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Fátima: A Via Sacra das Parábolas

Cerca de 200 figurantes e atores participaram na edição deste ano da Via Sacra de Fátima, domingo, 20 de março. Uma iniciativa particular no país, uma vez que é realizado o caminho dos Três Pastorinhos de Fátima até à Cova da Iria e a encenação é entrecortada pelas parábolas de Jesus Cristo. A iniciativa realiza-se no Domingo de Ramos para não chocar com a Via Sacra de Ourém, na sexta-feira santa, que detém maior tradição no concelho.

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Ensaios no sábado, dia 19, juntaram alguns jovens da catequese de Fátima, na encenação das parábolas. foto mediotejo.net
Ensaios no sábado, dia 19, juntaram alguns jovens da catequese de Fátima, na encenação das parábolas. foto mediotejo.net

O mediotejo.net visitou os ensaios no sábado, dia 19 de março. Apenas cerca de meia centena de pessoas estavam presentes, recordando os passos e os diálogos já interpretados nos outros três anos em que se desenvolveu a iniciativa. Os alunos do 10º ano da catequese ainda discutiam entre si quais as parábolas que seriam possíveis fazer, uma vez que havia menos participantes que nas edições anteriores. A representação, confessaram alguns, já não possui o mesmo gosto de novidade que noutros anos. E a chuva e o frio não convidam a sair de casa.

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“É uma iniciativa da Paróquia”, confessou o Pároco de Fátima, Rui Marto, referindo que escolheram o Domingo de Ramos por uma questão de respeito para com a mais antiga Via Sacra do município, na vila medieval de Ourém (no Castelo). “É preciso respeito pelas pessoas, pelos eventos. Não colocar eventos à mesma hora para que não colidam”, salientou.

Na sua quarta edição, a Via Sacra de Fátima manteve as suas características particulares: o percurso desde o Santuário de Fátima até à Igreja Matriz é o “percurso espiritual” dos Pastorinhos, que na Cova da Iria pastavam os seus rebanhos e na Igreja praticavam os rituais religiosos. “Quisemos que este percurso estivesse ligado a isso”.

foto mediotejo.net
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A Via Sacra procurou manter também a encenação com momentos em que são lembradas as parábolas de Cristo. “Quando Jesus contava essas histórias estava a apontar para este acontecimento”, procurou explicar o Padre Rui Marto. “Pode parecer estranho, mas o sentido é esse”.

A recetividade da parte da população nos últimos anos tem sido boa, com pessoas de fora a ligarem para a paróquia ou para o Turismo a perguntar quando se realiza a Via Sacra. “Quisemos que não fosse só um momento pietista, que fosse um exercício de piedade mas também de cultura”, explicou o Pároco, razão pela qual o Conservatório de Música Ourém-Fátima entra também na encenação.

Este ano o som teve melhor qualidade, apoiado pela Câmara Municipal de Ourém, e optou-se por gravar os textos, com os atores a fazerem playback, de forma a que se entendessem melhor os diálogos, proclamados ao ar livre. No dia dos ensaios a organização ainda era difusa, com pequenos grupos a reverem, cada um por si, as partes que deveriam interpretar.

foto mediotejo.net
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Um dos dois “Jesus” que participaram na Via Sacra é um jovem Basco, de 28 anos, chamado Fernando, que pertence à Comunidade Cenáculo, instalada em Fátima. “Na nossa comunidade fazemos teatros, agora estamos a fazer o Filho Pródigo na Ortiga”, explicou. “Há três anos atrás fizemos a Via Sacra e eu fiz de Jesus. Como o ator que fazia de Jesus foi para o Canadá e tinham-me visto, convidaram-me. Jesus é único. É muito bonito. Nós fazemos parte de uma comunidade católica e fazemos um caminho cristão. É uma maneira boa de entrar na semana santa. É uma forma de oração”, comentou ao mediotejo.net.

Já os adolescentes encarregados de protagonizarem as parábolas não estavam tão entusiasmados, sobretudo com as possibilidades de chover. Encarnar Cristo não fazia parte dos desejos de alguns rapazes, mais interessados em integrar o grupo que faz de “Povo”. “Temos que trabalhar muito e se for para fazer à chuva é complicado”, comentava João Domingues, de 15 anos.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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