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Faleceu Maria Amélia Horta Pereira, investigadora que se dedicou ao património maçaense

Maria Amélia Abally Horta Pereira Bubner, investigadora, historiadora e ex-diretora do Museu Municipal de Mação, faleceu aos 86 anos. A Professora Maria Amélia Horta Pereira foi responsável pelo estudo da coleção e projeto para aquele que viria a ser o atual Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo/Museu Municipal Dr. João Calado Rodrigues. O projeto só se concretizou no ano de 1986, altura em que abriu ao público com a coleção de João Calado Rodrigues e o espólio reunido por Maria Amélia Horta Pereira desde 1967, que contemplava não só a arqueologia como também a etnografia e a arte.

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Em 2016, Mação acolheu um encontro de História Local, onde vários investigadores se reuniram no Centro Cultural Elvino Pereira para assinalar os 70 anos da descoberta do Castelo Velho do Caratão bem como homenagear a Professora Maria Amélia Horta Pereira Bubner, antiga conservadora do Museu Municipal Dr. João Calado Rodrigues.

Na altura, a direção do Instituto Terra e Memória (ITM), na pessoa de Luiz Oosterbeek, atribuiu uma Placa de Honra a Maria Amélia Horta Pereira Bubner, “em homenagem à sua obra de investigação e preservação do Património Histórico, Arqueológico e Etnográfico do concelho maçaense, com especial relevo para a concretização do projeto de criação do Museu Municipal de Mação”.

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O Município de Mação expressou o seu lamento pelo falecimento de uma figura ímpar que marcou o concelho de Mação pela forma como recuperou o sonho e o trabalho de João Calado Rodrigues, na conceção e inauguração do Museu.

Foto: CMM

“Pela sua mão seguiu-se a etapa de concretização do projeto museológico de Mação, sempre com a preocupação de ligação à comunidade e à investigação, por si coordenada, e durante a qual procedeu a novas intervenções arqueológicas que consolidaram uma visão integrada do património cultural e natural do concelho. Deixou-nos ainda, o marcante livro “Monumentos Históricos do Concelho de Mação”, uma obra ímpar em que nos diz, sobre Mação, o seguinte: «A beleza dos lugares, a sua melancólica solidão, o afastamento dos grandes centros e das vias principais, conferem a todo o concelho uma genuinidade de carateres difícil de encontrar já em Portugal inteiro».

O Município presta publicamente, num texto partilhado na página institucional de Facebook “o reconhecimento e enorme agradecimento do Município de Mação a Maria Amélia Abally Horta Pereira Bubner”.

Também Luiz Oosterbeek, atual diretor do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo, não quis deixar de prestar o reconhecimento pelo percurso e currículo desta investigadora, tendo enviado à redação do mediotejo.net uma biografia de Maria Amélia Horta Pereira.

Luiz Oosterbeek, Maria Amélia Horta Pereira e Vasco Estrela durante a cerimónia de homenagem à investigadora, em 2016. Foto: CMM

“Maria Amélia Abally Horta Pereira Bubner nasceu em Lisboa, em 6 de Janeiro de 1935. Filha de Pedro Horta Pereira (um engenheiro industrial do ramo da cortiça, natural de Rossio ao Sul do Tejo, em Abrantes) e de Amélia Pinto Abally Horta Pereira (natural de Lisboa e de ascendência paterna Catalã), licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1964″, começa.

Mãe de Miguel André Abally Pereira da Silva Pinto e de João Paulo Horta Pereira da Silva Pinto, filhos do seu primeiro casamento com António Amílcar Ferreira da Silva Pinto, casou mais tarde com o pré-historiador Thomas Hartmut Bubner, companheiro de descobertas e pesquisas nomeadamente no concelho de Mação.

No mesmo texto, recorda que foi sócia-correspondente da Academia Portuguesa da História, tendo sido aluna de Fernando de Almeida, terceiro diretor na história do Museu Nacional de Arqueologia, que sucedera a Manuel Heleno (do qual também foi aluna). Veio a ser, mais tarde, conservadora do mesmo Museu. Também colaborou na reabertura do Museu Hipólito Cabaço, em Alenquer, tendo assumido funções como diretora.

Maria Amélia Horta Pereira (à esquerda) numa das escavações no concelho de Mação. Foto: DR

Já no final da década de 1960, iniciou “a organização das coleções reunidas por João Calado Rodrigues em Mação. O que veio a ser o acervo inicial do Museu, na sua esmagadora maioria de arqueologia, Maria Amélia Horta Pereira Bubner, seguindo a metodologia praticada pelo então Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia, ampliou as coleções etnográficas, ao mesmo tempo que procedeu a trabalhos de prospeção e sensibilização da população para a importância do conhecimento das origens e evolução da espécie humana, focando de forma muito destacada as artes e ofícios tradicionais. Mais tarde, iniciou escavações arqueológicas, cativando diversos jovens para o universo da arqueologia, contribuindo dessa forma para uma importante consciência difusa na população de Mação, sobretudo a partir da década de 1980”.

Segundo Luiz Oosterbeek, foi em 1969 que iniciaram as escavações arqueológicas conduzidas por Maria Amélia Horta Pereira em Mação, mais concretamente na Buraca da Serpe do Bando dos Santos “tendo a intervenção sido suscitada pela significativa toponímia, vindo a revelar importantes contextos pré-históricos”.

Anta da Foz do Rio Frio, em Ortiga, foi relocalizada por relocalizada em 1982, por Maria Amélia Horta Pereira e o marido Thomas Bubner. Foto: CIMT

Na década de 80, as escavações incidiram em locais por onde já havia passado João Calado Rodrigues, caso do Castelo Velho do Caratão, por este assinalado em 20 de Junho de 1946. Outros locais descobertos pela investigadora, caso da Anta da Foz do Rio Frio ou da Conheira do Penhascoso, “viriam a configurar o território de Mação como essencial para o estudo da pré-história na região”, sendo que estes seus trabalhos contaram com o acompanhamento do então seu marido, Thomas Bubner, também já falecido.

Maria Amélia Horta Pereira publicou ainda o seu primeiro artigo sobre Mação em 1970, intitulado “Três jazidas paleolíticas no Concelho de Mação”, e no mesmo ano nasce a obra com edição municipal “Monumentos Históricos do Concelho de Mação”.

Exposição permanente do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo. Foto: mediotejo.net

Em 1986, inaugurou o Museu Municipal de Mação com uma exposição “concebida para a população local” enquanto “um fio condutor das origens aos seus dias”, numa “ação decisiva para a consolidação de uma relação da população de Mação com os vestígios do seu passado histórico e arqueológico”.

Mesmo após a sua aposentação enquanto diretora, Luiz Oosterbeek ressalva que Maria Amélia Horta Pereira “continuou a colaborar de forma generosa com as equipas do Museu de Mação”.

“Poucos dias depois de completar 86 anos, deixa família, amigos e a memória de uma dedicação firme em defesa do património cultural. Que descanse em paz”, termina Oosterbeek, em homenagem à historiadora.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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