PUB

Fátima: Diocese alerta mas não “superintende” turismo religioso

O Sindicato Trabalhadores da Indústria da Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro passou na última semana por Fátima e esteve a alertar os trabalhadores dos hotéis e restaurantes para os seus direitos laborais. No final da ação, foi enviada uma carta à Diocese de Leiria-Fátima e Câmara de Ourém para que intervenham junto do tecido empresarial da cidade e combatam as ilegalidades. A Diocese de Leiria-Fátima respondeu que o tema tem sido alvo de alertas, mas a instituição não tem qualquer tipo de autoridade sobre o tecido empresarial que explora o turismo religioso.

PUB

“Trabalho clandestino e não declarado, o trabalho à peça, por cliente angariado, os descontos no salário de todos os períodos de pausa incluindo o da satisfação de necessidades básicas, o pagamento de salários de valores abaixo do contratualizado e de Lei (proliferando o valor mínimo de salário para quase todas as categorias profissionais), desrespeito pelas qualificações profissionais, não pagamento do trabalho prestado em dia feriado, trabalho extraordinário não remunerado e exigido 4 e 5 horas para além das 8 obrigatórias na jornada diária, entre outras”, foram algumas das denúncias deixadas junto das autoridades religiosas e civis.

Esta foi a primeira tentativa do Sindicato da Hotelaria chegar ao “coração da Igreja católica”, apelando a uma interceção “junto do tecido empresarial estabelecido em Fátima, para que se ponha termo de vez a estas ilegalidades”.

PUB

A missiva do Sindicato da Hotelaria já teve resposta da Diocese de Leiria-Fátima. Segundo o documento a que o mediotejo.net teve acesso, encaminhado pelo Gabienete Episcopal ao Sindicato, a instituição refere que “nos diversos encontros e atividades em que participa, o Senhor D. António Marto manifesta frequentemente preocupação pela dignidade das condições de trabalho e de vida de todas as pessoas; ocasionalmente tem chamado a atenção para eventuais injustiças sociais ou desrespeito dos direitos elementares. Não deixará de estar atento aos direitos de todas as pessoas envolvidas e dos diversos interesses em causa”.

Alerta porém para as suas limitações quanto a uma possível intervenção para combater as ilegalidade. “Relativamente à situação que a vossa carta refere, ao contrário do que aí é referido, o Bispo de Leiria-Fátima não superintende o turismo religioso, nem tem qualquer relação privilegiada com as diversas entidades comerciais e agentes económicos”.

PUB
PUB
Cláudia Gameiro
Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).