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Sábado, Dezembro 4, 2021
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Extensão global de áreas protegidas teve progressos, mas qualidade é deficiente – relatório

A extensão de áreas protegidas e conservadas no mundo teve progressos, mas os esforços ficaram “muito aquém” dos compromissos sobre a qualidade destas zonas, conclui o relatório Planeta Protegido, agora divulgado.

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O estudo, promovido pelo Centro de Monitorização da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP-WCMC) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), com o apoio da National Geographic Society, sublinha que “o desafio será o de melhorar a qualidade tanto das áreas existentes como das novas áreas” a registar.

Segundo o documento, o objetivo é conseguir “mudanças positivas para as pessoas e para a natureza, uma vez que a biodiversidade, continua a diminuir, mesmo dentro de muitas áreas protegidas”. O Dia Internacional da Biodiversidade é assinalado este sábado.

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“As áreas protegidas e conservadas desempenham um papel crucial no combate à perda de biodiversidade e têm sido feitos nos últimos anos grandes progressos no reforço da rede global de áreas protegidas e conservadas. No entanto, a designação e contabilização de mais áreas protegidas e conservadas é insuficiente. Elas precisam ser eficazmente geridas e equitativamente governadas, se quiserem cumprir os seus muitos benefícios à escala local e global e assegurar um futuro melhor para as pessoas e o planeta”, disse o diretor da UNEP-WCMC, Neville Ash, citado no relatório, divulgado a cada dois anos.

No mesmo estudo, é sublinhado que para serem eficazes, as áreas protegidas e conservadas precisam incluir locais importantes para a biodiversidade, mas “um terço” desses territórios, sejam em terra, águas interiores ou no oceano, “não estão de todo protegidas”.

“Alguns tipos de ecossistemas também permanecem totalmente desprotegidos, incluindo o mosaico da floresta montana angolana (floresta húmida temperada) e as florestas caducifólias da Anatólia Oriental”, alerta o documento.

O relatório chama ainda a atenção para a necessidade de as áreas protegidas e conservadas precisarem de estar “mais bem ligadas umas às outras, para permitir a movimentação das espécies e o funcionamento dos processos ecológicos”.

“Embora tenha havido melhorias recentes, menos de 8% das terras estão simultaneamente protegidas e ligadas, muito abaixo dos quase 17% da área de terra que está agora sob proteção, e continua a haver necessidade de assegurar que as áreas circundantes sejam geridas adequadamente, para manter os valores de biodiversidade”, adverte a mesma nota hoje tornada pública.

No estudo é também feito o apelo “à identificação e reconhecimento das áreas protegidas e conservadas existentes, dando conta dos esforços dos povos indígenas, comunidades locais e entidades privadas, reconhecendo ao mesmo tempo os seus direitos e responsabilidades”, acrescentando que os esforços de conservação destas comunidades são “subvalorizados e subdeclarados, embora as suas contribuições sejam extensas na garantia de um futuro para a natureza”.

Uma gestão mais equitativa das áreas protegidas e conservadas é igualmente preconizada no relatório, “para que os custos da conservação não sejam suportados pelas populações locais, enquanto os seus benefícios são usufruídos por outros”.

A União Internacional para a Conservação da Natureza congratula-se com os progressos alcançados, “particularmente durante a última década”, com a crescente cobertura de áreas protegidas, embora o diretor, Bruno Oberle, também citado no relatório, vinque a diminuição da biodiversidade para desafiar os envolvidos na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, a realizar em outubro em Kunming, China, para que fixem metas mais ambiciosas para o futuro.

“Estabeleçam um objetivo ambicioso, que garanta uma cobertura de áreas protegidas de 30% da terra, água doce e oceano até 2030, e a localização destas áreas deve ser otimizada, para proteger a diversidade da vida na Terra e serem efetivamente geridas e governadas equitativamente”, realçou Bruno Oberle.

No estudo é frisado que proteger e restaurar a natureza são mutuamente dependentes e advoga-se a criação, por parte dos países, de redes que ajudem “a travar a e inverter a perda de biodiversidade, mantenham os serviços essenciais dos ecossistemas, ajudem a sociedade a enfrentar e a adaptar-se às alterações climáticas e reduzam o risco de futuras pandemias”.

Segundo a informação divulgada, atualmente há 22,5 milhões de quilómetros quadrados (16,64%) de ecossistemas terrestres e de águas interiores e 28,1 milhões de quilómetros quadrados (7,74%) de águas costeiras e do oceano dentro de áreas protegidas e conservadas documentadas.

Na última década registou-se um aumento de 21 milhões de quilómetros quadrados, o equivalente a mais 42% do território abrangido. Um dos objetivos estipulados na convenção de Aichi sobre proteção da Diversidade Biológica – assinada por 150 governos em 1992 na Cimeira da Terra realizada no Rio de Janeiro – é proteger pelo menos 17% da terra e das águas interiores e 10% do ambiente marinho.

Agência de Notícias de Portugal

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