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Segunda-feira, Julho 26, 2021

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Fátima: “Ar abençoado” enlatado passou pela cidade mas comerciantes recusaram vendê-lo

“Isso é um absurdo!!!”, afirma uma lojista de Fátima, indignada. “Não tem lógica nenhuma… Ar!!! Tem que haver um limite!!!” O mediotejo.net visitou várias lojas de artigos religiosos da cidade de Fátima ao princípio da tarde desta quinta-feira, 30 de junho, e não encontrou à venda a pequena lata de três euros que vende “Ar abençoado de Fátima”, como hoje foi noticiado pelo Jornal de Notícias.

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Ao que apurámos junto de alguns comerciantes, a empresa responsável pelo produto passou há alguns meses pela cidade com um catálogo, mas não obteve aceitação dos lojistas, que consideram o produto fora do limite aceitável para venda ao turista religioso.

Terços, imagens de vários santos e de variados materiais (de plástico a metais preciosos), pulseiras, canetas, porta-chaves, corta-unhas, garrafões/imagens/peixes de plástico para levar água de Fátima, ímans, imagens de Nossa Senhora que mudam de cor conforme a temperatura, relógios, quadros, almofadas, lembranças para “Tio”, “Sobrinho”, “Mãe”, etc, com a imagem de Nossa Senhora, canecas, pisa-papéis, terços que cheiram a rosas… Em Fátima vende-se de tudo, menos as latas de “ar abençoado” que uma empresa da Venda do Pinheiro anda a comercializar no país.

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água de Fátima, vendida e pequenas garrafas. Há comerciantes que enchem diretamente na fonte do Santuário. foto mediotejo.net
Água de Fátima, vendida em pequenas garrafas. Há comerciantes que enchem diretamente na fonte do Santuário. Foto: mediotejo.net

Em Fátima, ser comerciante de artigo religioso está hoje envolto num certo estigma. A par do julgamento moral pelo negócio feito à conta da religiosidade popular, há as múltiplas polémicas que já causou, nomeadamente com os artigos expostos nos passeios. Atualmente o cenário está mais composto e tende-se a evitar abusos, mas os comerciantes mostram receio, ninguém se deixa fotografar e poucos aceitam dar o nome ao seu testemunho.

O mediotejo.net falou com vários lojistas, a maioria de forma informal, tentando perceber como foi recebido o produto de ar enlatado e outros produtos sui generis que passam pela cidade.

Maria do Carmo pensava que a pequena lata com “ar abençoado” era apenas um rumor e que tal não existia. Na sua loja vende as ditas imagens que mudam de cor conforme a temperatura, água de Fátima e dezenas de pequenos artigos que fazem referência à cidade. “A lata não tenho”, refere, comentando que tem na sua loja à venda o Terço do Centenário, produto esse sim certificado com marca Fátima.

pulseiras com imagens são neste momento, segundo os comerciantes, produtos que mais se vendem na cidade. foto mediotejo.net
Pulseiras com imagens são neste momento, segundo os comerciantes, os produtos que mais se vendem na cidade. Foto: mediotejo.net

O mesmo cenário é-nos relatado por Emília Narciso, outra lojista, que desconhecia inclusive a existência do produto. Os turistas compram sobretudo terços, imagens e pulseiras com imagens de Fátima, mas tudo em ponto pequeno. Longe vai o tempo, reflete, em que se vendiam artigos caros e grandes, com as Nossas Senhoras que tem à venda na sua loja. “Quem compra mais é o espanhol e o português. Mas pouquinho”, explica.

O mediotejo.net passou por mais lojas, que confirmaram a passagem do vendedor do “ar abençoado”, mas preferem não dar a cara. Muitas polémicas já viveram, muitas entrevistas que depois deram mau resultado e má fama ao comércio. O julgamento moral do negócio do artigo religioso é o que mais ressente os comerciantes. Ainda assim, “ar enlatado” parece ter sido a gota de água. “É uma estupidez”, afirmaram vários vendedores. “Mesmo os clientes dizem que é um absurdo.”

A ideia não é de todo “peregrina”. Por diversas vezes, em várias partes do mundo, outros “empreendedores” já tiveram a mesma ideia, como poder ver nestas imagens…

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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