F. Zêzere: População manifesta-se contra maus cheiros de fábrica

Foto: mediotejo.net

Cerca de cinquenta pessoas participaram na reunião da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere esta quinta-feira, 29 de julho, para se manifestarem contra os maus cheiros emanados pela empresa Biocompost – Compostos Orgânicos, que foi fundada em fevereiro de 2011, na freguesia de Areias/Pias.

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A Unidade de Compostagem situa-se no Terreirinho na freguesia de Pias, no concelho de Ferreira do Zêzere, tendo a sua sede no edifício Rações em Gravulha, Águas Belas, Ferreira do Zêzere.

O objetivo da empresa passa pela produção e comercialização de produtos de origem biológica de modo a valorizar e recuperar solos que se encontrem pobres e com necessidades de matéria orgânica, tanto através do fertilizante orgânico como dos substratos, como forma de ajudar os agricultores a aumentarem as suas próprias produções agrícolas.

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Não é habitual aparecer público nas reuniões de Ferreira do Zêzere. Foto: mediotejo.net

Os munícipes, uns mais exaltados do que outros, exigiram ao executivo camarário saber que procedimentos já realizou a autarquia para por cobro a esta situação de maus cheiros. O presidente da União de Freguesias de Areias/Pias, Hugo Azevedo, disse acompanhar este processo “há muito tempo” e que o que sabe é que “os cheiros existem”. O autarca já foi à fábrica várias vezes e constatou que “era impossível respirar” referindo que “o bom-senso há muito tempo que já se esgotou”.

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Chefe de Divisão do Ambiente, João Frias e Hugo Azevedo, presidente da junta deram explicações à população. Foto: mediotejo.net

O Chefe de Divisão de Urbanismo, Obras Municipais e Ambiente do município deu explicações aos cidadãos presentes na reunião de Câmara, em relação às competências que a autarquia tem nesta matéria. Referiu que a Câmara não pode fazer mais do que lhe compete e que a  entidade que tem responsabilidade em matéria de fiscalização é a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Vale do Tejo, a mesma que tem a competência de autorizar a instalação da atividade em causa.

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“Enquanto a Câmara tem competência para fiscalizar a obra, a DRAPLVT tem competência para fiscalizar o seu funcionamento. Os maus cheiros existem, não são ficção. A DRAPLVT é o nosso interlocutor neste tipo de matéria”, esclareceu, referindo que tudo isto consta no processo que têm reunido sobre o assunto. O responsável disse ainda que, pelo que sabe, a empresa está a funcionar bem.

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Discussão prolongou-se por mais de uma hora. Foto: mediotejo.net

Vítor Mendes, um dos interlocutores, disse ao mediotejo.net que foi entregue à mesa um requerimento que questiona quais têm sido as diligências da autarquia nesta matéria. “Nós viemos à reunião pública da Câmara Municipal porque temos um problema relacionado com a empresa Bio Compost sobre a questão dos cheiros e dos produtos químicos que estão a lançar para fora das suas instalações. É um problema geral da freguesia e que afecta a saúde pública”, disse, acrescentando que foi enviado um abaixo-assinado com cerca de 450 assinaturas para o Ministério do Ambiente reivindicando esclarecimentos em relação ao funcionamento da empresa.

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Jacinto Lopes respondeu às questões levantadas pelos munícipes. Foto: mediotejo.net

O presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere disse ao mediotejo.net que a autarquia já procedeu a várias diligências em defesa dos seus interesses. “Dentro das nossas competências fomos reencaminhando todos os assuntos relacionados com aquela empresa para as entidades que têm a capacidade de licenciar aquela atividade”, disse. “A Câmara fica limitada na sua acção. O que podemos fazer é pressionar, embora do outro lado nos cheguem respostas de que está tudo conforme”, referiu.

De qualquer modo, o autarca assegurou, durante a discussão com os populares, que a Câmara Municipal iria mandar fazer análises à qualidade de ar e que, se se provasse que o mesmo teria algum grau de toxicidade, a empresa seria “fechada no mesmo dia”.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Sobre a reunião da Câmara Municipal do dia 28/07/2016, espero que como foi solicitado pelos subscritores com a entrega na mesa de um requerimento, que a Câmara Municipal como é seu dever entregue a documentação que vai permitir aos subscritores verificarem de quem é a falta sobre este problema, no sentido de se poder responsabilizar no concreto os faltosos.
    Espero que o jornal como fez a cobertura da noticia, não se fique por aqui, e que continue a esclarecer a população sobre os desenvolvimentos do processo. Afinal, ainda existe jornalistas interessados em cumprir o seu papel profissional. Faço votos que continuem assim, isentos, transparentes e profissionais. Um muito obrigado pelo vosso trabalho de esclarecimento.

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