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Terça-feira, Novembro 30, 2021

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Fátima | Cardeal Tolentino Mendonça apela a um “relançamento espiritual” pós-pandemia, num 13 de maio marcado pela ordem

"Não basta voltarmos exatamente ao que éramos antes: é preciso que nos tornemos melhores. É preciso que desconfinemos o nosso coração", disse em Fátima o Cardeal Tolentino Mendonça

Apesar da concentração de pessoas fora do recinto do Santuário de Fátima, que atingiu o limite de 7.500 pessoas um pouco antes das 09h00, as celebrações do 13 de maio foram marcadas pela ordem e respeito pelas normas de segurança sanitária. Na sua homilia de quinta-feira, o Cardeal D. José Tolentino Mendonça, que presidiu às celebrações, deixou um apelo a um “relançamento espiritual” após a pandemia, um desconfinamento do “nosso coração”, para que o mundo se possa tornar um lugar melhor.

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Recordando o evangelho, que narrou o episódio de Cristo crucificado falando para a Mãe, o Cardeal referiu que “Jesus não se conforma ao fatalismo”. Pelo contrário, “na hora suprema de crise, Ele continua a empurrar a história para a frente, continua a ativar futuros, a inscrever o futuro de Deus no atribulado presente histórico dos homens, a devolver a esperança a quantos se sentem cansados e oprimidos, a tomar sobre Si – com que compaixão! – todas as feridas, a buscar e reintegrar o que estava declarado como perdido”, refletiu.

“Olhando para a cruz poderíamos pensar que Jesus estava brutalmente confinado. E estava. Mas o verdadeiro desconfinamento é aquele que o amor opera em nós”, continuou.

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Apelaria assim a um “relançamento espiritual” depois da pandemia, considerando que “não basta voltarmos exatamente ao que éramos antes: é preciso que nos tornemos melhores. É preciso que desconfinemos o nosso coração.”

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“O mundo fatigado por esta travessia pandémica que ainda dura, e que pede a cada um de nós vigilância e responsabilidade, não tem apenas fome e sede de normalidade: precisa de novas visões, de outras gramáticas, precisa que arrisquemos ter sonhos”, referiu. Em particular aos jovens, deixou o apelo: “em vez de ter medo, tenham sonhos. Sintam que o futuro depende da qualidade e da consistência dos vossos sonhos.”

As cerimónias de quinta-feira foram ainda marcadas pela transmissão de uma mensagem do Papa Francisco aos peregrinos de Fátima. “Este é o momento de pedir à Mãe pelo mundo inteiro (…) e por cada um de nós, pelas vossas famílias, pela vossa terra natal, por Portugal”, disse Francisco.

Depois de saudar os fiéis “de uma maneira especial” e agradecer a sua presença no Santuário, o Papa estendeu o apelo a “todos os que estão a sofrer com esta pandemia de covid-19, por tantos os que perderam o seu trabalho, os seus entes queridos”, alertando para “tanta pobreza e miséria que esta pandemia está a gerar”.

“Este é o momento para a oração”, salientou, e exortou os fiéis a nunca se esquecerem da Virgem de Fátima.

Apesar de se verificar alguma concentração de fiéis fora do recinto do Santuário, que atingiu a lotação de 7.500 pessoas permitida, as autoridades não reportaram problemas, afirmando que as indicações sanitárias estavam a ser compridas, nomeadamente o distanciamento social e uso de máscara.

c/LUSA

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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