras que criamos”, lê-se no excerto da encíclica “Fratelli Tutti”, no termo da exposição.

Exemplar da reportagem do jornal “O Século” sobre o milagre do sol vai estar exposto junto à fotografia do jornalista Avelino de Almeida. Também haverá negativos das fotografias tiradas a 13 de outubro de 1917 Foto: mediotejo.net

Para o responsável, um dos principais rostos de Fátima acaba por ser o do peregrino. “É sem dúvida o rosto do peregrino. Porque todos aqueles que aqui estão, mesmo os que se fizeram estudiosos de Fátima, aqueles que se fizeram difusores de Fátima, forma numa primeira instância peregrinos”, constata.

A mostra “Os Rostos de Fátima: fisionomias de uma paisagem espiritual” vai estar patente ao público diariamente até 15 de outubro de 2022, das 09h00 às 18h00, no Convivium de Santo Agostinho, na Basílica da Santíssima Trindade.

c/LUSA

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Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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