“Ezio Bosso e o seu legado”, por Massimo Esposito

Ezio Bosso foi um músico e compositor que morreu no dia 15 deste mês de maio. Para mim foi um choque, não porque o conhecia pessoalmente mas porque ele foi muito importante para mim para AMAR a música clássica.

Eu sou da generação dos Rolling Stones, Pink Floyd e Led Zeppelin, mas o filme muito contestado de Kubrick, o ‘Laranja Mecânica’ estranhamente aproximou-me de Beethoven. O Pavarotti fez-me entender como Rock e Opera fazem parte da mesma arte e sensibilidade e Ezio Bosso ensinou-me a AMAR a música.

Mas o que quer dizer AMAR a musica? É como AMAR a pintura, AMAR o ballet, AMAR o teatro. Amar é sentir fluir no íntimo os sentimentos, as ideias, o âmago, as tristezas e alegrias do autor, entrar profundamente em uníssono com ele e provar as vibrações que o empurraram a criar aquela sinfonia, aquelas tonalidades, aqueles “saltos”e daí chorar e rir com ele.

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Ezio Bosso começou aos 4 anos a ler e tocar musica. Com 14 anos tocava já viola baixo  num conjunto e depois tocou contrabaixo na orquestra da Câmara de Viena e na orquestra da Câmara da Europa, tendo escrito bandas sonoras para filmes e composto sonatas e sinfonias.

Mas a tragédia abateu-se sobre ele aos 40 anos. Ao retirar um tumor cerebral desenvolveu uma doença neurodegenerativa cortando radicalmente a sua possibilidade de tocar, compor e dirigir uma orquestra. Foi terrível e tristíssimo. Um génio da música confinado numa cadeira de rodas. Mas aqui Ezio deu-nos uma importante lição: NÃO DESISTIR!

Devagar começou a mexer os dedos, com grande força de vontade encontrou entusiasmo para recomeçar a dirigir e tocar piano, foi enxovalhado de forma mesquinha por alguns músicos que chegaram a dizer que se aproveitava da sua doença para se mostrar. Que estupidez! Ele tinha umas toneladas de notas para escrever, uma tonelada de um coração cheio de AMOR para dirigir e fazer entender a musica a pessoas como eu, que não sabem ler e não sabem o que é dirigir 100 ou mais músicos profissionais a tocar Beethoven ou Verdi.

Há vídeos e transmissões televisivas onde se pode ver como ele consegue comunicar a jogadores de Rugby, jornalistas ou humoristas a profundidade das emoções da 7ª sinfonia de Beethoven, que faz chorar a explicar a importância dum otavino numa orquestra ou a inovação de pôr 7 contrabaixos numa orquestra do inicio de 1800 para dar o som pretendido.

E tudo isto movido por um AMOR incrível a ouvir o que os seus músicos conseguiam tocar e como ele conseguia comunica-lo.

Ele morreu feliz porque sabia que o seu legado tinha sido ouvido e entendido por muitos. Obrigado Ezio pelo teu AMOR.

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