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Domingo, Junho 13, 2021

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Fátima | Com pedidos de ajuda a disparar, Associação Mãos Unidas aposta em horta comunitária

As situações mais desesperadas são as de imigrantes a sofrerem as consequências da diminuição brutal do turismo de Fátima.

Tem sido um ano exigente para a Associação Mãos Unidas com Maria, instituição sem fins lucrativos de Fátima que presta ajuda social de variada natureza, a nível local e para países do continente africano. Com os pedidos de ajuda a disparar, sobretudo entre imigrantes que vivem atualmente situações de desespero devido à crise pandémica, a associação viu-se confrontada com pedidos de alimentos, algo com que só ocasionalmente trabalhava. Nasceu assim a ideia de criar uma horta comunitária. O terreno escolhido situa-se no bairro de Lombo d’Égua, em Fátima, no concelho de Ourém, e a associação está a receber inscrições, aceitando também voluntariado. 

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Fundada em 2018, a Associação Mãos Unidas com Maria tem-se dedicada à ajuda social e humanitária, enviando contentores com todo o género de bens não perecíveis para países como Moçambique, Guiné-Bissau ou São Tomé e Príncipe. Roupa, brinquedos, livros, mobiliário ou mesmo material hospitalar tem sido o foco da instituição, que também atua a nível local, ajudando famílias necessitadas, em particular imigrantes.

“Com a pandemia triplicaram os pedidos de ajuda”, comenta ao mediotejo.net a presidente da Associação, Florinda Marques. “É muito raro darmos alimentos, mas temos sido contactados por muitos imigrantes, sobretudo brasileiros”, começa por explicar. Muitas instituições diminuíram os apoios sociais ou fecharam as portas com a pandemia, pelo que há muita gente desesperada à procura de ajuda. “Ficámos sobrecarregados”, admite.

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Os pedidos desesperados chegam sobretudo de imigrantes a sofrerem as consequências da diminuição brutal do turismo de Fátima. A associação começou a pensar numa forma de criar um espaço ao ar livre que possibilitasse dar a estas pessoas alguma fonte de rendimento, tendo surgido a ideia da horta comunitária.

Terreno de 1100 m2 está disponível para ser plantado em Lombo d’Égua Foto: mediotejo.net

Desde setembro que Florinda Marques e a sua equipa andavam à procura de um terreno onde possam concretizar este projeto, tendo pedido ajuda à junta de freguesia de Fátima e à Câmara Municipal de Ourém. Depois de várias tentativas e algumas ideias falhadas, foi o Hotel Cinquentenário, em Fátima, a disponibilizar um terreno de 1100 metros quadrados para a causa, no bairro de Lombo d’Égua.

Neste momento a associação está a deparar-se com a necessidade de ter alguns equipamentos para que o espaço possa funcionar, como casas de banho, mas o projeto está em andamento. O terreno foi lavrado nos últimos dias, havendo já cinco famílias, quatro delas brasileiras, interessadas em dispor de um pouco de terra para fazer uma horta. 

“Batemos a muitas portas”, admite Florinda Marques. “Ficarei eternamente grata” ao Hotel Cinquentenário pelo empréstimo do terreno. “Queremos fazer um espaço bonito”, continua, que as escolas possam frequentar e onde os mais velhos possam vir transmitir um pouco dos seus conhecimentos sobre agricultura. 

A utilização do terreno não será paga, garante, pedindo apenas a Associação uma contribuição mensal, no valor mais conveniente à família, para um projeto de apoio que a instituição tem com uma escola em Changara (Moçambique), ajudando a suportar os custos para que as crianças locais possam ir às aulas. 

“Estamos sobrecarregadíssimos em termos de trabalho”, reitera Florinda Marques, adiantando que depois da entrevista iria prestar auxílio a uma família marroquina a passar dificuldades. “Este ano aumentaram mesmo muito os pedidos de ajuda”, reforça. Muitas vezes precisam sobretudo de conversar, sendo que recentemente a responsável acabou a evitar uma tentativa de suicídio.

A associação bate a muitas portas, mas são também muitos a querer ajudar. Neste momento as maiores dificuldades da instituição são até a ausência de um espaço onde depositar todos os bens recolhidos. Os transportes também são outro problema frequente.

Por norma a Associação faz os pedidos de ajuda através do Facebook, mas na manhã de terça-feira, 11 de maio, esteve no mercado de Leiria. “Recebemos couves e tudo o que é hortaliça para plantar”, refere. 

Quem quiser ajudar a associação de forma voluntária também será bem recebido. O objetivo é agora criar uma horta comunitária bem organizada para que quem tenha mais dificuldades possa, pelo menos, ter um pedaço de terra para plantar. 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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